Segundo IBGE a expectativa de vida dos brasileiros cresceu. Ao se fazer um paralelo com dados anteriores, percebe-se um crescimento e como o Brasil tem melhorado economicamente, isso nos faz observar que haverá continuidade nesse aspecto. Decorrente deste fato é preciso que o país avance no sentido de atender melhor esta camada da população com políticas que estimulem a valorização da vida, atendimento direcionado a uma assistência mais qualificada, vigorosa e eficaz.
Os idosos de hoje diferem dos de outro tempo por viverem em uma época de evolução em todos os sentidos e querem ser incluídos, participar ativamente do que é oferecido, o direito a uma vida mais saudável com lazer e usufruírem de ferramentas como internet.
Indubitavelmente nem todos têm ou terão acesso ao que de mais moderno o desenvolvimento oferece, mas que esta fase da vida seja vivenciada de forma tranqüila, com respeito e saúde.
Não quero aqui me reportar a processos que retardam o envelhecimento. Sabe-se que, com o maior conhecimento científico há medicamentos diversificados que ajudam a combatê-lo, a questão da alimentação, do maior esclarecimento de como se viver de forma saudável.
Interessa-me destacar que enquanto jovens nos sentimos inatingíveis pelo tempo e corremos atrás de realizações. A terceira idade virá, mas vamos adiando o reconhecimento de que a vida é breve e quando lá estamos (ou estivermos) já não será possível recuar, recomeçar, reconstruir, sejam laços afetivos, familiares ou uma profissão.
Vivemos num mundo de pressa, com geração de excessiva carga de estresse e dedicamos pouca (ou nenhuma) atenção aos mais idosos da família. Também é fato que a estrutura familiar é diferenciada e isso nos distancia mais do pronto atendimento ou atenção cotidiana.
Muitas pessoas idosas requerem atenção especial e não só quando doentes, mas para pequenas necessidades diárias como caminhar no jardim de casa, num parque ou então dependem totalmente da ajuda de familiares e/ou cuidadores quando já não conseguem andar e realizar qualquer tarefa sozinhos.
A partir desse ponto é que reflito e questiono o quanto estamos preparados emocionalmente, de forma equilibrada, para conviver e assumir com plena consciência e responsabilidade cuidar com o carinho, consideração e preparo alguém nestas condições. Assusta-me, indigna-me também conhecer fatos relativamente aos maus tratos sofridos pelos anciãos.
O que faz com que pessoas tenham determinadas atitudes e agridam alguém, seja pai, mãe ou outro familiar idoso ou alguém por quem recebe um salário para cuidar? Seria possível haver um órgão responsável por tal tarefa? E bastaria para resolver tal problema? As tarefas seriam efetuadas por seres humanos (ou desumanos?), com seu histórico de vida, com padrões desconhecidos e aflorados quando perde a paciência.
O que me inspirou a escrever sobre esse tema? Hoje fui caminhar numa praça próxima de casa e presenciei uma cena. Vi um jovem deficiente (não ousei me aproximar para melhor vê-lo e a sua deficiência) numa cadeira de rodas e uma suposta cuidadora aos gritos para que ele calasse a boca. Creio que ele não falava direito, a julgar pelo que pude ver. Ela arrumou-lhe o boné e distanciou-se na rua larga, creio que rumo a casa. O agravante é que ele viverá sempre nessa dependência até se tornar um idoso (?).
Lembrei dos meus filhos saudáveis, bem cuidados e agradeci.
(*)Engenheira e Professora
Fonte: Postado por Kelly Girão em http://www.dilma2010.blog.br/nao-haja-mal-a-velhice-e-de-todos/comment-page-1/