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Salesópolis: quem cuidará de nós em 2030?


Com o objetivo de ilustrar nosso trabalho de campo descrevo uma de minhas incursões, realizada em agosto no município de Salesópolis-SP, localizado aonde nasce o importante rio Tietê, ainda limpo e despoluído. 10/10/2011 - por Cleber Kimura* na categoria 'Diversos'
Com sorriso no rosto e muita vontade de trabalhar, estudantes da PUC-SP, membros da equipe de trabalho da pesquisa "Quem cuidará de nós em 2030?", antes de se separarem a fim de cobrir os diversos municípios da região metropolitana de São Paulo se reúnem para discutir detalhes do processo da pesquisa para que esta obtenha êxito em sua finalização em seus diversos aspectos.

Com o objetivo de ilustrar nosso trabalho de campo descrevo uma de minhas incursões, realizada em agosto no município de Salesópolis-SP, localizado no alto do Ribeira. A cidade foi fundada no início do século XIX com o nome de São José do Paraitinga por Aleixo de Miranda e os alferes José Luís de Carvalho e Francisco Gonçalves de Souza Melo, e que em 16/11/1905 teve seu nome alterado para Salesópolis.

 

O município está localizado aonde nasce o importante rio Tietê, ainda limpo e despoluído. Trata-se de uma cidade pequena, com 15.635 habitantes, 425 km² de área, constituída em uma região geográfica que confere à sua região urbana ruas que quando não se está subindo, se está descendo, ou seja, muitas ladeiras. Sua renda per capta não é alta o que lhe classifica, segundo os próprios moradores com quem conversei, como muito pobre. Apesar disso, é uma cidade muito aconchegante, pacata como tantas outras de nosso imenso interior, com uma produção agrícola considerável que nos faz vislumbrar seu horizonte com uma ponta de inveja de quem mora em uma megalópole como São Paulo, capital. Os salesopolenses são muito receptivos, cordiais e solícitos, além de receptivos.

Minha viagem
Saímos da cidade de São Paulo às 6 horas da manhã rumo à cidade de Salesópolis/SP com escalas programadas para deixar as demais pesquisadoras nas cidades de Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquequecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes.

As entrevistas em Salesópolis estavam agendadas para se  iniciarem às dez horas da manhã, entretanto só consegui chegar ao local combinado às 10h30 na Secretaria de Saúde, localizado na região central da cidade, local de fácil acesso e fácil de encontrar.

Fui recebido prontamente pela Sra. Maura Santos de Almeida, representante da secretaria da saúde do município indicada pela secretária da mesma pasta, Sra. Nereida. Fomos direto para uma sala reservada, na qual realizou-se as três entrevistas.

A entrevista transcorreu de forma tranquila, sem interrupções.  A entrevistada respondeu a todas as indagações sem nenhuma restrição. O tempo de duração foi de aproximadamente trinta minutos.

Na sequência, entrevistei a Sra. Lilian Maria Ramos, como representante do conselho municipal do idoso, pessoa simpática que milita no município pelas causas dos idosos. Mas, segundo informações da própria Sra. Maura, o município não há constituído, ainda, o conselho municipal do idoso. Está em fase de planejamento. Portanto, a Sra. Lilian não possui nenhum vínculo oficial com o Município.

A Sra. Lilian respondeu a todas as questões de forma solícita. Sua entrevista também transcorreu de forma serena, com duração de 40 minutos aproximadamente.

A terceira entrevistada, Sra. Maria Aparecida Dantas, representante dos usuários (ainda não do conselho, haja vista sua inexistência) teve um atraso. Por motivos particulares ela teve que se ausentar do município no período da manhã e por contato telefônico agendamos sua entrevista para as 13h30, no entanto ela chegou somente às 14 horas.

Enquanto a aguardava, fui almoçar em um restaurante self-service bem simpático que ficava próximo a secretaria da saúde, descendo uma ladeira bem íngreme. Almoçado, havia, ainda muito tempo a esperar e fui dar uma volta ao redor da famosa pracinha da igreja matriz com seu espaço para o coral. Foi aí que deparei-me com uma simpática senhora sentada na calçada, e após apresentar-me e com sua autorização devida, gravei nossa conversa que tinha como tema principal sua percepção em se viver naquela cidade.

Seu nome é Inocência Nunes Prado, 73 anos de idade, nascida e moradora no município, agricultora aposentada aos 60 anos aproximadamente. Ela relatou que na cidade falta muita coisa como médicos de forma geral, geriatras, "coisas para as crianças", esporte.

Indagada sobre o que há de bom na cidade a resposta foi curta e direta: "Nada!". Entretanto gosta de lá morar e não trocaria de município pois é muito sossegado e o clima é bom. Percebi aí certa contradição, pois quando se mora em um lugar tão ruim quanto me relatou, mesmo não podendo devido a diversos motivos, pelo menos a vontade em se mudar existe, mas não era o caso dela. Apesar de achar que já viveu muito, tem a intenção de fazê-lo até os 80 anos do mesmo jeito, sem doenças importantes e de forma tranquila.

Após falar com dona Inocência, fui ao encontro da minha terceira e última entrevistada, desta vez com a Sra. Maria Aparecida Dantas. A entrevista, assim como as demais, ocorreu de forma serena e tranquila, sem interrupções ou percalços, com duração, também, de 40 minutos aproximadamente.

Realizadas as entrevistas, montei sobre meu fiel alazão prateado de mais de uma tonelada e com quatro rodas, e dirigi por aproximadamente duas horas e meia até chegar ao recanto de meu lar no meio da cidade grande.

Aos Salesopolenses deixo aqui meus sinceros agradecimentos pela colaboração, pela hospitalidade, simpatia e espero poder voltar em breve e com mais tempo para, sim, poder apreciar as belezas da região.

*Cleber Kimura é cirurgião dentista, mestrando em Gerontologia pela PUC-SP e membro do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento, responsável pela pesquisa QCN2030, em São Paulo.


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Atualizado em 21/05/2012 00:06:31