Apresentamos a seguir alguns trabalhos já desenvolvidos, ou em desenvolvimento.
a) Memória Autobiográfica: Teoria e Prática
O projeto de formação e pesquisa Memória Autobiográfica: Teoria e Prática, iniciado em 2000, inclui-se, também, nas atividades oferecidas à comunidade pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), o qual tem como objetivos:
Elaborar uma metodologia de pesquisa, formação continuada e auto-formação - com base na memória (auto) biográfica - para profissionais das áreas de saúde, educação e ciências sociais, atuantes junto ao segmento idoso e/ou em projetos de educação continuada;
· Reavaliar os projetos de vida-trabalho dos profissionais e rearticular os saberes interprofissionais, visando a auto-formação em uma perspectiva interdisciplinar;
· Subsidiar teoricamente os profissionais, tornando-os multiplicadores dessas práticas, para atuação em projetos de educação continuada e auto-formação;
· Preparar, de modo dinâmico, para a escuta sensível das narrativas e o potencial dos trabalhos envolvendo a memória social e (auto) biográfica;
· Estabelecer fundamentos teóricos para docência e pesquisa no eixo temático – Educação e Envelhecimento;
· Formar multiplicadores da técnica – Oficinas Memória e Cultura subsidiando, metodologicamente, as pesquisas de campo no eixo memória (auto) biográfica;
· Elaborar projetos de intervenção – Oficinas Memória e Cultura - junto à população em fase de envelhecimento;
· Ouvir a palavra do velho, incorporando-a ao saber gerontológico, ampliando o campo de estudos e pesquisas sobre o envelhecimento e suas práticas;
· Instrumentalizar esses indivíduos idosos para o desenvolvimento da atividade narrativa, por meio da memória (auto) biográfica;
· Produzir um material gráfico e imagético que concretize e dê visibilidade a esses “produtos e produtores culturais”;
· Recuperar, por meio da memória (auto) biográfica a memória da cidade ocupando, com essa atividade, os espaços públicos e históricos da cidade de São Paulo e seu entorno;
· Verificar, por meio de estudos qualitativos e análise dos resultados, a validade e os benefícios dessa metodologia no trabalho com os profissionais, e junto à população em fase de envelhecimento.
O projeto, desde seu início, teve a participação de 150 profissionais com o seguinte perfil: 30% psicólogos; 30% assistentes sociais; 20% pedagogas; 20% entre enfermeiras, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, etc; 97% do sexo feminino e faixa etária de 23 a 78 anos (média de 45 anos).
Dos participantes cerca de 45% desenvolvem, ou já desenvolveram, diferentes atividades baseadas na metodologia proposta, seja com a técnica Oficinas Memória e Cultura, com idosos, e na atuação com outros profissionais, nos trabalhos em equipes multidisciplinares. Do número total, um está realizando um TCC em Terapia Ocupacional, e três efetuaram pesquisas de campo acadêmicas, utilizando a oficina de memória (auto) biográfica com técnica de pesquisa de campo, em 2 dissertações de mestrado em Gerontologia (área da Nutrição) e 1 tese de doutorado em Ciências da Saúde (Psicologia).[1]
b) Memória e Cultura
Iniciado em 1994, o projeto de intervenção Memória e Cultura - raiz do projeto de formação – desdobrou-se, a partir de 2003, no projeto de pesquisa: Conversando com idosos: o registro das memórias vivas.[2] A metodologia é a mesma que rege o trabalho de formação e pesquisa, e os objetivos são os específicos aos indivíduos em fase de envelhecimento, como visto acima.
Entre 2003 e 2004 o projeto foi implantado no Pateo do Collegio, local de fundação da cidade de São Paulo, em parceria com o Centro Loyola de Fé e Cultura, que buscava uma integração da comunidade idosa nesse espaço público, que também abriga o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, patrimônios históricos da cidade. Seu desdobramento aconteceu na cidade do Embu das Artes, situada a 30 quilômetros da capital (SP), e se desenvolveu a partir do Largo dos Jesuítas, onde também se localiza o Museu de Arte Sacra. No Pateo do Collegio as oficinas foram denominadas Conversas no Pateo: a memória viva de São Paulo, e no Embu das Artes de Conversas no Largo: a memória viva do Embu. No ano de 2005 o projeto foi implantado em um centro de convivência para idosos na cidade de Barueri,[3] situada a 40 quilômetros da capital. As oficinas ali realizadas foram denominadas Conversando no Grupo Vida: a memória viva de Barueri.
Os dados preliminares do projeto, em andamento, apontam para o atendimento de 113 idosos com faixa etária média de 68 anos; 77% mulheres e 23% homens; escolaridade:18% analfabetos; 31%; ensino básico incompleto; 42% ensino básico completo; 9% ensino médio completo; profissões variadas, prevalecendo as não especializadas (dados em tabulação).[4]
c) Memória Viva Cidadania Ativa[5]
O Projeto São Paulo 450 anos: Memória Viva – Cidadania Ativa foi realizado no período de Outubro de 2003 a Julho de 2004. Sua realização teve dois momentos: a capacitação de 15 profissionais da área da saúde,[6] com o curso Oficinas Memória e Cultura – Memória Autobiográfica: Teoria e Prática, e a supervisão da implementação e execução das Oficinas por eles coordenadas, com os idosos, nas unidades de saúde.
O objetivo geral era evocar a história de seis bairros da cidade de São Paulo, por meio da narrativa de seus moradores idosos, no momento em que a cidade comemorava seus 450 anos. O resultado foi um caderno de memórias escrito pelos idosos, tendo com facilitadores os profissionais que coordenaram o projeto, nas unidades de saúde. Os bairros escolhidos foram: Aricanduva/Carrão; Lapa; Mooca; Pinheiros; Santo Amaro e Sé, e o critério utilizado considerou o número de idosos residentes e a antiguidade do bairro.
Participaram destes trabalhos 62 idosos; faixa etária de 59 a 89 anos; 11 do sexo masculino e 51 do feminino; de diferentes profissões e locais de procedência, sendo que a maioria tem como origem as famílias de imigrantes - portugueses, italianos, espanhóis e japoneses – e migrantes dos vários estados do Brasil.[7]
O objetivo específico da formação foi capacitar os profissionais, aliando uma base teórica à vivência de resgate das trajetórias individuais e profissionais, sensibilizando-os para o exercício de uma escuta atenta às narrativas dos idosos.
Na avaliação final do trabalho ficou constatado que os objetivos foram atingidos, pois desenvolveu a escuta compartilhada, possibilitando uma melhoria na saúde e qualidade de vida dos idosos participantes, por meio da valorização, ressignificação e registro das memórias das trajetórias individuais, dos bairros e da própria cidade, local de origem e destino desses cidadãos. Esse resultado confirma a hipótese de que a participação dos idosos na vida social das comunidades onde residem, favorece o envelhecimento ativo, prevenindo a instalação de doenças e possibilitando uma vida mais independente e integrada.
As narrativas dos idosos, condensadas, foram apresentadas no Portal de Envelhecimento e o resultado final de pesquisa foi publicado em novembro de 2005 na Revista Kairós – Gerontologia – Caderno temático 3 - Memória viva – cidadania ativa (EDUC/SP).
d) Intervenção em ILPI[8]
Este projeto tem como objetivo o resgate identitário através de fotos, relatos autobiográficos e passeios de (re) conhecimento da cidade, aliado à pesquisa sobre a melhoria da saúde, qualidade de vida e índices de depressão em idosos residentes em ILPI. Está sendo realizado na Associação Congregação de Santa Catarina – Lar Madre Regina – Guarulhos, com a participação de 40 pessoas, 35 do sexo feminino e 5 do sexo masculino; idade média: 75 anos; escolaridade: 80% analfabetos e 20% com ensino básico incompleto.
Grupo de Estudos da Memória - GEM
O Grupo de Estudos da Memória - GEM iniciou suas atividades em março de 2001, mantendo desde então reuniões mensais, sob a supervisão de Vera Brandão. Seus componentes são profissionais que participaram das oficinas Memória Autobiográfica: Teoria e Prática.
O grupo é composto de 18 profissionais do sexo feminino, com idade média de 45 anos, sendo: 5 psicólogas; 3 professoras do ensino médio e superior; 4 pedagogas; 4 assistentes sociais; 1 enfermeira e 1 terapeuta ocupacional. Destes, 3 são mestres em Gerontologia e as supervisoras são, respectivamente, doutoras em Serviço Social e Antropologia.
A pesquisa em andamento, iniciada em 2004, tem como tema: Envelhecimento, Memória e Espiritualidade, e foi proposto pelo grupo como resultado da atuação desses profissionais junto à população em fase de envelhecimento. Essa atuação tem como objetivos: propiciar o resgate, a ressignificação e a reavaliação da trajetória, utilizando a memória (auto) biográfica; desenvolver a auto-estima e novas competências; beneficiar a saúde e a qualidade de vida.[9]
Os objetivos da pesquisa são: levantar, por meio da memória autobiográfica, dados sobre o significado da espiritualidade nas trajetórias de vida da população atendida; verificar seu impacto, positivo ou negativo, no processo de envelhecimento; verificar sua importância no desenvolvimento da auto-estima e os benefícios para a manutenção da saúde e qualidade de vida.
O projeto teve início com o estudo da bibliografia referente à metodologia de pesquisa qualitativa, e no ano de 2005 dedicou-se à pesquisa bibliográfica, leitura, discussão e produção de textos, individuais e em grupo, relativos aos temas específicos – envelhecimento, memória e espiritualidade.
Para o próximo ano - 2006, além do prosseguimento dessas atividades, a produção escrita do grupo será sistematizada em um artigo teórico inicial, base para construção de um instrumento de pesquisa-piloto. O objetivo final é uma pesquisa ampliada e a elaboração de um documento, a partir dos resultados obtidos, prevista para o final de 2007.
Todos estes projetos foram apresentados como palestra, comunicação ou pôster em diversos simpósios, seminários e congressos, nacionais e internacionais, validando-os e incentivando seus participantes ao prosseguimento dos trabalhos.
Finalizando, queremos reafirmar o convite à participação dos colegas que trabalhem com os temas Memória e Memória (Auto) Biográfica, na manutenção deste espaço e na ampliação e troca de experiências e pesquisas.