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Encontro Marcado


O filme conta a história de Bill Parrish, empresário de sucesso que as vésperas de seu aniversário de sessenta e cinco anos, é procurado pela Morte. 18/07/2010 - por Isac R. S. Souza e Ludmila Fontana, Ruth Gelehrter da Costa Lopes na categoria 'Filmografia'

Encontro Marcado

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Sinopse:  William Parrish (Anthony Hopkins) é um empresário de sucesso, dono de sua própria companhia, prestes a fazer 65 anos de idade. Possui duas filhas, uma que organiza sua festa, mais velha e casada, e a mais nova, médica, chamada Susan (Claire Forlani), que é noiva do braço direito de William, o nojento Drew (Jake Weber). Toda a rotina de William muda quando, em um dia, um rapaz chega em sua casa dizendo ser a morte. William, após ter a prova do que o rapaz fala, aceita um trato: levar Joe Black (Brad Pitt) para conhecer o mundo em troca de alguns dias a mais no mundo.

O filme conta a história de Bill Parrish, empresário de sucesso que as vésperas de seu aniversário de sessenta e cinco anos, é procurado pela Morte. Ela quer que Bill seja seu guia na Terra e em troca lhe dá tempo de vida. No desenrolar da trama a Morte se apaixona pela filha de Bill e sua empresa corre o risco de ser corrompida. Embora entrelaçado numa história romântica o tema central do filme é o encontro com a morte; no caso de William Parrish, um encontro marcado.

O filme é de 1998, dirigido por Martin Brest (Um tira da pesada, Perfume de mulher, Contato de risco). Protagonizado por Brad Pitt (Entrevista com o vampiro, Os doze macacos, Clube da luta, Sete anos n Tibet), Anthony Hopkins (Silêncio dos inocentes, Dracula de Bram Stoker) e Claire Forlani (Reflexos da inocência, Olhar do desejo). Foi elaborado a partir da inspiração do diretor ao ver “Death takes a holiday” de 1934.

A maneira como Bill Parrish encara a proximidade do seu fim desafia o senso comum, que tende a atribuir a esse momento uma extrema angústia e desespero. Não que essa forma de lidar não seja a mais comum, mas o personagem de Anhony Hopkins talvez encare a morte de um modo mais sadio.  A cena em que o vemos mais transtornado é quando ele se ressente de que sua grande empresa possa cair nas mãos de um empresário imoral, que a usaria como meio de controle dos canais de comunicação. Isso Bill não pode aceitar. A morte, sim, mas não que a grande obra de sua vida seja desvirtuada. Ou como ele diz: “Um homem quer que seu legado seja respeitado. Que seja dirigido como ele o fez. Com honra e dedicado a verdade”.

Bill é o homem que viveu a vida intensamente, do jeito que quis e realizando seus elevados valores sociais e morais. Tendo assim levado a vida, tirou dela a satisfação e o significado pessoal necessário para que uma pessoa possa morrer bem, sem se lamentar da vida que deixou de viver.

É por esse motivo que a Morte, Joe Black, o escolhe como guia, Bill é o arquétipo do homem apaixonado pela vida e só ele pode dar a Morte um vislumbre da existência terrena.

A parte os elementos fantásticos o filme também pode ser encarado com uma metáfora da velhice. Quanto mais uma pessoa envelhece mais ela é obrigada a se confrontar com o medo fundamental: morrer. Morrer pode significar muitas coisas. É antes de tudo um encarar o desconhecido, com toda ansiedade própria disso, mas também incita a uma reflexão acerca da vida que se levou. O aproximar da Morte põem a pessoa em perspectiva de si mesma, e impulsiona uma reflexão sobre a significação de sua existência passageira como um todo. As frustrações e alegrias serão olhadas com um olhar apenas contemplativo, de puro observador. O fim do processo vital impede que algo seja feito, tudo o que resta e ver o objeto acabado diante dos olhos.

Uma outra possibilidade contemplada no filme é a morte como alivio, como algo desejado para por fim a uma vida que já não é mais desejável. No hospital de Susan, filha de Bill, Joe encontra uma senhora jamaicana que o reconhece como Morte. Ela insiste que ele a deixe partir, pois sua vida outrora boa, com um câncer se tornou apenas em dor e sofrimento.

De modo geral, o filme retrata um aspecto positivo da velhice e do morrer.

* Isac R. S. Souza e Ludmila Fontana são alunas regulares do curso de Psicologia da PUCSP.

**Ruth Gelehrter da Costa Lopes é professora da eletiva “Velho DO e NO Cinema: olhares e imagens do envelhecimento humano”, do Curso de Psicologia, PUC-SP, segundo semestre de 2009.


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Atualizado em 21/05/2012 16:19:28