O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar. (León Tolstói)
Qualquer coisa que se comente sobre o filme “A Última Estação” é o mesmo que falar de amor. Não um amor banal, efêmero, como muitos destes que andam por aí, não se engane, caro leitor. Trata-se de muito mais, é León Tolstói (Christopher Plummer) e sua vibrante, emocional e apaixonada esposa Sofya (Helen Mirren) que nos apresentam o verdadeiro amor, aquele em que os amantes se rasgam, se invadem, mas que ao mesmo tempo trocam palavras simples, comuns, próprias dos apaixonados
“Você me ama?” E o seu objeto de desejo responde
“Amo” , simples assim. O amor que não tem idade, não respeita os limites, apenas se impõe.
Mas toda emoção que o filme passa de forma bastante realista e algumas vezes até cruel é resultado de um misto de grandes atuações com um roteiro primoroso.
O Filme é baseado no romance de Jay Parini, o mesmo autor do excelente livro “A Travessia de Benjamin” sobre a história do crítico e filósofo judeu alemão Walter Benjamin. “A Última Estação” conta a história dos últimos meses de vida do autor de Guerra e Paz, A Morte de Ivan Ilich, Anna Karenina e tantos outros, na época com oitenta e dois anos de idade, a partir do seu contato com o jovem escritor, apresentado como seu mais novo secretário, Valentin Bulgakov (James McAvoy ). O jovem Valentin é contrato pelo escritor e amigo de Tolstói, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti) para investigar a vida privada do autor e sua esposa, a Condessa Sofya, como parte de uma grande disputa pelos direitos autorais mais valiosos do início do século XX.
A primeira vista pode parecer que, de fato, existe uma grande conspiração por parte de Chertkov para tomar os direitos da magistral obra de León Tolstói. Mas a intenção não é declarar culpados ou inocentes nesta história, já que todas as atitudes, como se trata de um gênio do século, são justificadas pela profunda admiração que o existencialista causava em todos ao redor, tamanha a grandiosidade de seus trabalhos. Nasce o Mito, o irretocável, aquele que fala de liberdade, da verdade e de um certo cheiro de amor, lembranças de uma paixão da juventude, “aquele” que reúne muitos homens, como num quebra-cabeça.
Todo cenário construído toma uma proporção monumental com as brilhantes atuações de Christopher Plummer e Helen Mirren. Ele, mais parece um misto de Deus e o Diabo, um homem bruxo que invade a tela tomando uma proporção quase sobrenatural, que não precisa de palavras, um simples olhar fala e basta. Ela, a energética Sofya, transita entre a loucura e a sanidade, grita pelo amor, pelo seu desejo e assim, este casal nos chega maravilhosamente insanos no seu mundo particular, para eles não existe plateia.
A direção de Michael Hoffman é competente e delicada na condução das atuações. Acredito que “A Última Estação” seja o mais belo dos presentes aos fãs da literatura do soberbo León Tolstói, e como dizia sua Sofya, ele era um homem comum, movido unicamente pelo incomensurável amor. Ela sabia que ele a amava, sempre soube. Um filme imperdível, mas se você não apreciá-lo pelo conteúdo ou pela história ou pelo desempenho dos atores, pelo menos delicie-se pelo amor, como os eternos românticos.
Assista o Trailer : http://www.youtube.com/watch?v=tvMjJ3PyFHw&feature=fvst
(*) Engenheira, Psicóloga e Mestranda em Gerontologia pela PUC/SP. E-mail: lh0404@terra.com.br .