
A cena seria cômica se não denunciasse um problema tão trágico e cada vez mais recorrente na mídia internacional. Imagine um casal entrando ilegalmente em um apartamente vazio a fim de ocupá-lo, pois sabia que há tempos ninguém morava nele. Agora imagine a cena: ao percorrer o ambiente do apê, encontra, em um dos quartos, um cadaver mumificado da antiga moradora na cama.
O fato aconteceu Gijón, uma cidade e um município da Espanha, na província e comunidade autónoma das Astúrias, com cerca de 270 mil habitants. Gijón tem 26 freguesias e um dos principais portos marítimos da Espanha. É considerada a cidade mais povoada das Astúrias, com cerca de 25,44% da população do Principado.
Nesses dois anos ninguém sentiu falta da moradora idosa. Nem seus vizinhos de porta. Apenas os órgãos governamentais porque provavelmente os impostos não estavam sendo pagos. Assim como aconteceu com outra idosa, em Portugal, encontrada na cozinha, junto a um esqueleto de um cão. Na ocasião demos uma nota no Portal do Envelhcimento, sob o título "Idosa encontrada morta em casa há 9 anos mostra "urgência" de uma intervenção".
Este caso, associado com vários outros – publicados no Portal – trata de um problema cada vez mais frequente do isolamento em que vive uma grande parte dos idosos.
Cadáver mumificado
No início de agosto a Polícia da cidade de Gijón, na Espanha, foi chamada para atender o requerimento de um organismo oficial que não conseguia localizar a proprietária do apartamento há dois anos, mas que soube que a fechadura tinha sido mudada poucos dias antes.
Após solicitar os serviços de um serralheiro, os agentes entraram na casa e acharam o cadáver mumificado de uma pessoa cuja autópsia determinou que não apresentava nenhum traumatismo nem indícios de morte violenta. O cadáver, que podia estar ali há quase dois anos, era da proprietária do apartamento, uma mulher de 71 anos e de origem portuguesa.
No interior da casa foi encontrada também a fechadura anterior do apartamento, o que levou os agentes suspeitarem que outras pessoas teriam entrado ilegalmente no imóvel solicitando para tanto os serviços de um serralheiro. A investigação permitiu a localização e detenção recente do casal invasor, que admitiu ter se deparado com uma "desagradável surpresa" quando entraram na casa.
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