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Pesquisa da Fundação Michael J. Fox Cria Neurônio com Parkinson Jovem


Pesquisa feita a partir de células-tronco, ajuda a compreender a mutação que causa até 10% dos casos da doença. 20/02/2012 - por Por Redação Portal na categoria 'Gerais'
As pesquisas com células-tronco caminham a todo vapor. E as notícias não poderiam ser melhores: Cientistas da Universidade de Nova York, em Buffalo, conseguiram desenvolver pela primeira vez em laboratório um neurônio vivo com o Parkinson “juvenil”, que aparece antes dos 40 anos.

O trabalho, publicado na "Nature Communications", joga uma luz sobre a doença de Parkinson comprovadamente causado por mutação genética - até 10% no total de casos. Os demais tipos têm causas desconhecidas. O neurologista João Carlos Papaterra Limongi, da USP, explica que “Os sintomas do Parkinson genético e não genético, no entanto, são os mesmos”.

Segundo a reportagem publicada na Folha de S.Paulo recentemente, os trabalhos com células-tronco iPS começaram em 2007. Desde então, cientistas de todo o mundo têm trabalhado para transformá-las em células ligadas a doenças neurológicas.

Explicando o estudo

O neurônio com a doença foi produzido a partir de células da pele de quatro pacientes, sendo dois saudáveis e dois com a doença.  A partir dessas células, os pesquisadores desenvolveram as chamadas células-tronco iPS, que podem se transformar em qualquer célula - incluindo neurônios.

Os neurônios vivos com Parkinson, diferentemente dos neurônios vivos saudáveis, apresentam uma mutação em um gene específico que provoca a sua degeneração. Essa alteração, que acontece no gene parkina, impede o controle de uma enzima que regula a oxidação de um neurotransmissor chamado dopamina. Com isso, o neurônio se oxida e as células são degeneradas.

Divisor de águas

Trata-se de uma grande estudo, isso porque é impossível estudar neurônios vivos humanos, que estão no cérebro e não podem ser retirados. Jian Feng, principal autor do estudo esclarece que “Essa é a primeira vez que neurônios humanos ligados à dopamina foram gerados a partir de pacientes com Parkinson com mutações na parkina”.

Os cientistas explicam que no caso do Parkinson, há um problema adicional que atrapalha as pesquisas: os modelos animais não podem ser utilizados porque a doença se manifesta de maneira diferente. Feng complementa dizendo que “Antes, não poderíamos nem pensar em estudar a doença em neurônios humanos”.

O neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que trabalha com esse tipo de célula explica que “Justamente por isso as células-tronco iPS são tão importantes”.

Apesar do estudo ter sido realizado sobre um tipo raro da doença, o trabalho pode ajudar a compreender como funciona a mutação do gene parkina. Mas o neurologista Arthur Oscar Shelp, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) lembra que “ainda é cedo para se falar em tratamento ou cura. As pesquisas com células-tronco estão começando”.

De fato, ainda não é possível afirmar que se tem controle sobre a doença, mas iniciativas de pesquisa como esta dos EUA financiada pela Fundação Michael J. Fox (criada pelo ator que protagonizou os filmes "De Volta Para o Futuro") mostram que existem possibilidades, caminhos de cura através de uma medicina aliada a uma ciência competente, ética e honesta.

As doenças são implacáveis e arrastam quem quer que seja. Fox recebeu o diagnóstico da doença aos 30 anos e continua lutando em benefício da humanidade. Um exemplo a ser seguido.

Referências

RIGHETTI, S. (2012). EUA criam neurônio com Parkinson jovem. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1045672-eua-criam-neuronio-com-parkinson-jovem.shtml. Acesso em 08/02/2012.

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Atualizado em 21/05/2012 15:56:46