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Os velhos e o tesão pela vida


O articulista do jornal Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, em sua crônica publicada no Caderno Cotidiano do dia 12 de setembro, intitulada “O tesão dos velhos”... 14/09/2010 - por Beltrina Côrte na categoria 'Ideias'

O articulista do jornal Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, em sua crônica publicada no Caderno Cotidiano do dia 12 de setembro, intitulada “O tesão dos velhos”, chama a atenção para alguns fatos que envolvem a longevidade da população brasileira. Primeiro pelo aumento significativo das pessoas com mais de 65 anos, recém divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). Segundo, as pessoas longevas também estão presentes com naturalidade no panorama político e artístico, revelando assim que o conceito do que é ser velho vem mudando. É claro que Dimenstein reconhece que personalidades famosas da televisão brasileira ajudam a definir essa nova percepção, como Hebe Camargo, Jô Soares e Silvio Santos. Terceiro, porque as doenças venéreas estão ocorrendo com maior freqüência nessa mesma população.

Concordamos que o aumento da expectativa de vida, os medicamentos, novos tratamentos de saúde, entre eles a grande convocatória à Grande Saúde e a mudança de estilos de vida são os responsáveis por esse bem estar geral. O artigo é bastante interessante, mas tem algo que desassossega, e muito.  E desassossega porque logo abaixo do título Dimenstein escreve: “O Brasil, como vários outros países do mundo, tem menos jovens; mas os velhos estão mais jovens”.

Para se falar de velhos temos que necessariamente falar de jovens? Os velhos parecem que só serão aceitos se carregarem como adjetivo o seu oposto: os novos? Em outras palavras, por mais que os velhos estejam fazendo, experimentando, mostrando possibilidades de viver suas velhices distintas àquelas que ainda estão de forma negativada no imaginário da maioria da população (inclusive dos próprios velhos), estes só serão aceitos se “estiverem mais jovens”. É o que a mídia erroneamente vem rotulando como “novos velhos”.

A linguagem é muito importante, pois pode reproduzir mitos e preconceitos e negação da própria velhice como mais uma etapa da vida, para muitos a mais longa delas. Portanto, para se ter gosto pela vida não é preciso ser eternamente jovem, nem ser novo velho, basta simplesmente viver com tesão, seja aos 20, 40, 60, 80, 100...

Afinal, como canta Arnaldo Antunes, em sua canção Envelhecer, “a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer... A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer... Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer... Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer ... E quando eu esquecer meu próprio nome... Que me chamem de velho gagá”!


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Atualizado em 22/05/2012 14:36:29