No II Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto) Biográfica tivemos a oportunidade de apresentar trabalhos, ambos no eixo temático I, Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si, o mesmo tema do congresso.
Um deles, em formato de pôster, elogiado também quanto a estética, foi apresentado em co-autoria com Rita Amaral e Profª Vera Brandão intitulado Oficinas de memória (auto) biográfica - conversando com idosos: o registro das memórias vivas. Na sessão de apresentação pudemos dividir nossa experiência com outros participantes e mostrar o resultado - o caderno de memórias.
Outro trabalho, apresentado como comunicação, abordou minha dissertação de mestrado: Idosos reconstruindo-se com suas histórias, com orientação da Profª Ruth G. C. Lopes. Tive a honra de ter como coordenadora da mesa a Profª Belmira Oliveira Bueno da USP, que exerceu uma excelente intermediação, tendo em vista os diferentes temas apresentados.
Entre as outras comunicações apresentadas, destacamos "Memória (auto) biográfica como prática de formação", de Vera Brandão, que apresentou uma prática de formação continuada, auto-formação e pesquisa, utilizando a memória (auto) biográfica, dirigida a profissionais das áreas de saúde, educação e ciências sociais, atuantes junto ao segmento idoso ou em outros projetos de educação continuada. Uma prática fundada nos saberes disciplinares das ciências humanas - Antropologia, Memória Social, Filosofia, Gerontologia, Arte e Educação – e os fundamentos básicos da Neurobiologia e Psicologia.
Em "Histórias de vida com resiliência", Ana Maria Varella, apresentou as histórias de vida de seis personagens, acima de 60 anos, que confirmaram a possibilidade de um novo envelhecer, com novos olhares, nova construção diária. Em suas falas ficou a idéia de que é possível responsabilizar-se pela construção de um amanhã mais produtivo e com desenvolvimento adequado ao progresso de cada um. As histórias de vida mostraram ainda que a resiliência e o desenvolvimento pessoal podem abrir caminhos para mais uma possibilidade de se envelhecer.
Antes de anexar os resumos de pôsteres e comunicações, gostaria de manifestar que em rápida análise dos anais, os poucos trabalhos sobre o idoso foram apresentados pelos representantes do NEPE – Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento e do grupo de pesquisa LEC - Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, ambos do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP.
Pôster
Oficinas de memória (auto) biográfica
Conversando com idosos: o registro das memórias vivas (pôster)
Eixo temático I - Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si

Vera e Patrícia na sessão de pôsteres
Amaral, R.D; Brandão, V.M.A.T.; Cabral, P.K.G.F.
Centro Loyola de Fé e Cultura, Grupo Vida Barueri, Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (Nepe) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC-SP, São Paulo, SP.
As oficinas de memória (auto) biográfica foram propostas para atender a crescente demanda de projetos que tenham interesse para os idosos. Essas oficinas que tem como base a metodologia desenvolvida pela Profª Drª Vera Brandão, ocorreram inicialmente no Centro Loyola de Fé e Cultura que se situa no Pateo do Collegio, local de fundação da cidade de São Paulo e no Embu das Artes entre 2003 e 2004. De 2005 até o presente o projeto foi levado a um centro de convivência de idosos, chamado Grupo Vida Barueri na cidade de Barueri, situada a 40 km de São Paulo. O trabalho ocorre na sede situada no centro e na unidade Mutinga, situada em um bairro periférico. Objetivos: Transformação de cada indivíduo em narrador-participante, memória viva da sua cidade. Resgate e registro das narrativas em um caderno de memórias produzido pelos próprios narradores. Organização de uma exposição do material trazido pelos participantes durante o processo da oficina. Metodologia: Utilizou a memória como método de resgate da história sócio-afetiva, através da oficina de memória (auto) biográfica.Resultados: Atendimento a 113 idosos até o momento sendo 77,9% do sexo feminino; 62,8% provindos da região sudeste e 31,9% da região nordeste do Brasil. Em relação à escolaridade os dados mais relevantes foram 36,3% com fundamental incompleto e 20,4% analfabetos. As avaliações subjetivas indicam a satisfação dos atendidos em ter sua história registrada, mesmo aqueles idosos que não tiveram acesso à educação formal. O desejo de se alfabetizar e a percepção da potencialidade para tanto também foi constatado. O trabalho abriu a oportunidade de resgate, troca de experiências e saberes auxiliando no processo de identidade, tão desvalorizada nessa população. Está em andamento pesquisa de depressão antes e depois das oficinas realizadas em Barueri. Conclusão: Garantiu a participação efetiva da população idosa como parte incluída na cidade de São Paulo e de Barueri. Resgatou a dignidade e a auto-estima dos narradores, promovendo uma melhoria da qualidade de vida dos idosos.
Referências
BRANDÃO, Vera M. A. Tordino. Oficina de Memória – teoria e prática: relato da construção de um projeto. Revista Kairós: Gerontologia.- Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE). Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia. São Paulo, Educ, vol.5, nº 2, 2002.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais Ltda, 1990.
IZQUIERDO, Ivan. Questões sobre memória. São Leopoldo. RS: Editora Unisinos, 2003.
A arte de esquecer. Cérebro, memória e esquecimento. Rio de Janeiro: Vieira&Lent, 2004.
Pôster
Oficina de memória (auto) biográfica – experiência com grupos de mulheres
Vera e Maria da Graça na sessão de pôsteres -
Eixo temático I - Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si.

Maria da Graça Machado Lorenzetto – Prefeitura Municipal de São Paulo
Justificativa
Como assistente social, uma preocupação sempre se fez presente em minha jornada – a importância de desenvolvermos trabalhos junto às mulheres – entendendo essas atividades como um significado de despertar e valorizar a cidadania, sobretudo no que tange a compreensão do seu papel em nossa sociedade.
Entendemos que a escolha pela prática da Oficina de Memória (Auto) Biográfica veio ao encontro desta inquietação profissional, principalmente, por contribuir para uma proposta de mudança, lançando luz sobre trajetórias de vidas esquecidas – caminhos, contudo, instigantes e gratificantes, que foram (re) construídos e sobretudo (re)significados.
Neste trabalho dois segmentos de mulheres se fizeram presentes – mulheres adultas jovens e mulheres idosas, que se identificaram e expressaram-se através de peculiares narrativas, da linguagem e da escrita.
Nesse percurso, que palmilhamos e dividimos, as integrantes desses dois grupos se permitiram (re) construir caminhos apoiando-se nos sentidos, nas emoções e também na razão, e preparando-se na elaboração de projetos de vida.
Resumo
Apresentamos o resultado da experiência de utilização da Técnica de Oficinas (Auto) Biográficas com dois grupos de mulheres, residentes em distintas regiões do município de São Paulo. O primeiro segmento reuniu-se em um Centro de Convivência (Unidade de uma das Secretarias Municipais de São Paulo), localizado na Vila Industrial – Zona Leste da cidade. Foi composto por seis mulheres com idade média de trinta e cinco anos, casadas, sendo cinco com nível de instrução de ensino fundamental incompleto e uma analfabeta. Essas mulheres residem em uma região periférica, estão expostas a riscos sociais e têm pouca acessibilidade aos recursos básicos, sobretudo de saúde e educação. O segundo grupo teve como ponto de encontro a residência de uma das participantes, no bairro da Bela Vista – Zona Central de São Paulo. Foi integrado por nove mulheres, todas assistentes sociais aposentadas com idade média de setenta anos, sendo oito solteiras e uma divorciada, residentes em bairros com padrão sócio-econômico considerados de classe média.
O trabalho teve como objetivos: colher dados e comparar dois universos femininos, no decurso do caminhar reflexivo proposto pela Técnica de Oficina (Auto) Biográfica; (re) significar as experiências vividas e elaborar novos projetos de vida; promover melhor qualidade de vida, e inclusão social por meio da valorização das histórias de vida; construir o Caderno de Memórias (Auto) Biográficas; analisar os resultados obtidos de uma perspectiva teórico-prática, utilizando-os como base na elaboração e implementação de novos trabalhos com grupos, na perspectiva do serviço social. No que se refere à metologia, a experiência esteve voltada ao resgate e ressignificação das trajetórias individuais e foi desenvolvida por meio da prática das Oficinas de Memória (Auto) Biográficas. Realizadas em oito encontros (para cada grupo de mulheres), objetivou a revisão e (re) elaboração de projetos de vida. Como resultados, enfatizamos que as vivências desenvolvidas nas Oficinas, como também a construção de Cadernos de Memórias, delinearam caminhos significativos que favoreceram o (re) construir e o (re) escrever de trajetórias de vida de mulheres em dois recortes sócio-históricos. O processo permitiu aos grupos, sobretudo o localizado na Zona Leste, deixar um exílio simbólico, conquistando liberdade e reconhecimento enquanto gênero feminino. O sentido de pertencimento em espaço construído pelo grupo com a predominância de uma escuta sensível e solidária, propiciado pelas Oficinas, também elevou a auto-estima, estimulando as memórias cognitivas e sócio-afetivas. A prática evidenciou que as Oficinas de Memória (Auto) Biográficas, por meio do partilhar e entrelaçar das narrativas, possibilitam a pesquisa e reflexão sobre a condição feminina, considerada amplamente, na medida em que mostra, em seus resultados, um nivelamento da problemática de gênero. Apontou, igualmente, para o potencial diagnóstico no planejamento de ações de intervenção, para os profissionais das ciências humanas, nos trabalhos com grupos.
Referências:
BRANDÃO, V. Org. (2005). Memória Viva – Cidadania Ativa. Revista Kairós – Caderno
Temático 3 p. 19-50 Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento - Programa de Estudos Pós – Graduados em Gerontologia – PUC São Paulo. Educ.
BOBBIO, N (1994). O Tempo da memória. Rio de Janeiro, Campus.
BOSI, E. (2001). Memória e sociedade – Lembranças de velhos. 9ªed. São Paulo, Companhia das Letras.
HALBWACHS, M. (1990). A Memória coletiva. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais.
LORENZETTO, M. G. (1998). As Senhoras do tempo. São Paulo, Textonovo.
PRIORE, M. D. Org. (2001). História das mulheres no Brasil. São Paulo, Editora Contexto/ Editora Unesp.
SADER, E. (1991). Quando novos personagens entraram em cena. 2ª ed. São Paulo, Paz e Terra.
THOMPSON, P. (1998). A voz do passado. História oral. Trad. Lólio Lourenço de Oliveira, 2ª ed. São Paulo, Paz e Terra.
Resumo curricular
Maria da Graça Machado Lorenzetto, Mestre em Serviço Social, Assistente Social da URSI – Unidade de Referência à Saúde do Idoso – Mooca – Secretaria Municipal da Saúde – São Paulo, Pesquisadora do GEM – Grupo de Estudo da Memória integrante do NEPE – Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento, autora do livro As Senhoras do Tempo (1998). mgloren@click21.com.br
Comunicação: Idosos recontruindo-se com suas histórias (comunicação)
Eixo temático I - Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si
Patrícia Cabral durante sua comunicação ante uma platéia atenta

Patrícia Kok Geribello de Ferreira Cabral; Ruth G. C. Lopes.
Programas de Estudos Pós - Graduados em Gerontologia da PUC/SP.
A idéia inicial deste trabalho, apresentado como uma dissertação de mestrado, foi concebida pela experiência prática em construir com um idoso seu livro de memórias. A partir daí, numa abordagem de pesquisa qualitativa e pelos recursos metodológicos da história de vida, a experiência foi ampliada para outros três sujeitos. Desenvolveu-se, então, um método de ação que foi criado durante o processo do relato de cada história. Trabalhou-se a importância da relação de alteridade e a memória (auto) biográfica que podem beneficiar o sujeito para a construção de um novo olhar de fatos e experiências passadas, ressignificadas no presente. A disponibilidade dos sujeitos e de seus familiares, além do contexto em que está inserido este idoso, podem ser determinantes para o andamento do projeto de reconstrução histórica. Os resultados obtidos como foram constatados podem ou não ser um livro; o que se verificou é que o processo de relato da própria história tornou-se o foco principal do trabalho para alguns sujeitos. Também se percebeu que o resgate da história de vida, através da memória (auto) biográfica, pode ser instrumento para atuar junto aos idosos.
Referências
BERQUÓ, Elza - Algumas Considerações Demográficas sobre o Envelhecimento da População no Brasil in Anais do Primeiro Seminário Internacional sobre o Envelhecimento: uma agenda para o fim do século. Brasília, 1-3 de Julho de 1996.
BOSI, Ecléa - Memória e Sociedade - Lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
BRANDÃO, Vera M. T. - Memória, Cultura, Projeto de Vida. Dissertação de Mestrado. PUC, São Paulo,1999.
CALLIGARIS, Contardo - "Verdades de Autobiografias e Diários Íntimos" in Estudos Históricos - Arquivos Pessoais 11(21): 43-58, Rio de Janeiro, FGV, 1998.
HALBWACHS, Maurice - "A memória coletiva" in Revista dos Tribunais. São Paulo,
Revista dos Tribunais/Vértice, 1990.
LOPES, Ruth G. - Saúde na Velhice: as interpretações sociais e os reflexos no uso do medicamento. São Paulo, EDUC, 2000.
Resumo curricular dos autores.
Patricia Kok Geribello de Ferreira Cabral. Psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC/SP (2002); pesquisadora do NEPE-GEM. Atuação: atendimento domiciliar ao idoso com o projeto de resgate da memória autobiográfica e a construção de um livro. Atendimento em grupo com o projeto de oficinas de memória autobiográfica Conversando com idosos: o registro das memórias vivas realizado em parceria com a pedagoga Rita Amaral, utilizando a técnica da oficina de memória autobiográfica da Dra. Vera Brandão. patricia@ferreiracabral.com.br
Ruth G. C. Lopes. Psicologia (PUCSP), mestrado em Psicologia Social (PUCSP); doutorado em Saúde Pública (USP). Docente e vice-coordenadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia- PUC/SP. ruthgclopes@uol.com.br
Rita Duarte Amaral. Pedagoga (Sedes Sapientiae-PUC-SP); pesquisadora do NEPE -GEM (Grupo de Estudos da Memória); extensão em Gerontologia (HSPM); extensão em Fundamentos da Psicanálise e sua prática clínica (Sedes Sapientiae). Atuação: Voluntária na ILPI Lar Madre Regina (Guarulhos) desde fevereiro de 2002; coordenação e execução de oficinas de memória autobiográfica: Conversas no Pateo - a memória viva de São Paulo (2002/04); Conversando com idosos: o registro das memórias vivas: no Grupo Vida de Barueri - na Sede e em Mutinga (2005/2006). silveiramaral@uol.com.br
Comunicação
Memória (auto) biográfica como prática de formação

Vera Brandão faz sua fala no eixo temático V – As construções (auto) biográficas e as práticas de formação
Vera Tordino Brandão
Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP
Justificativa
O projeto Memória Autobiográfica: Teoria e Prática, realizado na cidade de São Paulo (Brasil) desde o ano 2000, propõe uma prática de formação continuada, auto-formação e pesquisa, utilizando a memória (auto) biográfica, dirigida a profissionais das áreas de saúde, educação e ciências sociais, atuantes junto ao segmento idoso ou em outros projetos de educação continuada.
As bases teóricas deste trabalho estão fundadas nos saberes disciplinares das ciências humanas - Antropologia, Memória Social, Filosofia, Gerontologia, Arte e Educação – e os fundamentos básicos da Neurobiologia e Psicologia.
Objetivos
Reavaliar os projetos de vida-trabalho dos profissionais e rearticular os saberes interprofissionais, visando a auto-formação e a educação continuada;
Subsidiar teoricamente os profissionais, tornando-os multiplicadores dessas práticas;
Preparar, de modo dinâmico, para a escuta sensível das narrativas e o potencial dos trabalhos envolvendo a memória social e (auto) biográfica;
Ouvir a palavra do velho, incorporando-a ao saber gerontológico, ampliando o campo de estudos e pesquisas sobre o envelhecimento e suas práticas;
Estabelecer fundamentos teórica e metodologicamente para docência e pesquisa no eixo temático – Educação e Envelhecimento e Memória (auto) biográfica.
Formar multiplicadores da técnica – Oficinas Memória e Cultura.
Método
Utiliza a memória (auto) biográfica como metodologia de (auto) formação e formação continuada, articulando estudos e discussões teóricas com o processo de revisão e re-elaboração dos projetos de vida-trabalho.
Resultados
O projeto de formação Oficina Memória Autobiográfica – Teoria e Prática envolveu, até o momento, cerca de 150 profissionais com o seguinte perfil: 30% psicólogos; 30% assistentes sociais; 20% pedagogas; 20% entre enfermeiras, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, etc; 97% do sexo feminino e faixa etária de 23 a 78 anos (média de 45 anos).
Dos participantes cerca de 45% desenvolvem, ou já desenvolveram, diferentes atividades baseadas na metodologia proposta, seja com a técnica Oficinas Memória e Cultura, com idosos ou na atuação com outros profissionais. Do número total, um está realizando um TCC em Terapia Ocupacional, e três efetuaram pesquisas de campo acadêmicas, utilizando a oficina de memória autobiográfica com técnica de pesquisa de campo, em 2 dissertações de mestrado em Gerontologia (área da Nutrição) e 1 tese de doutorado em Ciências da Saúde (Psicologia).
Oficinas Memória e Cultura - raiz desse projeto de formação e pesquisa (em andamento)
Participação de cerca de 300 indivíduos: faixa etária entre 50 a 90 anos, de ambos os sexos, de diferentes profissões e graus de escolaridade. Continua sendo realizado na cidade de São Paulo, e em algumas cidades do interior do Estado.
Resultados parciais: resgate e ressignificação das memórias (auto) biográficas, entre os idosos; estimulo a autonomia e a participação na vida comunitária; re-integração e valorização do cidadão como produtores-narradores de sua história.
Grupo de Estudos da Memória – GEM. (início em 2001) aberto aos profissionais que participaram da (auto) formação, propicia a continuidade dos estudos, pesquisas e produção de textos no tema Memória (Auto) Biográfica.
Desafio: formar profissionais-pesquisadores, não vinculados à academia, inseridos no mercado de trabalho, que subsidiam o grupo com dados e demandas de suas áreas de atuação.
Composição do grupo: 18 profissionais do sexo feminino, com idade média de 45 anos - 5 psicólogas; 3 professoras do ensino médio e superior; 4 pedagogas; 4 assistentes sociais; 1 enfermeira e 1 terapeuta ocupacional. Destes, 3 são mestres em Gerontologia e as líderes são doutoras em Serviço Social e Antropologia.
Pesquisa em andamento (início 2004) no tema: Envelhecimento, Memória e Espiritualidade, tem como objetivos:
- levantar, por meio da memória (auto) biográfica, dados sobre o significado da espiritualidade nas trajetórias de vida da população atendida;
- verificar seu impacto no processo de envelhecimento;
- verificar sua importância no desenvolvimento da auto-estima e os benefícios para a manutenção da saúde e qualidade de vida.
Espaço Memória – Portal do Envelhecimento – www.portaldoenvelhecimento.net
Abre espaço para divulgação e debate de experiências de trabalhos, resultados de pesquisas, artigos, resenhas, depoimentos, crônicas e outros materiais sobre o tema memória, memória (auto) biográfica e formação.
Referências:Dra. Vera Maria Antonieta Tordino Brandão.
Pedagoga – USP. Mestre e Doutora em Ciências Sociais – Antropologia PUC/SP.
Docente e Pesquisadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia PUC/SP. Docente do Cogeae-PUC/SP.
Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (GEPI) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação – Currículo - PUC/SP.
Idealizadora e docente da Oficina: Memória Autobiográfica – Teoria e Prática.
Editora-assistente da Revista Kairós do PEPGG – PUC/SP.
Membro da equipe mantenedora do Portal do Envelhecimento – PEPGG – PUC/SP.
Conferencista e parecerista. veratordino@hotmail.com
Ana Maria Ramos Sanchez Varella[1]- pesquisadora mentora
Beltrina Côrte[2]- pesquisadora mentora
Resumo: As histórias de vida de seis personagens, acima de 60 anos confirmaram a possibilidade de um novo envelhecer, com novos olhares, nova construção diária. Em suas falas ficou a idéia de que é possível responsabilizar-se pela construção de um amanhã mais produtivo e com desenvolvimento adequado ao progresso de cada um. As histórias de vida mostraram ainda que a resiliência e desenvolvimento pessoal podem abrir caminhos para mais uma possibilidade de se envelhecer.
Palavras-chave: narrativas, histórias de vida, envelhecimento

Ana Maria Varella expõe o pôster após a apresentação oral
Sabe-se que as fases da vida são fundamentais para o desenvolvimento humano. Se elas contêm novos aprendizados, a velhice não será diferente. O mais importante é todos estarem abertos para deixar de lado os preconceitos que acompanham o tema velhice, encarando-a como processo natural, com suas limitações físicas, psicológicas, sociais, sem esquecer de se preparar para vivê-la. Por esse motivo é um desafio pensar e escrever sobre esse assunto, é mais uma etapa da vida, sendo possível continuar o que já foi começado desde o nascimento. Esse crescimento deve ser transformado, desdobrado, para ele ajudar a construir uma nova possibilidade de envelhecer.
Construções do dia-a-dia que dependerão de reformulações e esforços pessoais. Se o ser humano conseguir uma nova forma de encarar a vida, a velhice pode ser um momento natural, sem tantas preocupações para si e para a sociedade. O tema desta pesquisa partiu da investigação de minha história. Não possuo imagem destrutiva da vida. A imagem que carrego da velhice é a do próprio viver, pois acredito que a vida nos dá a oportunidade de escolher caminhos a trilhar. Tenho aprendido que o ser humano se depara com diferentes momentos. A partir da fase adulta, enfrentar obstáculos e ultrapassá-los requer um esforço pessoal, pois na maioria das vezes eles vêm acompanhados de lutas e desejos internos. Além disso, há a possibilidade de não se ter com quem dialogar. Nem sempre há alguém disposto a ouvir o outro. As pessoas enfrentam seus problemas de diferentes maneiras. Uns vivem por viver, desistem de lutar e se entregam ao vaivém do dia-a-dia, esperando que a morte os livre de tudo. Se a velhice é mais uma etapa da vida, com certeza é importante preparar-se para vivenciar as mudanças que surgirão com esse processo.
Para isso é fundamental colocar em prática os conhecimentos adquiridos. Normalmente, quando as pessoas passam por momentos de perdas ou fases estressantes são estimuladas a reagir de alguma maneira. Algumas paralisam seus movimentos e não conseguem sair do lugar. Quando saem, parece nada ter adiantado passar por aqueles momentos, nada aprenderam. Para verificar se é possível que a velhice possa ser vista como possibilidade de crescimento serão apresentadas as personagens desta história: Caboclo, Caçula, Lala e Rosa. Todos com mais de 60 anos, a fim de haver a possibilidade de perceber como conduziram a vida até este momento. Foram também escolhidas para compor a pesquisa personagens reais apresentadas em obras literárias. A escolha se deu a partir dos mesmos critérios buscados nos entrevistados.
A vida de Shalomi transcrita na obra Mais velhos, mais sábios e de James encontrada na obra As virtudes de envelhecer ajudarão a compor as falas desta narrativa. A escuta das personagens se deu a partir de narrativas feitas pelos autores e reeditadas por mim. Utilizando o método da escuta sensível procurei perceber nelas as mesmas características buscadas nos entrevistados, ou seja, se superaram os problemas e como se deu esse processo durante a vida. O foco desta pesquisa são as histórias de vida dessas pessoas. Um dos critérios básicos de escolha dos entrevistados foi o de serem pessoas que vivenciam positivamente a velhice, e serem atuantes e felizes em relação à vida, apesar de todos os problemas enfrentados. É importante destacar que nas entrevistas realizadas eu buscava uma característica comum: a resistência aos problemas e como construíram o seguimento da vida.
Tentar criar um vínculo com os entrevistados foi minha preocupação prestava atenção a tudo o que diziam e anotava as falas mais significativas. Todos tiveram a oportunidade de contar como viveram até este momento, as ansiedades, desejos e vínculos. Apresentaram suas histórias e mostraram de que forma superaram as dificuldades encontradas no decorrer do processo. À medida que contavam sua história, foram percebidos pontos fundamentais de sobrevivência. Os relatos, dores e sofrimentos foram mostrados articuladamente, sempre à procura de meios para deixar o sofrimento e partir para novas etapas. Em suas falas pôde-se perceber a resiliência presente em suas vidas juntamente com a possibilidade de desenvolvimento pessoal. Nesta pesquisa resiliência foi definida como conjunto de vínculos construídos pelas pessoas no decorrer da vida que ajuda a ultrapassar as grandes dificuldades. Os vínculos demonstrados nesta obra, pelos entrevistados, foram com o trabalho, com a espiritualidade, religiosidade, solidariedade, a família.
Outros vínculos podem existir e ajudar as pessoas. É imprescindível destacar que o vínculo por si só não é tudo. Deve haver uma interação entre vivência e atitude. Eles serão componentes fundamentais de superação para o indivíduo ter energia suficiente e continuar crescendo íntima e externamente. Destacou-se também na fala das personagens o próprio desenvolvimento. Defende-se, atualmente, a idéia de desenvolvimento ao longo de toda a vida. Na vida adulta e na velhice a idéia demonstrada é que nessas fases desenvolvem-se certas dimensões da existência humana, enquanto outras declinam. O desejo e a capacidade de viver aprendendo são inerentes à existência humana, portanto, não estão ligados ao processo de envelhecimento, mas à capacidade que algumas pessoas têm de acrescentar aprendizagens às experiências vividas. Os velhos também querem ser úteis, independentes e conseguir dar um significado profundo à própria vida. Persiste-se nesta pesquisa que o fundamental para os idosos é preparar-se para viver a nova etapa de vida com liberdade, inteligência, em uma postura constante de aprendizagem e desenvolvimento.
Serão apresentadas as personagens que trouxeram, com suas falas, dados para repensar e analisar alguns pontos em relação ao comportamento das pessoas frente à vida e ao envelhecimento. Em suas narrativas mostraram de que forma superaram as dificuldades encontradas e foram percebidos pontos fundamentais de sobrevivência. Os relatos, dores e sofrimentos foram mostrados articuladamente, sempre à procura de meios para deixar o sofrimento e partir para novas etapas. Um dos critérios básicos de escolha dos entrevistados foi o de serem pessoas que vivenciam positivamente a velhice, e serem atuantes e felizes em relação à vida, apesar de todos os problemas enfrentados. É importante destacar que nas entrevistas realizadas buscava-se uma característica comum: a resistência aos problemas e como construíram o seguimento da vida.
1- Caboclo, senhor falante, simpático e alegre. Não aparenta a idade que tem: 85 anos. Ele mesmo diz: “nunca pensei chegar a essa data tão cheio de vida”. Disse ter lutado muito para crer nas coisas espirituais e acrescentou: “Não desanimei na minha vida, porque tenho muita fé”. Um homem culto, inteligente, conversador, com facilidade de comunicação, embora tenha feito apenas o primário. Já leu mais de 100 livros. Ele afirmou: “Quanto mais estudei, mais aprendi”. Considera-se culto, acredita que é o homem quem faz seu destino. A força de Caboclo é o seu vínculo com a religiosidade.
2- Caçula é muito falante, tem 60 anos, é paulistano. Percebe-se que é dedicado ao trabalho. Envolve-se com tudo o que faz, é esforçado e ativo. Fez questão de dizer: “Na vida profissional sempre posso fazer mais”. Caçula tem um vínculo muito forte com o trabalho. Pode-se pensar que o trabalho é a sua mola propulsora. Percebe-se em sua entrevista a dedicação ao que faz. Tem grande envolvimento familiar.
3- Lala nasceu na Bahia, mas se considera paulistana, adora morar em São Paulo. Tem 70 anos, viúva,voluntária numa creche e vive sozinha. Tem dois netos e um filho. Três filhos morreram ainda crianças.Disse ter ficado sem chão: “Não sabia o que fazer, mas tinha de seguir, apeguei-me a Deus: “Tive muitas decepções, doenças, mas continuo atuante. Alguns pontos podem ser levantados nesta análise: um deles é perceber que Lala mantém um vínculo com a solidariedade, ajuda as crianças abandonadas, dedica sua vida ao outro.
4- Rosa tem um rosto sereno. Aparenta bem menos do que seus 78 anos. É viúva e mora sozinha em São Paulo. Freqüenta aulas de Tai-Chin-Chuan e dança de salão. Faz ginástica aplicada à coordenação motora e equilíbrio do corpo. Participa de atividades que permitem sua atualização permanente. Disse:“Continuo aprendendo, quero continuar minhas atividades e meu crescimento”. “Sou atualizada, competente, interessada em transmitir conhecimentos”. Os elementos essenciais apresentados na narrativa de Rosa são a sua superação, paixão pela família e necessidade de atualizar-se.
5- Zalman Schachter-Shalomi, rabino, instrutor e professor. Aos 60 anos, um sentimento de inutilidade invadiu sua alma e mergulhou em um estado de depressão, ele revelou: “Nenhuma atividade ou lazer do mundo conseguiam dissipar minha tristeza”. Estudou o seu processo de envelhecimento e reuniu as ferramentas necessárias para sentir-se útil. Ele assinala a necessidade de buscar novas abordagens para o envelhecimento, pois a maioria das pessoas cresceu com medo e terror da velhice. Além disso, quer substituir as imagens negativas dessa fase por idéias diferenciadas, mostrando que na velhice a pessoa pode ser mais sábia. Pode-se afirmar que ele mantém o vínculo com sua espiritualidade eautoconhecimento.
6- James Earl Carter Júnior (Jimmy Carter), 79 anos, casado e tem quatro filhos. Professor, faz conferências em várias disciplinas. É fazendeiro, foi governador do Estado de Geórgia e presidente dos Estados Unidos. Escreveu dez livros. Sofreu uma grande decepção aos 56 anos, quando teve de deixar o cargo de presidente dos Estados Unidos. “Não foi fácil esquecer o passado, superar o medo do futuro e me concentrar no presente”. Aceitou fazer algumas palestras e o público começou a recebê-lo bem, como destaca: “Senti-me encorajado pela simpática recepção, interesse do público pelo que eu tinha a dizer”. Ao encerrar sua autobiografia, assinala que muitas pessoas idosas não sabem o que fazer com a idade, mas não podem se esquecer: “ou estamos demasiadamente velhos para permanecer ativos ou não temos idéia alguma sobre coisas interessantes ou úteis a fazer”.
Foram demarcados nos discursos palavras significantes que revelam a construção de vida e superação. Apreendeu-se nas histórias de vida a superação das dificuldades e se realmente serviram para uma evolução individual. Importante destacar que os pesquisados mostraram-se de maneira desigual, sem ferir o processo da pesquisa. Apresentaram suas ligações com a religiosidade, trabalho, família, solidariedade, espiritualidade e outros. Destacam-se aqui os vínculos visíveis na narrativa, entendidos como a ligação que cada um mantém ou desenvolve durante e com a vida. Cada um exprime a sua vivência e superação. Começa-se a pensar sobre cada história, cada personagem, como cada um vive o seu dia-a-dia, como são os valores, vontades, riquezas, o caminhar... Nas narrativas, as personagens mostraram-se bastante resistentes. O que vem a ser essa resistência? Aqui a denominamos de resiliência. Afinal, o que significa essa palavra?
A noção de resiliência há muito é utilizada na Física e Engenharia. Um de seus precursores é o cientista inglês Thomas Young. Em 1807 introduziu a noção de módulo de elasticidade. Buscava a relação entre a força aplicada num corpo e a deformação que essa força produzia. Destacou-se nesta pesquisa, pela revisão da literatura, que a resiliência possui várias abordagens e um dos pontos que merecem destaque é o seu estudo acompanhado de tensão, estresse, ansiedade e situações traumáticas que afetam as pessoas durante a vida. Pode-se afirmar que todo ser é resiliente, mas poucos têm a consciência dessa força interna?
Este estudo buscou uma outra abordagem para a palavra resiliência. Se uma das definições diz que é a capacidade pessoal de enfrentar as adversidades de modo a ultrapassá-las com êxito, provavelmente esse ser que chegou à velhice e quer continuar o seu crescimento deve ter tido uma grande resistência em sua vida pessoal, sabendo vencê-la. A partir do que os autores afirmaram na revisão da literatura, e das falas dos entrevistados, pode-se chegar a assinalar que resiliência é o conjunto de vínculos construídos pelas pessoas no decorrer da vida que ajuda a ultrapassar as grandes dificuldades.
Talvez a resiliência explique por que alguns chegam à velhice desejando aprender mais e mais, não se deixando entregar às intempéries da vida. Mesmo após terem ultrapassado as barreiras negativas e incômodas que fazem parte do viver, encontram forças para continuar vivos produtivamente, retirando condições internas para o próprio progresso e desenvolvimento. Essa superação é a resiliência: entendida até aqui como a capacidade que o ser tem de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades que a vida moderna impõe.
Os personagens dessa história mostraram-se capazes de enfrentar os desafios impostos pela vida:
· Caboclo teve uma vida difícil, mas continuou buscando novos caminhos: “Tive coragem de vencer, tudo neste mundo tem razão de ser e estar”.
· Caçula mostrou: “As dificuldades da vida não me abalaram”.
· Lala teve muitas decepções: “Continuo atuante, apesar de tudo”.
· Rosa não se deixou abater com as tristezas vividas: “Fiz tudo que deveria ter feito, continuo fazendo, poderia ter feito mais”.
· Shalomi quase entrou em depressão, mas reagiu: “Mergulhei no trabalho mais intensamente, principalmente quando surgiam pensamentos ruins”.
· James, mesmo derrotado, procurou desenvolver uma atitude mais positiva em relação à vida: “Tentei pensar e fazer algo que ocupasse o tempo, comecei a escrever”.
Os vínculos demonstrados neste estudo foram com o trabalho, com a espiritualidade, religiosidade, solidariedade, a família. Outros vínculos podem existir e ajudar as pessoas.Pode-se pensar que a partir das narrativas das personagens desta pesquisa e autores consultados o envelhecimento deve ser um acrescentar de aprendizagens aos anos vividos. O desejo e a capacidade de viver aprendendo são inerentes à existência humana, portanto, não estão ligados ao processo de envelhecimento, mas à capacidade que algumas pessoas têm de acrescentar aprendizagens às experiências vividas
Referências
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TAVARES, J e col.(2001) Resiliência e Educação. São Paulo, Cortez.
[1] Licenciada em Letras, Psicopedagoga, mestra em Gerontologia e doutoranda em Educação-Currículo pela PUC/SP, pesquisadora da PUC/SP do Grupo de Estudos e Pesquisa da Interdisciplinaridade -GEPI e do Grupo de Pesquisa “Longevidade, Envelhecimento e Comunicação -LEC”, docente da Universidade Paulista - UNIP nos cursos de Comunicação Social: Publicidade e Jornalismo, Direito e Administração. E-mail: amvarella@terra.com.br
[2] Líder do Grupo de Pesquisa “Longevidade, Envelhecimento e Comunicação - LEC”, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e docente do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP, editora da revista Kairós-Gerontologia, pesquisadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE da PUC/SP e coordenadora do site www.pucsp.br/portaldoenvelhecimento. E-mail: beltrina@uol.com.br
[3] A palavra desenvolvimento, segundo o Dicionário Aurélio, “é o ato ou efeito de desenvolver-se; crescimento, progresso”. Pode-se concluir a partir das definições do Aurélio que ele pode ser visto como um processo pelo qual o indivíduo busca seu progresso.