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Revista Portal

Uma Manhã Gloriosa


Com Harrison Ford e Diane Keaton, envelhecidos, que continuam usando, abusando e explorando, diante das telas, o que existe de mais precioso na idade: rugas, vincos na pele, olhos que falam pelas dobras... 05/04/2011 - por Luciana Helena Mussi na categoria 'Filmografia'

Antes de mais nada, é importante informar ao leitor, que esta que vos escreve, não é propriamente uma fã de comédias, longe disso, fico longe de todas elas. Mas esta, especificamente, Uma Manhã Gloriosa chamou minha atenção exatamente pelos protagonistas: Harrison Ford (no auge dos seus 69 anos) e Diane Keaton (sim, creiam, sem botox hollywodiano e com seus belíssimos 65 anos). A dupla está impagável, dividindo não só a tela, como também a bancada de um telejornal, onde se dá a maior parte das cenas do filme.

Vale ver, admirar o desempenho destes dois grandes atores, que a princípio nos causa certa estranheza se pensarmos nas respectivas bem sucedidas filmografias, algo parece não condizer com a proposta cômica sugerida pelo filme, mas a pergunta insiste em ser feita: como estes dois se apresentarão fora de suas zonas de conforto?

O incrível do filme está nisso, viver o desconforto dentro e fora das telas, isto é, no imaginário e no real. E será que a velhice não guarda um pouco, ou talvez, muito desta questão? No filme, estes dois magníficos devem se reinventar, depois de alguns fracassos, poucas ou, serão, muitas vitórias e, com certeza, infinitas frustrações. Mas eles não nos decepcionam. Tendo ao lado, como produtora, a encantadora e jovem atriz Rachel McAdams, o grupo todo nos diverte com tiradas irônicas sobre o mundo televisivo, com todo jogo de intrigas, a evidente luta desenfreada pela audiência em que tudo vale para que os números subam, acrescido de uma pitada de ambição, outra de vaidade e muito requinte e elegância nas atuações destes dois velhos e, por que não? Harrison Ford e Diane Keaton também envelhecem, mas claro, não perdem a pose, continuam usando, abusando e explorando, diante das telas, o que existe de mais precioso na idade (para alguns terrível e assustador): as rugas, os vincos na pele, a maior parte deles bem profundos, com olhos que falam pelas dobras, bolsas e outras linhas já bem aparentes após os 60 anos.

Meus caros, como vocês podem ver, após ler este singelo comentário sobre Uma Manhã Gloriosa , fui literalmente flechada por esta comédia deliciosa em que a juventude expressada pela dedicada e ambiciosa produtora representada por Rachel McAdams junto com a adorável velhice dos ultrapassados personagens de Harrison Ford e Diane Keaton resultaram numa combinação dos Deuses em que o trio encontrou seu próprio jeito, seu próprio caminho para lidar com suas fraquezas e tirarem o máximo proveito da sua genialidade e seus respectivos insights .

É, fica para cada um de nós pensar que sempre é tempo de uma grande reinvenção, até no pior dos momentos ou na mais cruel das derrotas.

Para aqueles que não resistem a uma sinopse, lá vai: Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma produtora de televisão que foi demitida de seu programa de notícias, mas consegue uma vaga, depois de muito esforço e muitas trapalhadas numa nova emissora, mas em um programa matinal completamente derrotado e com uma equipe, digamos, duvidosa. O desafio de Becky Fuller é levantar o programa, mas para conseguir isso ela terá que fazer muitas mudanças, entre elas, convencer o premiado Mike Pomeroy (Harrison Ford) a apresentar matérias de moda, amenidades, de conteúdo fraco e, para piorar, ao lado de uma ex miss Arizona (Diane Keaton), seu desafeto. Com pouco tempo para reverter a queda de audiência, Beck vai ter que se virar para driblar o humor de seu elenco, ser reconhecida profissionalmente e ainda viver um novo amor. Será, tudo isto, possível?

Assista o Trailer : http://www.youtube.com/watch?v=-bkKnttEto8

1 Engenheira, Psicóloga e Mestranda em Gerontologia pela PUC/SP. E-mail: lh0404@terra.com.br.

 


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Atualizado em 22/05/2012 14:00:21