Muitas são as lutas que temos travado diariamente por oportunidades e instrumentos que nos
garantam a melhoria da qualidade de vida e até mesmo a expectativa de vida.
As demandas, no entanto, não cessam.
Na verdade, quanto mais vitórias alcançamos, mais e melhor vivemos. Que bom! Mas tudo na
vida tem um preço. E com nossa longevidade não é diferente.
Apesar das pequenas melhorias, muitos de nós – portadores de patologias progressivas e
degenerativas - chegamos a um estágio em nossas doenças que necessitamos auxílio para
as tarefas mais corriqueiras, como higiene pessoal, alimentação, locomoção e deslocamentos,
etc.
Para isso, precisamos contar com a presença constante e ininterrupta de um cuidador que,
no caso dos mais abastados, pode ser um ou mais profissionais contratados. Mas, na grande
maioria dos casos, é mesmo um familiar que desempenha esta função.
Ocorre que, esse familiar, ao longo do tempo, vê-se obrigado à difícil escolha de abdicar dos
estudos, da carreira profissional, emprego, enfim, de tudo, para dedicar-se ao portador da
patologia.
Não é raro verificar casos em que, anos depois, quando o parente portador já não se encontra
mais entre nós e sua minguada aposentadoria por invalidez (quando há) cessa, aquele
cuidador, já em idade avançada, que abriu mão de sua capacitação e vida profissional, passa,
ele próprio, à condição de dependente de outros, por não ter mais como recomeçar a vida num
mercado de trabalho tão competitivo quanto o brasileiro.
Dessa forma, é urgente que o Brasil acorde para a necessidade de uma política pública para os
cuidadores, como a que já existe, há muito tempo, em vários países da Europa.
Ou acrescenta-se um percentual à aposentadoria do portador (quando houver) destinado
ao sustento do cuidador, ou cria-se um programa específico nos moldes do Bolsa Família,
acrescido inclusive de plano de saúde ao qual o cuidador continuará fazendo jus em caso de
falecimento do portador, ou determina-se um salário-cuidador, mesmo, pago pelo estado e
com direitos previdenciários. Para aqueles que já estavam empregados antes de tornarem-
se cuidadores, poderia haver uma lei que lhes garantisse afastamento do trabalho com
vencimentos e direitos integrais, enquanto persistir a necessidade do portador.
Ao contrário do que possa parecer inicialmente, esse tipo de política não atende apenas aos
interesses dos portadores de patologias progressivas e incapacitantes e seus familiares,
mas a toda a sociedade, na medida em que um paciente cuidado em casa onera menos o já
deficitário serviço público de saúde e, consequentemente, o bolso de todos.
É hora, portanto, de nos unirmos em torno de mais esta bandeira. O momento me parece bem
oportuno já que, a cada novo governo, renovam-se as esperanças de novos olhares, posturas
e ações.
(*)Por Rosana Puga de Moraes Martinez, é Presidente da ADONE MS, texto publicado no blog
da entidade http://adonems.wordpress.com em 7/2/2011.