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GERP2011 destaca conquistas em Geriatria e Gerontologia


Cerca de mil congressistas participaram no VII Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia e VI Simpósio das Ligas de Geriatria e Gerontologia 13/05/2011 - por Bernadete Oliveira na categoria 'Diversos'

O VII Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia, realizado na cidade de Santos, São Paulo, de 13 a 16 de abril de 2011 no Mendes Convention Center, contou com a participação de aproximadamente mil inscritos, procedentes de todo o território nacional. Foram mais de 350 trabalhos científicos apresentados, 7 Simpósios Propostos, 4 Satélites e outras modalidades, como a ‘conversa no sofá’, por exemplo. Considera-se evento exitoso pelo conteúdo temático desenvolvido por lideranças científicas brasileiras que expuseram suas conquistas em geriatria e em gerontologia, difundindo conhecimentos sobre a velhice e o processo de envelhecimento no Brasil.

Marília Berzins e Marília Louvison. Beth Hong; Cláudia Borges, Lurdinha Nascimento e Sandra Teixeira, na  Sessão Solene de Abertura do Congresso: Plateia com mais de mil pesquisadores, gestores, profissionais de Gerontologia.No sábado, 16 de abril, foi apresentado a Mesa Redonda: Gestão em ILPI, Coordenada por Helena Akemi Wada Watanabe. A primeira palestrante, Sueli Luciano Pires, abordou a Administração do Serviço e trouxe a discussão os custos auto-referidos pelas ILPI’s Paulistas. Nas modalidades assistenciais 1, 2 e 3: R$ 2.500, R$ 3.100 e R$ 6.200, respectivamente. Já as públicas e mistas R$ 1.100, enquanto as filantrópicas R$ 500. Observando que o maior investimento nas ILPI’s é com os recursos humanos e não com a tecnologia.

Cleofa Toniolo Zenatti, discorreu sobre o Acolhimento Familiar, o qual considera o papel da família naquele momento, oferece suporte emocional e acompanhamento durante o período de internação. Refletiu sobre o momento da institucionalização, com base nos Cinco Estágios da dor da morte ou o Modelo de Kübler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). Destacando que no acolhimento busca-se entender o que as pessoas estão passando durante o processo de institucionalizar o familiar, bem como, o cotidiano, a rotina anterior a isso. Trouxe um exemplo comum, da mulher que volta a cuidar do ex-marido por consideração aos filhos... Escutar e auxiliar na decisão, buscar que o familiar compreenda que internar não é abandonar. É um ato consciente visando o bem estar do idoso e do familiar. Lembrou ainda que “A família é uma história em construção e como tal deve ser compreendida” (Naira Dutra Lemos).

A Segurança do Idoso em ILPI foi o tema exposto por Aparecida Yoshie Yoshitome, que fez um contra ponto enfocando também a questão da segurança do paciente idoso, sob os cuidados de uma instituição hospitalar. Destacou documentos oficiais da Organização Pan-Americana de Saúde e da Organização Mundial da Saúde: Aliança Mundial para a Segurança do Paciente (OMS, 2004). Relatou que no Congresso de Enfermagem de 2010 discutiu-se exaustivamente a questão da segurança. Sendo o ponto inicial da construção da Cartilha Rebraensp e Coren São Paulo, intitulada 10 passos para a segurança do paciente. Destacando que o alto índice de mortalidade nos serviços reflete a Segurança básica para o Cuidar: Lavar as Mãos! Prioridade na assistência, quem como primeiro desafio o acesso ao insumo necessário para fazer a técnica correta, que pode salvar a vida.

Enfatizou que errar é humano. Notificação não é punição. É aprender com o erro, ou seja, notificar o erro é buscar suas causas. Destacou que acolher o idoso é também atendê-lo com segurança. Discorreu sobre dia-a-dia em uma ILPI de baixa complexidade, onde o trabalho, muitas vezes, é leve, repetitivo, monótono e pouco valorizado; o que aumenta o risco de dependência física e perda da autonomia do idoso. A equipe precisa ser motivada para o atendimento individual, para evitar essa situação e o erro. Ao evento adverso o idoso institucionalizado está vulnerável. Mas, o idoso institucionalizado pode migrar da situação de vulnerabilidade para o de fragilidade, quando o profissional não presta atenção, executa a técnica mecanicamente, comete um engano, erra e coloca o idoso em risco de morte. Se eu não relatar o erro: como vou corrigir para que não haja novas ocorrências? É preciso trabalhar mecanismos que garantam que não haja erros. A simplicidade é o que nos preocupa. A rotina: sempre a mesma coisa. Acrescenta-se a esta cena, por exemplo, uma jornada dupla de mais de 12 horas de trabalho: tem mais chance de cometer erro.

Dr. Sérgio Márcio Pacheco Paschoal (SMS-SP). Coordenador Simpósio Proposto Programas Inovadores para Pessoas Idosas.  Em seguida foi apresentado o Simpósio Proposto Programas Inovadores para Pessoas Idosas pelo Coordenador Dr. Sérgio Márcio Pacheco Paschoal, Secretaria Municipal de Saúde do Idoso, Prefeitura de São Paulo. Segundo ele, em face das demandas crescentes do envelhecimento populacional, torna-se urgente e necessário à implantação de políticas sociais de proteção e inclusão das pessoas idosas. O envelhecimento se manifesta de forma heterogênea na vida social e, portanto, requer de atores da vida pública: Estado e Sociedade Civil, o compromisso de romper os modelos tradicionais de assistência.

Ressaltando práticas com componentes e tecnologias sociais inovadoras, com possibilidades de serem reaplicáveis em cenários diversos. Entusiasta que é da causa do envelhecimento e da longevidade humana, apresentou três iniciativas exemplares e inovadoras de atendimento aos idosos na Cidade de São Paulo:

A primeira experiência é desenvolvida por uma ONG (OLHE – Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) que tem o foco na sensibilização de moradores de condomínios residenciais, bem com, a de porteiros e zeladores para o atendimento de idosos. A segunda é também de uma ONG (ASF - Associação Saúde da Família) que desenvolve o programa para idosos que se encontram em plena atividade sexual e os convida para uma ação cidadã e de protagonista social na prevenção a AIDS. A terceira é destinada aos idosos em situação de fragilidade e que está sob a responsabilidade do setor público.

 Bernadete Oliveira (OLHE-SP): Implantação na América Latina do Condomínio Amigo: Envelhecer com Futuro.  Com o Tema: Implantação na América Latina do Condomínio Amigo: Envelhecer com Futuro, Bernadete Oliveira (OLHE-SP) destacou que desde 2009 o Programa Condomínio Amigo: Envelhecer com Futuro vem sendo implantando em dois Edifícios Residenciais da cidade de São Paulo, um com cerca de cinco mil residentes e outro onde residem aproximadamente 2.300 pessoas. O programa tem por base a proposta Cidade Amiga do Idoso, 2005, na qual a moradia é considerada fundamental para o bem estar do cidadão que envelhece, e, sobretudo, daqueles idosos, promovendo a saúde do idoso a partir de ações que garantam sua participação e segurança, bem como seu acesso à informação – educação (OMS, 2010). Estratégias distintas foram promovidas para assegurar a adesão dos moradores idosos ao programa, no condomínio da região central da cidade, Workshop sobre Envelhecimento e Longevidade Humana e, no da região leste o Mutirão Amigo do Idoso; bem como dos funcionários: curso de sensibilização, de 8 horas de duração. O Condomínio Amigo está e plena fase de captação de parceiros e apoios. Com o empenho da equipe, logo estará abrangendo outros condomínios na cidade, pois inova ao identificar e fortalecer as redes de apoio ao idoso, atendendo as necessidades dos moradores idosos no lócus onde residem, promovendo autonomia e exercício da cidadania de pessoas acima de 60 anos.

A viabilização dos projetos e das ações do OLHE decorrem de parcerias e apoio da sociedade como um todo, abraçando a causa do envelhecimento e da longevidade humana na realidade contemporânea.

Carlos Lima Rodrigues (ASF-SP): Agentes Idosos de Prevenção.

 

 

 

 

 

 

Carlos Lima Rodrigues (ASF-SP) enfatizou que no Brasil casos confirmados de AIDS, em pessoas com idade acima de 50 anos, crescem de forma significativa. A parcela feminina idosa apresentou um crescimento de 567% entre 1991 e 2001. Os conceitos (e preconceitos) construídos em relação ao envelhecimento ainda permanecem nos dias atuais, inclusive a ideia da velhice assexuada. A chegada dos medicamentos para disfunção erétil coloca esse contingente de pessoas mais velhas em situação de vulnerabilidade para contaminação das DST/AIDS. Diante desses dados foi criado o projeto Agentes Idosos de Prevenção como um modelo de intervenção inovador, que tem o objetivo de capacitar pessoas idosas para, através de oficinas, discutirem temas sobre sexualidade e multiplicarem as ações de prevenção às DST/AIDS entre a população com 60 anos e mais, em um bairro da zona leste do município de São Paulo. Os idosos sensibilizados pelo projeto são orientados a realizar testes de sorologia para DST/AIDS.  Na rede local de atenção houve relato de aumento de procura dos serviços pelas pessoas mais velhas. O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) colaborou com gel lubrificante, preservativos masculinos e femininos para distribuição nas oficinas, e abriu espaço para realização de papanicolau para mulheres vinculadas ao projeto. O Centro de Referência e Treinamento (CRT) abriu espaço para visitas monitoradas dos Agentes Idosos, colaborou na capacitação e também forneceu insumos. O cenário aponta para a necessidade de se incluir as pessoas idosas nas políticas públicas de atenção à saúde, no que se refere à prevenção das DST/AIDS. Desde 2010 o projeto conseguiu a abrangência de 400 pessoas idosas que residem nos bairros de São Mateus e Itaquera na região Leste da cidade de São Paulo, e pretende a partir de 2011 abranger 1200 nos bairros de Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. Conta com o apoio da Empresa Johnson & Johnson e do Grupo Santander.

Amor, Sexo e Prevenção: Parceria Perfeita para Qualquer Idade.

Marília Berzins (SMS-SP): Acompanhante de Idosos.

 

 

 

 

 

 

 

Marília Berzins (SMS-SP) mostrou que em iniciativa inédita e inovadora, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP) organizou um serviço de acompanhantes comunitários, recrutados, treinados e supervisionados para realizar atendimento biopsicossocial, em domicílio, de pessoas idosas com graus variáveis de vulnerabilidade e dependência. O objetivo do programa Acompanhantes de Idosos é preservar tanto quanto possível a independência e a qualidade de vida destes idosos, mantendo-os por um maior tempo na comunidade, evitando ou retardando tanto quanto possível sua institucionalização. Os acompanhantes (capacitados e supervisionados por uma equipe especializada) desenvolvem todas as atividades de companhia e apoio nas áreas de alimentação, higiene pessoal, atividades externas e de lazer, ajudando na manutenção da moradia e mobilizando recursos de apoio disponíveis na comunidade (ginástica, fisioterapia, atividades comunitárias, passeios etc.), em conformidade com a condição e a necessidade de cada idoso acompanhado. Localizado em todas as coordenadorias de saúde da Cidade de São Paulo, o programa estabeleceu um efetivo modelo assistencial de política pública para a população idosa vulnerável. Além dos acompanhantes, a equipe se compõe de outros profissionais da saúde (médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e assistente social) que juntos com os acompanhantes desenvolvem as ações de saúde por meio do Plano de Cuidados. O programa atende cerca de 2000 idosos em São Paulo e os indicadores de monitoramento atestam a sua eficiência e eficácia para os idosos em situação de fragilidade e vulnerabilidade social.

Mapa da Abrangência do Programa na Cidade de São Paulo, abril de 2011. Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo – Saúde do Idoso.

Carlos Lima (ASF-SP), Bernadete Oliveira (OLHE-SP), Sérgio Paschoal (SMS-SP) e Marília Berzins (SMS-SP). Simpósio Proposto Programas Inovadores para Pessoas Idosas, GERP 2011.

 

 

 

 

 

 

 

 

Destaca-se a discussão iniciada entre a plateia e os expositores. Marília (SMS-SP) inquirida sobre não ter fisioterapeuta e outros profissionais de saúde na equipe que compõe o Programa, disse que uma das funções do acompanhante é referenciar e matriciar o idoso na rede básica de saúde. Quando a acompanhante agenda a consulta, leva o idoso aos serviços de saúde que ele necessita, acompanhando-o dentro do sistema de saúde, este agente otimiza os recursos existentes na rede. Essa prática reduz o custo do programa. Sem a qual o custo aumentaria, tornando inviável sua execução.

Carlos (ASF-SP), por outro lado, parabenizado pela repercussão do programa e o desempenho das agentes nas palestras ministradas por elas, lembrou do apoio da Johnson & Johnson e da participação de Tatiane Andrade (ASF-SP) como Coordenadora do Projeto. Para ele, um dos motivos do sucesso do programa está na metodologia de selecionar nas comunidades a pessoa idosa que se destaca como líder, assim o processo de ‘capacitar’, ‘desinibir’ e ‘sensibilizar’ para falar sobre o tema em público torna-se mais efetivo.

A plateia se ateve na questão da Gerontologia e o Setor Público. Sugerindo que apenas este setor tem a responsabilidade de desenvolver ações voltadas para a população idosa. Bernadete (OLHE-SP) trouxe para a discussão a importância da sociedade civil se organizar para planejar e desenvolver ações que transformem e renovem as práticas sociais relacionadas ao envelhecimento e à longevidade humana. A Gerontologia deve estar tanto na pauta pública quanto na privada. A responsabilidade social do segundo setor (empresas e universidades privadas, por exemplo) precisa ser fortalecida. É importante a co-criação entre o terceiro e o segundo setor. O mundo empresarial precisa aprender um pouco sobre a responsabilidade social: retornar para a sociedade, viver bem com a comunidade de seu entorno – o que é preciso para melhorar. Muitas Organizações não Governamentais (como o OLHE) planejam projetos e precisam de recursos para viabilizá-los. Trazer a empresa para dentro da ONG é sensibilizá-la para que abrace a causa do envelhecimento e da longevidade humana; é fortalecer sua responsabilidade diante da sociedade como um todo (mesmo sem incentivo fiscal); é estimular a mudança de paradigmas sobre a velhice e o envelhecimento,

Para finalizar o encontro, Sérgio (SMS-SP), entre aplausos e congratulações pelo sucesso do Simpósio, emocionado, enfatizou que o conjunto dessas práticas representa efetivamente soluções de transformação social na melhoria das condições de vida das pessoas idosas, dos profissionais envolvidos e, o mais importante, enfim, reflete também nas famílias e nas comunidades envolvidas nas práticas.

(*) Bernadete de Oliveira - Doutoranda em Ciências Sociais pela PUCSP, mestre em Gerontologia pela PUCSP, membro do OLHE - Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento.

E-mail: bbell_o@yahoo.com.br


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Atualizado em 20/05/2012 19:54:15