O filme trata de relacionamentos. É a história de um homem de 63 anos que só saí com mulheres mais novas (por volta dos 20) e que passa por uma mudança ao conhecer uma mulher mais velha que chama sua atenção. Erica é uma mulher bem sucedida de cinqüenta e poucos anos que não pensa mais em se relacionar e que de repente se vê entre dois homens; um muito novo para ela, em sua concepção (entre os 20 e 30 anos) e um que ela considera machista e arrogante de 63 anos.
Os relacionamentos que vão se traçando ao longo do filme são muito interessantes pois mostra o preconceito de uma relação entre uma mulher mais velha com um homem mais novo e a aceitação de uma entre um homem mais velho com uma mulher mais nova. Além disso, mostra os diferentes pontos de vista, a partir das personagens, de cada individuo frente a esse tema. Temos Erica, mulher idosa, bem sucedida, divorciada que não aceita a relação da filha com um homem mais velho nem cogita se relacionar com um homem mais novo; temos Harry, um homem de 63 anos, bem sucedido, com síndrome de Peter Pan, que só sai com mulheres mais novas e não vê a possibilidade de se relacionar com uma mulher mais velha; temos também Marin, jovem que namora um homem mais velho mas que não aceita que o pai vai se casar com alguém da idade dela. Alem desses outras personagens permeiam e discutem um pouco o tema.
Ao longo do filme alguns preconceitos vão sendo desmascarados e esclarecidos. Alem de outras temáticas pouco abordadas na terceira idade, como, a sexualidade. O homem precisa de Viagra, a mulher nem pensa mais em sexo. “Eu gosto de sexo! (...) Achei que esse departamento já estava fechado há anos.” (Erica após transar com Harry). É interessante a forma como a diretora e roteirista aborda essas temáticas pois não ficam camufladas ou estereotipadas.
Uma cena que explica bem a dinâmica dos relacionamentos é quando estão todos (Erica, Harry, Zoe_irmã de Erica e Marin_filha de Erica) sentados na mesa de jantar e Zoe começa a analisar Erica e Harry. Ela diz que Harry é um homem que nunca foi casado, bem sucedido, interessante, portanto, bom partido; já Erica é bem sucedida mas não se relaciona, portanto, tem mais tempo para se dedicar ao trabalho, tornando-se assim mais bem sucedida, com isso, mais interessante, entretanto, menos atraente pois os homens sentem se ameaçados pelas mulheres mais “poderosas”. É uma cena hilária e que resume bem a história tanto do filme quanto da realidade.
A maioria das criticas a respeito do filme dizem que o tema é banal e manjado (duas pessoas que não se suportam e que acabam se apaixonando), entretanto, os atores são bons, o humor também e isso torna o filme bom. Não achamos o tema banal, muito menos manjado, casais idosos, relacionamentos entre pessoas mais novas e mais velhas não são muito vistos em Hollywood. Esse filme consegue trazer a temática para as telonas e abrir caminhos para os idosos da vida real que não possuem mais esperança. Por ser atores excelentes, roteiro magnificamente criativo e engraçado, e assunto novo, consideramos um dos melhores filmes sobre o assunto de conjugalidade na terceira idade. Como disse a Redação Terra, “O filme consegue algo que é digno de nota no cinema norte-americano: faz o amor entre pessoas de meia-idade parecer sexy e tremendamente satisfatório.”
[1] Professora da eletiva “Velho DO e NO Cinema: olhares e imagens do envelhecimento humano”, do Curso de Psicologia, PUC-SP, segundo semestre de 2009.
* Aluna do curso de Psicologia da PUC-SP.