Nas minhas andanças por este controvertido veículo que é a internet, encontrei uma intrigante matéria "O Envelhecimento no trânsito". Digo, intrigante, porque o título me provocou curiosidade, então, decidi me aprofundar na leitura que, a princípio, me parecia interessante. O texto começa: "O grande perfil da vítima no trânsito é: homem, com mais idade conduzindo veículo no final de semana entre as 18h e 24h. É justamente o momento da maturidade e plenitude do indivíduo, quando ele se encontra e se sente mais firme na vida, com sua carreira encaminhada e acaba se arriscando ou se envolvendo em um acidente que pode interromper ou prejudicar seu futuro! Uma possibilidade é que a causa resida na teoria do risco aceito."
Assim, eu pergunto, caro leitor: Qual o problema do risco aceito? Não me refiro a sair pelas ruas tal qual um bandeirante, não chegaria a tão inconsequente ação, apesar de achar que, algumas vezes, uma boa loucura, até que vai muito bem, obrigada. A questão é, porque não podemos exercer o direito de nos arriscarmos, cometermos alguns "pecadinhos" que nos fazem e nos trazem a vida? Ah...alguns poderiam, até dizer, que estamos velhos, que o risco é bem maior, que os nossos cabelos brancos (ou tingidos!?) ou os muitos anos não nos reservam a possibilidade da aventura.
Quem assistiu ao curta metragem "Dream Rangers", um comercial de 2011 criado pela agência Ogilvy Taiwan, entenderá a minha argumentação. Baseado em uma história real, este pequeno filme conta a história de cinco velhinhos com problemas de saúde, que viviam das lembranças do passado, dos amigos que se foram e que num determinado momento resolvem dar um basta na vida que levavam. Recuperam suas antigas motos, fazem seis meses de preparação física e empreendem uma viagem de moto pela Tailândia, de treze dias, por 1.139 km para atravessar o país de norte a sul, para reviver uma aventura, recuperar os sonhos perdidos e encontrar um novo sentido para a vida.
Por que se vive? Para que se vive? Não há resposta, cada um tem a sua, porque a busca é constante, quase sem fim. O que permitiu a continuidade, o resgate da vida destes cinco velhinhos foi o sentir-se liberto de todas as amarras, tanto as impostas por eles, que são as piores, porque estão mergulhadas nas obscuras entranhas, como as externas e com essas, só mesmo um destemido bandeirante com seu instrumento de guerra para dar conta da batalha.
Bem, ao comentar a matéria citada, a minha intenção não foi traçar um relato sobre as limitações e vicissitudes da velhice. Longe disso, a proposta é refletir sobre este envelhecer que, algumas vezes e para alguns, limita, prende e paralisa fazendo que tudo passe a ser risco, até viver. Por que não, um novo envelhecer? Aniella Jaffé, discípula de Carl Gustav Jung, na conferência sobre "Velhice e Morte: retardá-las ou aceitá-las" fornece uma trilha deste novo pensar: "Só permanece vivo quem estiver disposto a morrer com a vida."
Referências
O envelhecimento no trânsito (2011). Disponível em 26 agosto, 2011, de http://ruaviva.blogspot.com/2011/08/o-envelhecimento-no-transito.html.
Dream Rangers (2011). Direção de Thanonchai – Agência Ogilvy Taiwan. Taiwan. Recuperado em 11 maio, 2011, de http://www.youtube.com/watch?v=40vcTKl0F-w.
Jaffé, A.; Frey-Rohn, L.; Von Franz, M.L. (1995). A Morte à luz da psicologia. São Paulo: Cultrix.