Sempre que olho para aquele minúsculo adesivo me pergunto: - Por que foi colocado logo ali, numa posição que poucos poderão ver? Pois todos se dirigem rapidamente para a frente, procurando se acomodar em meio a tantos, que estarão lutando no aperto entre os corredores do transporte.
Sendo uma exceção, não avanço no sentido de ultrapassar aquela catraca, assim posso refletir o sentido daquela frase, me acomodo, encostando-me numa das poltronas ocupadas por uma senhora, aparentando seus 80 anos. Ao seu lado, próxima a janela, está sentada uma moça de aproximadamente 20 e poucos anos, e ao seu lado localiza-se um outro adesivo, que diz: “assento preferencial”.
Mas aquela jovem parece tão cansada, que não percebe um senhor em pé, aguardando a sua reação, sem incomodá-la. Como quem diz – “eu não estou vendo nada” - ela continua com os olhos fechados, fone no ouvido, desrespeitando um direito do idoso.
A viajem continua, e aquela frase me inquieta, e continuo a minha reflexão impressionada com tamanho descaso. Será aquele um local adequado para fazer a população exercer a cidadania? Realmente os poucos que conseguem notar, vão entender que existe uma lei municipal, assegurando o direito aos idosos, que devem ser respeitados? Ou será que a população, tão reservada em seus problemas e, muitas vezes, tão cansada do trabalho diário, vai parar e refletir o significado daquela frase?
Parece desnecessário repetir o quanto necessitamos e devemos respeito a todos os idosos! Porém, infelizmente, parece que muitas pessoas esquecem este pressuposto básico. Desde a mais tenra idade, aprendemos com nossos pais a importância de se respeitar os mais velhos, mas parece que isto tem ficado esquecido, já que muitas ações evidenciam o oposto a esse
ensinamento aprendido ao longo da formação. Não me refiro respeitarmos apenas os idosos que já conhecemos, mas é nosso dever respeitar a todos. Independentemente da posição social, cor, raça, sexo, condição econômica.
Devemos ser cidadãos amantes do respeito ao próximo. Por isso, “Respeitar o Idoso”, é admirar a sua experiência de vida, o conhecimento acumulado ao longo de anos, é reconhecer e se deslumbrar com a sabedoria autobiografada nas linhas da sua própria vida.
Assim, precisamos aceitar que a juventude envelhecerá, e questionar: - Como queremos ser tratados? Serão respeitadas nossas conquistas?
Hoje é o momento ideal para dignificarmos o envelhecimento, processo biológico e fisiológico natural a todos seres humanos.
Internalizamos o texto bíblico que diz:
“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor...”. (Salmos 92: 12-14).
Gêrla Angélica Fonseca é enfermeira, especialista em docência na educação profissional em enfermagem, mestranda em Gerontologia PUC-SP. E-mail: gerla_angelica@hotmail.com