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Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim: um homem, uma mulher e a velhice, tratados com muito humor e leveza


O segundo longa de Julie Gravas fala de uma geração que tem muitas coisas para inventar e surpreender. 26/10/2011 - por Luciana H. Mussi, da Redação Portal na categoria 'Filmografia'
Passe o tempo que for, o amor sempre terá um espaço especial na grande tela mágica do cinema. Não um amor qualquer, banal e efêmero, mas aquele que trás a maturidade adquirida de algumas experiências felizes e outras, nem tanto. Um amor produzido pela mescla das frustrações diárias, pelos pequenos prazeres feitos da enxurrada de palavras ácidas, das ausências e do silêncio angustiante das reticências. Amor daqueles que tiveram filhos e os viram crescer, simplesmente o amor entre um homem e uma mulher que envelheceram.

"Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim", novo filme da diretora francesa Julie Gavras, nos encanta justamente porque traz o “amor em questão” vivido e sentido em toda sua plenitude pelos brilhantes e expressivos atores Isabella Rossellini e William Hurt. O amor na pele de um certo casal, como alguns que vemos nas ruas, que chegam aos 60 com as inquietudes e incertezas do avanço implacável dos anos, mas também tomados por um tipo de humor romântico à inglesa, às vezes um tanto gélido para nós latinos, que desejamos romances arrebatadores, tórridos, graciosos, daqueles bem gostosos de ver e querer para si.
Com um enfoque totalmente diferente de seu primeiro longa “A Culpa É do Fidel!” (2006), crônica das dificuldades de uma menina em lidar com o ativismo dos pais em plenos anos 1970, este seu "Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim", volta-se para uma geração completamente oposta daquela focada em seu trabalho de estreia.
Sobre um amor na alvorada do envelhecer que enfrenta as mudanças do corpo e do espírito, a cineasta Julie Gravas, explica em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo: “Senti que faltava um filme que falasse sobre esse tema de uma forma positiva”. Muito apropriada a ideia da cineasta, considerando que atualmente vivemos muitos anos na velhice, vivemos infinitamente mais com os avanços da medicina e as mudanças dos tempos. Portanto, que fique muito claro: amor é bom e todos gostamos e precisamos dele, no sentido mais meloso que isto possa significar, em qualquer idade.

A cineasta afirma: “Queria fazer algo que não fosse tão próximo de mim. Amo comédias românticas, mas percebi que todas elas eram sempre sobre pessoas de 20, 30 anos. Acontece que hoje, na Europa, a população está envelhecendo”. Ela ainda diz que “parte da inspiração para o roteiro veio das vivências do pai dela, o cineasta grego Costa-Gavras ("Z", "Amém").

Com relação a ele, ela ri quando lembra que foi por volta dos 60 anos que seu pai começou a receber homenagens pela produção de sua carreira. “Isso pode ser esquisito e meio depressivo, porque parece dizer ‘seu trabalho é incrível, mas agora já acabou’”. A cineasta continua: “Acontece que, há uns 30 anos, quem tinha 60 era tido como muito velho. Agora não é mais o caso; essa é uma geração que tem coisas diferentes para inventar”.

Mas quem espera um filme que trate com profundidade das questões complexas do envelhecimento, não se engane. A obra de Julie Gavras apenas pincela com humor o tema, nada muito sério, a prioridade da cineasta foi justamente dar leveza a problemas enfrentados quando se adquire mais e mais anos. A relação e os conflitos sofridos pela chegada “inesperada” da idade entre o casal Adam (Hurt) e Mary (Rosselini) também são abordados de forma superficial e isolada. No decorrer do filme cada personagem é apresentado ao expectador de forma bastante solitária, cada qual vivendo seus problemas, estranhamentos com as mudanças do corpo, deslocamentos profissionais e principalmente falta de sintonia com o mundo que se apresenta. Um casal que tenta se encontrar na velhice, no labirinto da vida entre concessões e intolerâncias. Certamente um caminho tortuoso para muito poucos trilharem.

Pensando nos atores, a escolha não poderia ter sido melhor. Conta a reportagem que Willian Hurt foi escalado por ser um dos favoritos da cineasta, que costumava vê-lo em filmes dos anos 1980. O nome de Isabella Rossellini surgiu após Gavras vê-la rir de si mesma na série “Green Porno”, em que interpreta com humor bichos copulando. Diz a cineasta: “Precisava de alguém com a idade certa, mas que não tivesse feito cirurgia plástica. Ela foi perfeita porque entende que, quanto mais velha fica, mais liberdade tem”.

Julie Gravas, como uma das convidadas da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, esteve no dia 23/10 para acompanhar a primeira exibição do longa, que estreia em circuito comercial, apenas em 11/11. Eu estive lá e pude conferir que a intenção da jovem cineasta foi injetar uma boa dose de humor e leveza a temas difíceis como velhice e relações afetivas. Portanto, não esperem mais de “Late Bloomers - O amor não tem fim”, não se trata de estudar nenhum tratado sobre o envelhecimento ou discutir relação. A proposta é: pode-se sim viver bem quando se envelhece e até surpreender o seu parceiro ou parceira!

Quem quiser conferir e se permitir ter a chance de encher os olhos e os corações com um tipo de amor especial, aquele com rugas, dobrinhas, dúvidas e muito encanto na alma, não perca tempo!

Late Bloomers - O amor não tem fim
Direção: Julie Gavras
Produção: França/Bélgica/Reino Unido, 2011
Quando: dias 23, às 19h50, no Cinesesc; 24, às 19h20, no Unibanco Arteplex; 26, às 18h, no Cine Sabesp; 2, às 20h, no MIS; e 3, às 16h20, no Unibanco Arteplex.
Classificação: 12 anos

Referências
QUEIRÓS, A (2011). Filha de Gavras busca humor na terceira idade em filme. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/993421-filha-de-gavras-busca-humor-na-terceira-idade-em-filme.shtml. Acesso em 20/10/2011.

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Atualizado em 22/05/2012 13:52:08