Os meios de comunicação japoneses têm noticiado o risco de epidemias de gripe e de problemas gástricos entre os alojados em centros de acolhimento
O caso, noticiado pelo diário britânico The Guardian, é particularmente chocante. Outros onze idosos morreram numa casa de repouso em Kesennuma, devido às baixas temperaturas, depois de o petróleo para aquecimento ter acabado. De acordo com a polícia, estão confirmadas 9.408 mortes. Além disso, 14.716 pessoas estão oficialmente desaparecidas e 2.746 feridas. Milhares de refugiados estão abrigados em instalações provisórias. O balanço mais recente indica mais de 28.000 mortos e desparecidos.
Situações como a do hospital, se conheciam poucos pormenores, e serão casos pontuais, a crer nas informações de organizações humanitárias, que, segundo a Reuters, informaram que a maior parte dos sobreviventes nas zonas mais afetadas pelo desastre já se beneficiava de ajuda alimentar, aquecimento e apoio médico. Mas o episódio ilustra a fragilidade particular dos grupos etários mais vulneráveis, parte importante das vítimas do desastre, que atingiu mais severamente as regiões de Miyagi, Iwate e Fukushima.
A hipotermia, a desidratação, os problemas respiratórios, são, no imediato, ameaças que pairam sobre muitos idosos. Outros têm ainda que lidar com um problema extra: durante o sismo, ou na fuga, perderam a medicação contra doenças crónicas como hipertensão ou diabetes, explicou à AFP Eric Ouannes, director-geral do ramo japonês dos Médicos Sem Fronteiras.
Os meios de comunicação japoneses têm noticiado o risco de epidemias de gripe e de problemas gástricos entre os alojados em centros de acolhimento, bem como o aumento de mortes de idosos devido a stress pós-traumático. O Japão, com um quarto da população acima dos 65 anos, tem uma população envelhecida, devido ao efeito combinado de uma baixa natalidade com a esperança de vida mais elevada do mundo - 86,4 anos para as mulheres, 75,6 para os homens.
O número de pessoas em 2700 centros de acolhimento provisórios está calculado em 550 mil - soma dos que viram as casas destruídas com aqueles que as que tiveram de deixar por se situarem num raio de 20 quilómetros da central de Fukushima.
Fonte: Extraído de Publico.pt, 19/03/11 - Por João Manuel Rocha – Créditos de imagem: Yuriko Nakao/Reuters. Disponível: http://www.publico.pt/Mundo/idosos-japoneses-sao-as-vitimas-esquecidas-do-postsunami_1485671