s idosos atuam no trânsito como pedestres, motoristas, passageiros, ciclistas ou motociclistas e engrossam as estatísticas de acidentes por pertencerem ao chamado grupo de risco.
Falaremos sobre o comportamento do idoso como pedestre usando o exemplo do trecho urbano que circunda o Hospital São Paulo (SP) porque possui um grande fluxo diário de pessoas e, principalmente, de idosos às unidades de assistência à saúde que o Hospital oferece. Cabe salientar, que poderíamos escolher qualquer outro lugar visto que na cidade de São Paulo, exemplos como este temos à vontade.
Atualmente, o Hospital São Paulo possui capacidade de atendimento para 800 leitos. Sendo que no ano de 2001 foram realizadas 175.688 consultas no Pronto Socorro, 179.388 no Pronto Atendimento e 871.775 nos Ambulatórios (Fonte:http://www.unifesp.br/spdm/hsp/historico1.htm, 31/10/2006), e por ser referência no tratamento médico em várias especialidades recebe pessoas de todo o país.

Foto: 01: Fachada Principal do Hospital São Paulo, Unifesp, 2006.
O Hospital está localizado na cidade de São Paulo no Bairro da Vila Clementino, Rua Napoleão de Barros, 715. O acesso é bastante fácil, visto que são várias as possibilidades de transporte público como ônibus e metrô – Estação Santa Cruz e Vila Mariana.
Figura 01: Mapa de Localização do Hospital São Paulo
O Hospital tem as seguintes ruas como formação da quadra em que está inserido:

Foto 02: Rua Borges Lagoa Foto 03: Rua Botucatu

Foto 04: Rua Pedro de Toledo Foto 05: Rua Napoleão de Barros
A dificuldade para se chegar ao Hospital São Paulo, está presente nas condições de acessibilidade do entorno somadas às especificidades do público que estamos focando – o idoso; que é mais vulnerável e conseqüentemente mais ferido em acidentes no trânsito, tanto nas travessias como nas calçadas.
Gráfico 01: Porcentagens de Vítimas por Atropelamentos, ROZESTRATEN, 1993: 163.
Como mostra o gráfico acima, pessoas com mais de 50 anos possuem três vezes mais risco de atropelamento que um adulto jovem e são várias as razões para números tão expressivos como este.
Os pedestres idosos apresentam lentidão nos movimentos levando mais tempo para atravessar a rua. Além de outras perdas na capacidade funcional como acuidade visual ou nitidez para ver pequenos detalhes; a redução da visão periférica e cromática e a diminuição na capacidade de ver a noite pelo aumento considerável para detecção de uma luz fraca o que leva a confusão visual nas situações noturnas do transito.
Outro fator importante é a deficiência da audição com a idade que contribui na diminuição da percepção e atenção ao contexto exterior, podendo influenciar, e muito na desenvoltura do idoso frente às barreiras presentes nos espaços públicos.
(...) a explicação para o envolvimento maior de idoso em acidentes não pode ser encontrado através do estudo de atividades normais de travessia, porém é provável que seja conseqüência das características inerentes do grupo e das limitações que estas impõem à capacidade de ações rápidas e evasivas numa situação perigosa. (ROZESTRATEN, 1993: 167.)
As calçadas nas proximidades do hospital, em sua maioria; não estão em condições adequadas para o uso do idoso ou uma pessoa em cadeira de rodas, não garantindo que o trajeto até o hospital seja rápido e seguro, como mostra a foto abaixo:
Perspectiva
Foto 06: Rua Botucatu com a Rua Pedro de Toledo Figura 02: ABNT NBR 9050, 2004: 57
As calçadas mais próximas ao hospital possuem rebaixamento, em forma de rampa, mas não seguem o que indica a norma ou não está conservada para garantir a travessia das ruas de forma segurança e rápida.

Foto 07: Rua Botucatu com a Rua Pedro de Toledo Foto 08: Rua Botucatu com a Rua Borges Lagoa
Outra possibilidade que a norma indica para dar boas condições de travessia é a construção, na via, de uma faixa elevada que une ambas as calçadas sem deixar desnível. Essa situação é encontrada na entrada principal do Hospital que fica na Rua Napoleão de Barros. Essa medida além de proporcionar segurança para o pedestre, garante que o trânsito de veículos reduza a velocidade ao se aproximar da elevação e que deve ser sinalizada como recomenda a NBR 9050, citada abaixo.

Figura 03: ABNT NBR 9050, 2004: 56.

Foto 09: Rua Napoleão de Barros Foto 10: Rua Pedro de Toledo com a Rua Napoleão de Barros
O idoso encontrará dificuldade para chegar ao Hospital por causa das calçadas desta área, que além de possuir piso irregular ou impróprio para sua segurança; não garantem uma faixa livre de obstáculos, de no mínimo 1,20m para circulação, podendo haver choque entre o idoso e o mobiliário urbano.
Além disso, o comércio informal aproveita o grande fluxo de pessoas na região e expõe seus produtos na calçada prejudicando ainda mais, a circulação de todos os pedestres, mas principalmente dos idosos que sentem maior peso para as atividades diárias como descreve a Simone de Beauvoir:
O coeficiente de adversidade das coisas cresce: as escadas são mais difíceis de subir, as distâncias mais longas de percorrer, as ruas mais perigosas de atravessar, os pacotes mais pesados para carregar. (Beauvoir, 1990: 373.)
As fotos a seguir foram tiradas em dias diferentes – uma em uma manhã de domingo e a outra em uma manhã de sexta-feira, deixando claro, que o idoso ou um cadeirante, terão uma série de obstáculos para vencer antes de chegar ao Hospital enquanto aguardam providências dos órgãos responsáveis por efetuar melhorias públicas.

Foto 11: Calçada da Rua Pedro de Toledo – Domingo. Foto 12: Calçada da Rua Pedro de Toledo –sexta-feira.
Este é um dos muitos exemplos que vemos nas cidades – principalmente em grandes capitais. Triste constatação de que situações como esta contribuem para o aumento de acidentes no trânsito envolvendo pedestres e para limitação do direito do ser humano de ir e vir principalmente na velhice.
Faço aqui um convite especial a todos: mandem situações parecidas ou mesmo iguais a esta que você encontra na sua cidade e vamos mostrar aqui na Coluna de Acessibilidade. Façamos deste canal uma vitrine dos problemas diários que os idosos enfrentam no espaço urbano para a sensibilização dos responsáveis públicos.
Abraços a todos.
Ana Cristina Satiro de Souza
Email: anacristina@av-alfa.com.br
Figura 01: Mapa de Localização do Hospital São Paulo
Figura 02: ABNT NBR 9050, 2004: 57.
Figura 03: ABNT NBR 9050, 2004: pg. 56.
Gráfico 01: Porcentagens de Vítimas por Atropelamentos, ROZESTRATEN, 1993: 163.
Lista de Fotos:
Foto 01: Fachada do Hospital São Paulo, UNIFESP, 2006.
Foto 02: Rua Borges Lagoa
Foto 03: Rua Botucatu
Foto 04: Rua Pedro de Toledo
Foto 05: Rua Napoleão de Barros
Foto 06: Rua Botucatu com a Rua Pedro de Toledo
Foto 07: Rua Botucatu com a Rua Pedro de Toledo
Foto 08: Rua Botucatu com a Rua Borges Lagoa
Foto 09: Rua Napoleão de Barros
Foto 10: Rua Pedro de Toledo com a Rua Napoleão de Barros
Foto 11: Calçada da Rua Pedro de Toledo – Domingo.
Foto 12: Calçada da Rua Pedro de Toledo –sexta-feira.