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De senectude. O Tempo da Memória


Se o mundo do futuro se abre para a imaginação mas não nos pertence mais, o mundo do passado e aquele no qual, recorrendo nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa identidade; um mundo que se formou e se revelou na série ininterrupta de nossos atos durante a vida, encadeados uns aos outros, um mundo que nos julgou, nos absolveu e nos condenou para depois, uma vez cumprido o percurso de nossas vidas, tentarmos fazer um balanço final. 26/10/2010 - por Redação Portal na categoria 'Entrevista'

Título: De senectude. O Tempo da MemóriaAutor: Norberto Bobbio
Editora:
Campus
Cidade:
São Paulo
Ano:
1987


Se o mundo do futuro se abre para a imaginação mas não nos pertence mais, o mundo do passado e aquele no qual, recorrendo nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa  identidade; um mundo que se formou e se revelou  na série ininterrupta de nossos atos durante a vida, encadeados uns aos outros, um mundo que nos julgou, nos absolveu  e nos condenou para depois, uma vez  cumprido o percurso de nossas vidas, tentarmos fazer um balanço final.

É preciso apresar o passo. O velho vive das lembranças e em função das lembranças, mas sua memória torna-se cada vez mais fraca. O tempo da memória  segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto mais vivas  as lembranças que vêm a tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo  em que os fatos ocorreram. Cumpre-nos saber, porém, que o resíduo, ou o que logramos desencavar desse poço sem fundo, é apenas uma   ínfima parcela da história de nossa vida. Nada de parar.  Devemos continuar a escavar!  Cada vulto, gesto, palavra ou canção que parecia perdido para sempre, uma vez reencontrado, nos ajuda a sobreviver.


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Atualizado em 21/05/2012 08:06:04