Vi um número surpreendente de robôs no Japão, inclusive o cão-robô da Sony, Aibo. Uma coisa que as pessoas me dizem o tempo todo é que a obsessão dos japoneses por robôs se deve, em parte, à sua preocupação com o envelhecimento da população. Eles temem que isso possa desencadear uma demanda muito grande de serviços de assistência a pessoas idosas, e que eles preferem que esse tipo de trabalho seja feito por robôs, e não por imigrantes.
Como muitas pessoas da minha geração, nascidas no pós-guerra, não penso em me aposentar. Creio que ainda tenho uns 15 ou 20 anos de trabalho pela frente. Contudo, estou cada dia mais preocupado com o impacto do envelhecimento sobre a determinação das sociedades mais velhas de pôr em prática as mudanças econômicas, tecnológicas e sociais necessárias para que a economia global tenha condições de se equilibrar sobre uma base mais sustentável. O envelhecimento da geração do pós-guerra talvez não seja apenas o prenúncio de uma pressão cada vez maior sobre o sistema de saúde, moradia e pensão, mas também – e o que é mais preocupante – de um apetite cada vez menos evidente por mudanças sociais e econômicas.
Ao mesmo tempo, porém, haverá oportunidades extraordinárias que permitirão testar novos modelos de negócios direcionados para as necessidades das pessoas com mais de 50 anos. E que mobilizarão, ao mesmo tempo, o conhecimento, o know-how, a experiência, os contatos e os recursos financeiros dos aposentados e dos que estão prestes a se aposentar.
Poucas empresas perceberam que este tema é parte importante
da agenda da responsabilidade social corporativa
As implicações decorrentes de uma sociedade em processo de envelhecimento merecem atenção principalmente das empresas que levam a sério a Responsabilidade Social Corporativa (RSC), embora a questão pareça não fazer parte da agenda da RSC. Isso lembra o tratamento que a RSC dava às pessoas com deficiência, há 15 ou 20 anos.
As empresas precisam descobrir como utilizar de maneira mais eficaz a mão de obra mais velha. A montadora alemã BMW, por exemplo, resolveu colocar em uma de suas linhas de produção indivíduos com idades que serão comuns na empresa em 2017. A princípio, “a linha dos pensionistas” era menos produtiva. Para colocá-la no mesmo nível das demais, a empresa introduziu 70 mudanças relativamente pequenas: cadeiras novas, sapatos mais confortáveis, lentes de aumento e mesas ajustáveis, entre outras coisas.
Não importa se alguns de nós – ou se nós todos – formos um dia atendidos por robôs em nossas necessidades. Chegou a hora de criar as precondições exigidas por uma “Sociedade Eterna”, em que a idade não será mais um problema tão grave. Num desfecho ideal – aquele que chamaríamos, na teoria dos jogos, de “ganhar-ganhar-ganhar” –, combateríamos a tendência natural que as pessoas mais velhas têm de resistir a mudanças, colocaríamos os recursos disponíveis nas mãos dos principais agentes de transformação e ajudaríamos a desenvolver e a dar escala às novas soluções de sustentabilidade.
*com Jodie Thorpe, gerente do programa da SustainAbility para Economias Emergentes; John Elkington é fundador da SustainAbility
Fonte: Revista Época Negócios. Disponível em: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI169250-16646,00-A+VELHICE+SUSTENTAVEL.html