show
www.olhe.org.br/

GEM Participa no IV Congresso Internacional de Pesquisa (Auto) Biográfica


Nos mês de julho, entre os dias 26 a 29, de 2010 aconteceu o “IV Congresso Internacional de Pesquisa (Auto) Biográfica”, organizado pela Faculdade de Educação da USP e realizado no campus da Universidade de São Paulo. 03/09/2010 - por Vera Brandão na categoria 'Memórias'

O Grupo de Estudos da Memória a (GEM) - do Grupo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento/NEPE do Programa de Estudos Pós Graduados em Gerontologia da PUCSP se fez presente com a apresentação de duas comunicações - Oficina Memória Viva: intervenção em diferentes espaços autobiográficos de Patrícia Cabral e Rita Amaral (apresentadora da comunicação) – no eixo temático: Memória, dimensões sócio-históricas e espaços (auto) biográficos; e (Auto) Biografia e Formação: Relato de um processo apresentado por Maria Augusta Lós Reis (participantes do trabalho: Antiqueira, Ivany; Catanoso, Maristela; Lorenzetto, Maria da Graça; Pupo, Lúcia M; Reis, Maria Augusta) – no eixo temático – Relatos de experiência de formação.

Alguns membros do GEM/NEPE participaram ativamente de muitas, das inúmeras, atividades propostas ao longo destes dias, e buscamos aqui apresentar um pouco do que viram, ouviram e apreenderam.

Nesta ‘reportagem’, após a apresentação da proposta do Congresso, as diferentes colaborações serão incluídas de forma interligada, mostrando os múltiplos “olhares e sentidos” subjetivos, mesmo participando das mesmas atividades.

Desejamos que estes relatos incentivem os leitores a buscarem a ampliação dos conhecimentos sobre um tema instigante e com diferentes possibilidades de aplicação nas práticas de formação continuada ligadas a Gerontologia e na prática junto aos idosos.

Boa Leitura a todos!
Vera Brandão.

IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 1




Da esquerda para a direita, Rita, Maria Augusta, Lúcia, Vera, Maria Antonieta, Graça, Maristela

 

 




Espaço (auto) biográfico: artes de viver, conhecer e formar (compilação realizada por Rita Amaral, do site http://www.ivcipa.fe.usp.br/programacao_pt.htm)

Espaço (auto) biográfico: artes de viver, conhecer e formar é o tema proposto para o IV Congresso Internacional de Pesquisa (Auto) Biográfica. Quer-se mediante essa iniciativa fazer avançar as discussões e a produção de estudos que contemplem as várias instâncias de expressão (auto) biográfica e que constituem hoje, sem dúvida, um território de investimentos cognitivos no qual viver, conhecer e formar-se ganham novas dimensões ao se organizarem em relatos - objetos de investigação. Os encontros do CIPA vêm se consagrando pela sua contribuição à pesquisa em diversas áreas - notadamente a da formação - que buscam conhecer, explicitar e construir práticas (auto) biográficas mediante o intercâmbio entre pesquisadores de todo o país e de outras localidades.

Histórico
O IV CIPA prolonga a aventura (auto) biográfica, iniciada no primeiro encontro (Porto Alegre, 2004), e preserva o interesse pelos processos de construção dos sujeitos (individual e coletivamente), traduzido por diversas modalidades de invenções de si, na perspectiva do segundo congresso (Salvador, 2006).

Formação, territórios e saberes, tal como se propôs no terceiro evento (Natal, 2008), constituiu-se em diretriz das análises acerca das formas de conhecimento possibilitadas pelas iniciativas (auto) biográficas. O CIPA de 2010 (São Paulo) tem como horizonte potencializar, simultaneamente, o exame do lugar instituído pelos estudos e perspectivas (auto) biográficas e pelo espaço de produção subjetivo e intelectual dos atos (auto)biográficos. Concebidas em suas dimensões sócio-histórico-psicológicas e estéticas, as artes do viver, conhecer e formar guiarão, portanto, o desenvolvimento dos estudos e trocas do IV CIPA.

Artes de viver, conhecer e formar: invenções.

O espaço reservado no Congresso para esta iniciativa foi concebido para apresentar discursos de e não discursos sobre. Por tal razão falam, no caso, os que fazem e do que fazem: artistas, cozinheiros, músicos, escritores ...

O convite feito a eles expressou um pedido de ajuda: que falassem do que faziam e como entendiam o que faziam. Que falassem como e quando a atividade que os ocupa, ocupou-os. Tornou-se parte deles. Tratou-se de um pedido de ajuda porque se acredita que, na concretização de uma atividade, na qual se criam e recriam modos e artes de viver há muita maestria. As artes que permitem inventar a vida possuem uma lógica, possuem lógicas? Podemos apreendê-las ao ouvir falarem os que fazem? Podemos apreender tais lógicas? Quiçá ensinar algo delas? Podemos supor respostas negativas para todas essas questões. Então será preciso ouvir muito atentamente os que fazem e refletir a partir do que eles entendem de suas práticas de invenção e pensar, energicamente, sobre práticas que ajudem a formar/educar para uma vida inventiva. Podemos supor respostas positivas para as mesmas questões e então será preciso ouvir os que fazem para aprender com eles para acompanhar o seu entendimento das práticas que criam suas artes. O pedido de ajuda foi feito para que artistas, cozinheiros, músicos, escritores ... nos ajudem a inventar novas lógicas de formar/educar ao contar fragmentos de sua arte, de sua vida, de suas invenções.

Reflexões de Rita Amaral

Assisti à palestra “Adornar e Cozinhar”, de Renata e Ana Cristina, pessoas muito jovens. Elas relatam suas experiências desde quando percebem seus interesses pela profissão que vão seguir. Renata formou-se em desenho industrial pela FAAP, mas ficou muito indecisa sobre qual rumo tomar. Vai a Portugal fazer um curso de joalheria e se especializa nesta arte. Relata na sua apresentação que em 2009 sofre um acidente de carro e perde a ponta de um dedo. Trabalha com as mãos. Desespera-se inicialmente, mas consegue superar este incidente e volta logo a trabalhar.

Ana Cristina conta do seu interesse pela culinária desde muito pequena quando acompanhava o cotidiano de sua avó que cozinhava com encantamento e curiosidade. Saiu de Jundiaí, sua cidade natal e vem estudar em São Paulo. Logo depois de formada vai estudar gastronomia na Europa. Hoje é chef de cozinha num restaurante em São Paulo aos 27 anos de idade!

Realizei algumas anotações esparsas sobre Palestra de Abertura do prof. Antonio Nóvoa, da Universidade de Lisboa – Portugal, que propôs uma reflexão em 3 tempos. Estas anotações são apresentadas na forma como foram feitas na hora, porque formaram, a nosso ver, um poema, como que inspirado pela abertura feita pelo palestrante

Participação do GEM / NEPE - Grupo de Estudos da Memória no IV CIPA

1) Oficina Memória Viva: intervenção em diferentes espaços autobiográficos

Autoras: Patrícia Cabral e Rita Amaral.

A Oficina Memória Viva é uma iniciativa construída a partir das necessidades que o novo cenário sócio-demográfico nos impõe. O avanço da tecnologia e da medicina traz como uma de suas principais conseqüências o aumento da expectativa de vida e, conseqüentemente, uma população idosa mais numerosa. É preciso se adaptar ao mundo que envelhece e para tanto são necessárias políticas e diretrizes, desdobradas em projetos e ações que atendam as necessidades e expectativas desta população. Nesse sentido os projetos da Oficina Memória Viva partem do reconhecimento de que o crescente segmento de idosos precisa criar uma rede de relacionamento entre si com novas técnicas de inclusão. Para tanto utiliza a memória (auto) biográfica como método de resgate da história afetiva vivida, através da técnica Oficina de Memória (Auto) biográfica.

A metodologia qualitativa teve como referencial teórico, entre outros autores, Brandão, Izquierdo, Halbwachs, Pollack e Thomson, e a participação das autoras no Projeto de Formação Continuada Oficina de Memória (Auto) biográfica: Teoria e Prática e no Grupo de Estudos da Memória - GEM - ligado ao Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC-SP.

Nesse trabalho ampliaremos a discussão do uso dessa técnica de oficinas de memórias (auto) biográficas a partir da experiência prática em oficinas desenvolvidas em diferentes espaços (auto) biográficos como: Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), empresas, museus e centros de convivência. O objetivo das oficinas foi criar um espaço de inclusão e valorização através da escuta, reflexão e troca de experiências entre os participantes.

Construir novos significados para a trajetória de vida, ampliar os laços sociais e com isso propiciar o aumento de auto-estima. Para tanto, pretende-se ressaltar a importância da memória como vetor de integração dos atores da cidade com suas raízes, e a preservação do patrimônio humano. O trabalho possibilita uma reflexão sobre a trajetória de vida, reconstruída com a perspectiva da identidade atual, ressignificando-a e inserindo-a na história coletiva no tempo e espaço das culturas de origem e destino, resgatando a memória social das cidades, do trabalho, do espaço de convivência pelo olhar único de cada indivíduo.

Percebemos a importância do grupo, fator relevante para os idosos, pela oportunidade do encontro e o (re) descobrimento de si e do outro, e por sua força latente, que vai se desenvolvendo a partir dos encontros, estabelecendo um forte laço afetivo entre os participantes. Como técnica tem-se mostrado eficiente, pois dá voz e visibilidade aos sujeitos envolvidos e, ao trabalhar a atenção, a síntese e a conclusão, também atua nas funções cognitivas. Os resultados apontam que as situações vividas e compartilhadas podem facilitar a formação de laços afetivos entre os participantes e entre eles e as instituições ao favorecer a descoberta de potencialidades. Foram registradas melhoras nas funções cognitivas e no vocabulário, e nos sentimentos positivos na qualidade de vida, segundo avaliação subjetiva feita pelos idosos e pelas mediadoras.

IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 2

 

 

 

Rita, em pé, com os colegas do GEM na apresentação de sua comunicação







2) (Auto) Biografia e formação: relato de um processo

Autoras: Ivany Antiqueira; Maristela Catanoso; Maria da Graça Lorenzetto; Lúcia M Pupo; Maria Augusta Reis.

Neste trabalho apresentamos os desdobramentos do projeto de formação continuada realizado no Grupo de Estudo da Memória (GEM), desde 2001. O grupo é composto por profissionais de diversas áreas do conhecimento que atuam, majoritariamente, na área gerontológica, egressos do Projeto Oficina Memória (Auto) Biográfica - Teoria e Prática, coordenado pela Profª.

Vera Brandão. Objetivos: Relatar o processo teórico-prático de formação continuada desenvolvido no GEM; Apresentar a diversidade dos trabalhos dele decorrentes, tanto na área gerontológica como na de coaching e assessment; Assinalar a articulação dos saberes, envolvendo a memória (auto) biográfica, numa perspectiva interdisciplinar. Teoria e métodos: Do referencial teórico-metodológico estudado salientamos, entre outros Halbwachs (1990) que afirma a importância dos quadros sociais da memória, relacionando memória social, tempo e espaço; Bergson (1999) que destaca as relações corpo-espírito nas articulações presente-passado; Pollack (1989) que reflete sobre o papel da memória na construção identitária; Bosi (1979, 2003) que fundamenta a abordagem qualitativa nas pesquisas por meio das palavras dos sujeitos históricos; Harvey (2001), Bauman (1998), que contextualizam a discussão, apresentando o mundo pós-moderno, líquido, e a compressão tempo-espaço; Izquierdo (2004) que apresenta os processos de construção da memória de longa duração - (auto) biográfica - e a importância dos esquecimentos; Morin (1996, 2001) que fundamenta os estudos da complexidade desses diferentes temas e suas articulações; Josso (1999, 2002) e Momberger (2008) que relacionam memória, narrativa e escrita (auto) biográfica na perspectiva formativa; Brandão (2008) que articula as teorias acima apresentadas, na perspectiva da formação continuada interdisciplinar, agregando o foco da Antropologia Interpretativa.

Resultados: 1 - Duas pesquisas grupais sobre memória e envelhecimento, relacionando tempo e espaço (2002), incluindo, posteriormente, o tema espiritualidade (2004/2008); 2 - Projetos de educação continuada desenvolvidos, em dupla ou individualmente, em Universidades Abertas à Terceira Idade, que permitiram o estabelecimento de um espaço de aprendizagem por meio da socialização dos saberes coletivos, a ampliação dos laços interpessoais, promovendo mudanças e reinventando os modos de viver; 3 - Oficinas de Memória (Auto) biográficas, realizadas em diferentes espaços da cidade, de acordo com a inserção profissional, como: no resgate das histórias de São Paulo e da cultura popular; na prevenção de doenças; na criação de voluntariado; na alfabetização; em programas pós-aposentaria, com foco na apropriação do tempo livre e construção de novos projetos; na preservação das funções cognitivas e ampliação de laços afetivos e sociais em Instituições de Longa Permanência (ILPIs).Nestes diferentes espaços os participantes puderam realizar o reconhecimento auto e heterobiográfico, refletindo sobre as trajetórias de vida e o envelhecer, valorizando e ampliando o sentimento de pertencimento; 4 - Processos de coaching e assessment, nos quais a revisita à história de vida mostra-se facilitadora e permite integrar, estruturar e interpretar situações e acontecimentos vividos, facilitando a identificação de competências, nos percursos pessoais e profissionais. Essa identificação os auxilia tanto no presente quanto no futuro, e pode levar à melhor compreensão do processo de desenvolvimento ao longo da vida, beneficiando também o longeviver.

Reflexões de Maria Augusta sobre sua Comunicação

Este congresso foi uma grande vitrine. Não no sentido comercial, que geralmente lhe é atribuído, mas como possibilidade de vislumbrarmos a diversidade de pesquisas (auto)biográficas que estão sendo realizadas no Brasil e no mundo, e sua enorme riqueza. Nesse sentido, o Grupo de Estudo da Memória (GEM) sentiu-se honrado ao poder apresentar os resultados de dez anos de trabalho num espaço onde os congressistas relataram suas experiências de formação: as sessões coordenadas de grupos de pesquisa. Nosso trabalho (Auto) Biografia e formação: relato de um processo procurou mostrar a trajetória de um grupo de profissionais, de diversas áreas do conhecimento, que atuam majoritariamente na área gerontológica, ligados ao Grupo de Pesquisas da Memória (GEM) do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Envelhecimento (NEPE) da PUC/SP, coordenado pela Profª.Vera Brandão. O eixo que nos orientou foi a relação entre memória (auto)biográfica, envelhecimento e formação continuada.

Consideramos importante citar o referencial teórico-metodológico utilizado, mas o limite de tempo nos levou a centrar a atenção nos projetos desenvolvidos: duas pesquisas grupais sobre memória e envelhecimento, relacionando tempo e espaço (2002) e posteriormente memória autobiográfica, envelhecimento e espiritualidade (2004/2008), e demais trabalhos elaborados individualmente ou em duplas pelos membros do GEM.

A maior possibilidade aberta aos membros do GEM talvez tenha sido a compreensão de seu próprio processo de amadurecimento ao longo da vida. Daí a riqueza das palavras de nossa colega Celina: Aprendi não só a me compreender e conhecer melhor, como também às pessoas com quem tenho convivido. E a aceitar a mim e a elas tal como cada uma é.

Acreditamos que para alguns membros do GEM a participação no IV CIPA possa ter se constituído num desafio, mas o enfrentamento e a superação de dificuldades constituem parte significativa de nosso processo de formação.

Reflexões de Lúcia Pupo sobre esta comunicação

Em Relatos de Experiências de Formação sob o título "Memória, dimensões sócio-históricas e espaços (Auto)Biográficos, o GEM, coordenado pela Prof. Dra. Vera Bandão, foi representado pela colega M.Augusta Lós Reis, com a comunicação (Auto)Biografia e formação: relato de um processo no qual apresentou os resultados do trabalho de formação continuada desenvolvido desde 2001. Além do referencial teórico-prático, foi apresentada a diversidade de atuações dos vários profissionais que compõem o grupo, dedicados, majoritariamente, à área gerontológica.

Sob a mesma temática, e buscando conhecer o passado e os registros autobiográficos existentes, outros diferentes relatos foram apresentados nas áreas do Direito - O percurso biográfico de juristas elaboradores do Código Civil; Educação ambiental - O sentir-pensar a partir de um quintal encantado; Saúde - Histórias de vida na formação dos profissionais de saúde.

Em outra Comunicação as colegas do GEM, Patrícia Cabral e Rita Amaral apresentaram a Oficina Memória Viva: intervenção em diferentes espaços (auto) biográficos, que objetiva a inclusão e valorização da palavra do idoso, a troca de experiências, a ampliação de relações interpessoais, a reflexão e construção de novos significados para a trajetória de vida. Utilizam em seu trabalho o método de resgate da história de vida e as técnicas da Oficina de Memória ministrada pela Profª. Vera Brandão.

IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 3






Maria Augusta apresenta o trabalho do GEM, com colaboração técnica da Rita

 

 

 

 


Mini curso

A contribuição de diferentes linguagens na pesquisa autobiográfica: imaginário, ficção e literatura, por Cristhianny BentoBarreiro e Deonir Kurek.

Este minicurso constitui-se num espaço experimental de si com vistas ao aprofundamento acerca de como diferentes linguagens podem enriquecer a narrativa de vida permitindo a ampliação da compreensão das vivências. Ao longo do minicurso haverá a discussão acerca das inúmeras possibilidades de expressão de si, além de questões pertinentes à memória, sob a ótica de teóricos do imaginário, principalmente Gaston Bachelard e Gilbert Durand, com vistas ao aprofundamento sobre possibilidades de utilização da memória na narrativa de si. Nessa perspectiva, trabalhar-se-á com a rivalização entre memória e imaginação. O minicurso terá como sistemática propiciar um espaço onde o participante possa experienciar a escrita de si através de outros modos de narrar-se. Será proposto que cada um, utilizando a linguagem ficcional, a poética, a audiovisual e outras, crie, a partir de suas memórias, de acordo com a perspectiva abordada, fragmentos de narrativas que permitam fazer uma experimentação de si. Ao final da experiência e da partilha destas experiências poder-se-á refletir em conjunto como a utilização destas linguagens permitiu a ampliação da compreensão das vivências.

Reflexões de Rita Amaral

Este foi o minicurso por mim escolhido. Cristhianny Barreiro, por meio de dinâmicas, propôs ao grupo 3 momentos diferentes nos 3 dias do mini-curso. Foram eles: revisitando a proporia identidade; os professores da minha vida e momentos charneira representados. Ela mostrou vários dispositivos que podem ser facilitadores de escritas de si para alunos no curso de Pedagogia. Usou como material, revistas, lápis coloridos, cola, tesoura. Cada participante pode escolher o material que achou mais adequado para falar de si e depois, ao final, algumas pessoas compartilharam com o grupo suas produções. Outros escreveram poesias ou até pequenos contos.

Reflexões gerais sobre o Congresso

As reflexões de Maria Augusta iniciam e servem de guia para outros comentários de colegas que participaram das mesmas atividades, sendo por eles, entremeadas. Outros comentários também se agregam.

Na origem de todas as coisas estão, de fato, a paixão, a paixão de viver, de conhecer, de compreender e de amar. Associo a paixão à dádiva da infância. A criança quer conhecer tudo, não para de fazer perguntas.

Encontramos nestas palavras de Michel Random (2000:197) muito do que significou participar do IV CIPA. Deparamo-nos com a significativa amplitude, riqueza e diversidade de temas e investigações, consolidando a importância da pesquisa (auto) biográfica no cenário acadêmico.

Qual a maior dificuldade? Escolher entre tantas atividades propostas...

O IV CIPA se inicia com um convite: uma travessia, um novo olhar, propostos pelo Profº Antonio Nóvoa que, citando Michel Serres, salienta a importância da viagem com o outro, no caminho da alteridade. Suas palavras calaram fundo em todos aqueles que trabalham com narrativas e vivenciam este processo de ligação: o olhar, a compreensão e o reconhecimento do outro.

Mas o foco de Nóvoa, como educador, volta-se para a formação. Como educar e formar, se não compreendo meu próprio processo? Daí a importância do diálogo. Apoiado nas idéias de Appadurai, ele nos informa sobre os riscos desse diálogo, que somente se torna efetivo quando resulta de uma negociação: nem compreensão total e nem falso consenso.

E o educador instigante continua questionando: Por que a razão a ciência, a arte e a literatura não nos protegeram do desumano? Busca a resposta em George Steiner (ensaísta e crítico literário, nascido na Alemanha e radicado nos EUA ): Porque faltou um conhecimento contextualizado de cada um sobre si mesmo, uma reflexão de si mesmo com o outro e pelo outro.

Dada a profundidade dessas colocações não pudemos deixar de refletir sobre a escola brasileira e a formação de nossos professores. Qual a maior violência? Provavelmente aquela gerada pela ignorância...

Encerrando seu discurso, Nóvoa ressalta a importância da renovação dos estudos (auto)biográficos: desconstruir para re-construir novos sentidos, na busca de critérios de rigor e legitimação frente aos desafios enfrentados pelo planeta na atualidade.

O desafio estava lançado. E mil congressistas se debruçam sobre as artes de viver, conhecer e formar, no espaço (auto)biográfico...

Iniciei minha viagem diária pelo campus da USP participando do Mini curso.

Fontes (auto) biográficas na pesquisa em educação: um relógio solar histórico sociológico, por Profª Dislane Zerbinatti Moraes (FEUSP)

O mini-curso tem o objetivo de indicar e discutir as possíveis abordagens das fontes (auto)biográficas, como fonte e objeto de estudo das áreas de pesquisa em história da educação e formação de professores. Primeiramente trataremos das relações entre o texto (auto)biográfico (relatos, memórias, histórias de vida, ficções) e a matéria histórica, buscando compreender as especificidades esse tipo de escrita, especialmente no que diz respeito ao posicionamento sócio-histórico dos autores e à produção de ângulos de visão sobre o mundo. Em um segundo momento, apresentaremos trabalhos de crítica literária, de história da educação e do campo da formação de professores, compreendendo-os como modelos e indícios de caminhos investigativos com a temática.

Reflexões de Augusta

Nos três dias de aula, a Profª. Dislane Zerbinatti Moraes objetivou [...] discutir as abordagens e leituras que estão sendo feitas dos textos autobiográficos nos domínios da pesquisa em história da educação e formação de professores. (2010:114) Ela buscou aprofundar sua análise focalizando as questões teóricas sobre a relação entre ficção e história e a interação entre indivíduo e realidade.

Tomando como base um ensaio de Adorno (Lírica e Sociedade, 1980, p. 201), onde o autor se refere a um relógio solar histórico-filosófico, a Profª.Dislane nos falou sobre um relógio histórico-sociológico: assim como o ponteiro do relógio solar se move em relação ao sol, indivíduo e sociedade estão intimamente ligados e [...] só podem ser determinados a partir de um processo em que se trabalham e modificam mutuamente. (Adorno, 1980, p.199 apud Moraes, 2010:114)

Consideramos muito importante para todos aqueles que trabalham com memória e (auto)biografia o conteúdo enriquecedor deste curso, sobretudo por sua discussão sobre a subjetividade das fontes autobiográficas e o método biográfico nas ciências sociais, por abordar questões metodológicas e analisar romances de formação profissional. Como o foco do curso se voltou para a educação e, mais especificamente, para a formação de professores, ele nos brindou com algumas descobertas. A primeira diz respeito à nossa própria formação no Grupo de Estudo da Memória (GEM) e do papel fundamental nela desempenhado por autores como Bosi, Halbwachs, Pollak, Thomson e Thompson na compreensão da dimensão social da memória. A segunda aparece como um desafio enorme: o quanto de informação e pesquisa ainda precisamos buscar, constando as novas tendências e linhas de pesquisa.

Reflexões de Lúcia Pupo

Neste Mini-Curso a profª Dislane Z. Moraes enumera as várias fontes / formas de narração do "eu", tais como a autobiografia, diários, cartas, memórias, romances, biografias e relatos de vida, como o mais recente. Explica a importância de perceber na narrativa a forma de interpretação do tempo.

Apresenta o "pacto autobiográfico" como contrato de leitura, em que o autor se propõe a narrar a sua vida de forma verdadeira, tendo o leitor a liberdade de julgamento e interpretação, envolvendo-se, diferente de uma ficção ou documento, que lê como quiser.

O ser humano utiliza as narrativas para se interpretar - quer ser lido, amado e julgado. É a condensação da vida do narrador que se dá entre o "eu" e o seu universo familiar e social, suas reflexões, a sua visão do presente sobre o passado. O nosso sistema social está em cada um de nossos atos, sonhos, obras e comportamentos, mas a expressão dele se dá de modo singular em cada sujeito.

Lembra Bergson ao falar do depósito de lembranças e do estímulo externo para a sua evocação; do processo de rememorar em Proust e Graciliano Ramos, exemplificando como o julgamento faz parte do discurso autobiográfico.

O estilo da narrativa deve cobrir uma sequência temporal e uma coerência do narrador sobre acontecimentos importantes de sua vida.

Aborda a importância do engajamento pessoal na escolha profissional, a partir de sua própria história, numa ligação da pessoa com o seu passado: a ego-história, contando como se deu a sua experiência antes de ser um historiador, por exemplo.

Com respeito ao estudo de um determinado acontecimento oficial, a análise documental pode ser insuficiente. Outras fontes como a opinião do grupo social sobre o fato, a memória daquele fenômeno em ação é dada pela narrativa, com dados, idade, cronologia - é uma memória da construção do imaginário sobre aquela situação.

Os saberes da historiografia se mesclam aos saberes da experiência.

Sessões Coordenadas de Grupos de Pesquisa

Reflexões de Maria Augusta

Gostaríamos de salientar a apresentação da Profª. Lúcia Maria Vaz Peres, da UFPEL, que ao trabalhar a Antropologia do Imaginário, chama nossa atenção para o aspecto simbólico envolvido no trabalho com memória. Segundo ela, as [...] ressonâncias simbólicas, poderão levar o sujeito a recriar imagens mentais, cogitando novos caminhos para reencontrar a si mesmo, com vistas à reequilibração psicossocial.

Esta discussão nos leva a perceber a importância da criação de um espaço onde os velhos possam falar e trocar idéias, seja em oficinas, em UNATIs ou ILPIs. Lendo, escrevendo, interpretando contos, relatando fatos, são abertas possibilidades para o resgate do simbólico, processo que favorece a reflexão e até mesmo a criatividade, como nos versos da Sra. P. (80 anos) referindo-se ao seu processo de envelhecimento: Hoje cai a tarde/ Como vai longe a mocidade/ Mas há paz, mais luz e suavidade...

Reflexões de Lúcia Pupo

Destacamos os trabalhos apresentados sob o título Corpo, saúde e cuidado de si com a participação de Silvia Batista (UNIFESP); Elsa Lechener (CES/UC – Portugal) e Norma Takeuti (UFRN) que apresentaram proposta complementares para a criação de espaços na universidade e na sociedade que invistam em educação-saúde e cidadania, utilizando-se do método da memória (auto)biográfica, com uma concepção ampliada de saúde e a ênfase na integralidade, alteridade e cuidado. Realizaram uma análise crítica da sociedade contemporânea que investe mais no corpo, do ponto de vista estético, do que no "cuidado de si" integral. Uma das referências da profª Norma foi o filósofo francês Deleuze em sua ética da resistência, explicando a movimentação que está havendo na sociedade e na periferia brasileira, mostrando outra faceta que é a inventividade, com novas experimentações sociais, corporais e criando outros espaços em seu território, diferentes do uso de drogas e crime. Esta sessão teve a coordenação da profª Margaréte Rosito (UNICID).

Artes de viver, conhecer e formar: invenções.

Reflexões de Maria Augusta

Na sua constante busca de renovação o IV CIPA nos presenteou com um espaço destinado à palavra dos que fazem: artistas, cozinheiros, músicos e escritores – “Artes de viver, conhecer e formar: invenções”. Ao invés do discurso sobre, nós entramos em contato com o discurso de. O sucesso foi enorme.

Nossa escolha inicial foi Representar e Desenhar, momento de conhecer e dialogar com Leonardo Franco (ator e idealizador do Centro Cultural Solar do Botafogo) e Paulo Caruso (cartunista e colaborador do programa Roda Viva da TV Cultura). Eles nos falaram sobre suas carreiras, desafios e até mesmo casamento. Caruso fez um paralelo entre os fatos de sua vida e as mudanças em seu trabalho, e Franco centrou seu discurso nos obstáculos enfrentados para a realização de um sonho: a construção de um teatro.

Uma das coisas que chamou nossa atenção foi Caruso afirmar o quanto é importante rir de si próprio. Levar a vida com humor talvez seja o melhor caminho para aceitá-la exatamente como ela é...

No dia seguinte pudemos conhecer em Escrever o trabalho de Ruy Castro (jornalista e escritor de várias biografias). Apesar do discurso descontraído e da negação de um método, verificamos o quanto de organização, pesquisa e persistência são necessárias para se escrever uma biografia séria. Ruy centrou seu trabalho numa palavra – informação - mas ousamos afirmar que ele realizou verdadeiras investigações.

No último dia, em Reger e Encenar conhecemos Henrique Morelenbaum - maestro e professor da UFRJ; e Bia Lessa - diretora teatral e cenógrafa. Eles nos falaram sobre seu processo educacional, família e realizações profissionais. Navegamos entre a serenidade do maestro e a energia criativa da cenógrafa. Foram inesquecíveis momentos de emoção e partilha.

Além da reafirmação do respeito por esses maravilhosos profissionais, pudemos entrar em contato com sua humanidade, aquela de que nos falava Nóvoa na abertura do congresso. E por isso, só nos resta reafirmar os versos que Caruso colocou num de seus desenhos (premiado por sinal): De cada profissão uma arte/ O encanto em toda parte.

Reflexões de Lúcia Pupo

Em Artes de viver, conhecer e formar assistimos a conversas muito interessantes com a participação de Paulo Caruso, cartunista; do professsor e maestro Henrique Morelenbaum; de Bia Lessa, diretora teatral e cenógrafa; do jornalista Ruy Castro.

Todos contaram suas histórias de vida, experiências boas ou não e o aprendizado adquirido. O maestro Morelenbaum afirma que todos nascem com potencialidades a serem desenvolvidas, e que é necessário se entregar totalmente para encontrar a plenitude amorosa, artística ou de qualquer natureza. Finaliza dizendo que o importante não é ser original, é ser si próprio.

O professor Valter apresentou em "Balanço do samba" as diferentes maneiras de contar e re-contar histórias entrecruzando linguagens, em seu projeto "Puxando conversa", ao trabalhar com 49 compositores. Buscou saber como essas narrativas cantadas e contadas oferecem outras formas de viver numa sociedade racista e como transitam entre a miséria e a festa - os negros que se exilaram nos morros do Rio de Janeiro.

O que entendemos como interessante nessas oficinas foi a diversidade dos profissionais convidados: artistas, músicos, professores e cozinheiros, que vieram não dizer "como" fazem a sua arte, mas de que forma ela se incorporou às suas vidas e como eles foram se "moldando" à elas, tornando-as parte integrante de si.

Mesas-redondas

Reflexões de Maria Augusta

Para quem gosta de cinema, assistir à palestra de Sergio Rizzo (professor da USP, Mackenzie e FAAP) na Mesa-redonda A vida como obra de arte e espaços (auto)biográficos foi uma experiência maravilhosa. Ele discorreu, de forma clara e enriquecedora, sobre a evolução da sétima arte e do papel da (auto) biografia nela. Encerrou afirmando que [...] Produzidos com base em hibridismo entre as categorias de ficção e não-ficção (documentário, experimental), eles (filmes) convidam a uma nova forma de compreender o sujeito da enunciação no cinema.

Indagado sobre como classificar um filme (ficção, não-ficção ou hibridismo) ele salientou que o mais importante é a qualidade. E discorreu sobre as novas criações áudio-visuais produzidas atualmente, tanto no Brasil quanto no cenário internacional, pois o avanço tecnológico facilitou a produção e muita coisa nova está surgindo.

Abordando a linguagem cinematográfica, esta mesa-redonda assinalou o espaço reservado à (auto)biografia na vida, considerada aqui como obra de arte.

Outra Mesa-redonda foi fundamental para aqueles que trabalham com memória e envelhecimento: - Corpos vivenciados, idades da vida e cuidado de si.

Inicialmente, Serge Lapointe (Université Du Quebec – Canadá) relatou seu trabalho, Sentidos e Projetos de Vida, iniciado há cinco anos. Nele, os participantes, com idade a partir de cinquenta anos, desenvolvem uma forma de relato de vida coletivo, partilhando dialogicamente suas histórias.

Foi muito estimulante depararmo-nos, no CIPA, com pesquisadores estrangeiros realizando trabalhos voltados para este segmento da população.

Pudemos perceber, no decorrer da exposição, o quanto o trabalho nas oficinas de memória, com base na metodologia criada pela Profª. Vera Brandão, desenvolvidas com idosos em territórios diversos (UNATIs, ILPIs, etc.) se aproxima deste trabalho. E também o quanto este tipo de iniciativa é necessária, sobretudo em países onde a população está envelhecendo.

Nesta mesa, o relato do Profº.Lapointe foi enriquecido pelo da Profª. Marie-Christine Josso, abordando a questão do corpo, utilizando imagens fotográficas. A primeira imagem utilizada foi a de uma alameda, onde as árvores, aparentemente, iguais eram, na verdade, bem diferentes, e nos sugeriu algo que a autora utiliza como título de seu livro: o caminhar para si.

No entanto, o relato da autora se voltou para os [...] fatos e situações consideradas como experiências formadoras e fundadoras, e para a [...] maneira pela qual o corpo é descrito no decorrer da vida. (IV CIPA – CD ROM).

Estes relatos de vida foram recolhidos durante quase trinta anos de pesquisa e de práticas de formação nos diversos programas de que a autora participou, tanto em universidades quanto em empresas.

Como afirma Goldfarb [...] do ponto de vista conceitual, não há um corpo único, comum a todas as áreas do conhecimento ou das artes, mas sim diferentes discursos que tentam capturar esta problemática. (1998:34)

Nesse sentido, a pesquisa de Josso, inaugura uma nova perspectiva em relação a este tema, partindo de relatos pessoais e focalizando o processo de formação.

Já no início da palestra, pensando nestes depoimentos, nos ocorreu uma das idéias que nortearam um dos livros de Damásio. Segundo este autor, [...] a essência de um sentimento (o processo de viver uma emoção) não é uma qualidade mental ilusória associada a um objeto, mas sim a percepção direta de uma paisagem específica: a paisagem do corpo. (2001:14)

E é este corpo, que ao reviver suas memórias, ao ressignificar fatos do passado, se emociona e refaz antigos caminhos. Quem trabalha com oficinas, abordando os sentidos, através de uma “escuta sensível” percebe nitidamente o processo.

Dani Bois, cujo trabalho foi apresentado no III CIPA, salienta a importância da sintonização, ou seja, da ação através da qual se estabelece o diálogo entre o psiquismo e o corpo. Assim [...] a pessoa reencontra, reconstrói, uma relação consigo própria, com a sua vida. E isto passa por uma ligação profunda com seu próprio corpo. (2008:123)

Percebemos que a preocupação com este tema não atinge apenas a Educação, mas também a Psicanálise, a Neurociência, a Somato-psicopedagogia e até mesmo a Sociologia. Bauman, criticando a sociedade capitalista, afirma: a [...] atenção está toda voltada para o corpo – mas o corpo tem uma grande interface com o mundo exterior e não pode sobreviver sem metabolismo, sem a troca de substâncias com esse mundo. Tal relação pressupõe um perpétuo e intenso tráfico, um constante cruzamento de fronteira. (2010:84)

Daí a necessidade do cuidar. E Josso, lamentando o fato dos programas educacionais não darem espaço a este tipo de aprendizagem, questiona: Como uma pessoa pode cuidar do outro se não aprendeu a cuidar de si? Segundo ela, o caminho de cuidar de si permite guiar nossas escolhas para enfrentar os desafios da vida. E nesse caminho devemos ser encarados como uma totalidade e não tratados por fragmentos. (2010:190).

Reflexões de Lúcia Pupo

Na Mesa-redonda Corpos vivenciados, idades da vida e cuidado de si, a profª. Marie-Christine Josso afirmou que a essência do trabalho biográfico coloca em evidência a busca do saber viver com sabedoria - o cuidado de si. Utiliza a imagem de uma árvore, cujas raízes se encontram no solo e os galhos se alongam para o alto. O nosso corpo se faz presente em tudo; é a cabeça que escreve e pensa; ele é um ator, parte integrante de uma visão que orienta a escolha e projetos de vida.

Somos muito semelhantes e, ao mesmo tempo, totalmente diferentes. A autora apresenta formas de como viver com sabedoria, buscando a globalidade de si - eu e meu corpo.

Para a manutenção da saúde recomenda a proteção ao meio ambiente, alimentação, práticas esportivas, vida sexual e relacional. Acrescenta: a organização da vida cotidiana, música, terapia, yoga, meios para o equilíbrio entre corpo e espírito, busca da globalidade de si.

Aborda a confrontação com a morte e a herança religiosa recebida para a construção de sentido para morte ou vida; os estigmas de um corpo com deficiência e a capacidade evolutiva de se reorganizar. Finaliza afirmando que não podemos privilegiar qualquer conhecimento intelectual, mas a totalidade do conhecimento que inclui o cuidado da saúde, o cuidado de si, de nosso meio ambiente e do planeta.

Ainda sobre o tema, o prof. Serge Lapointe fala das práticas de história de vida: teoria e prática utilizada em vários grupos. Trabalhou com pessoas de 50 anos e mais, articulando o saber, o ser e a história de vida, dividindo-a em anos, com suas memórias, experiências e projetos para reorganizá-la após a aposentadoria.

Em outro grupo, os estudantes foram convidados a escrever sua própria história - de forma cronológica, analisando sua existência e potencialidades e a elaboração de projetos, revelando as dificuldades para colocá-los em ação. A partir da compreensão de si é possível realizar um trabalho existencial mais profundo, voltado às ações sociais e serviços comunitários.

Em grupos mistos (jovens e mais velhos), de culturas diferentes (imigrantes), a divisão da vida em decênios facilitou a sua compreensão, desenvolveu pontos comuns e o sentido pleno do cuidado de si, com novos vínculos interpessoais e solidariedade.

Esta palestra nos fez lembrar que já utilizamos no GEM esse método de trabalho, com o repensar da própria vida (tecendo os retalhos); dos acontecimentos mundiais importantes dos quais participamos - linha do tempo; e da divisão de nossa trajetória em setênios ou decênios - confecção de um colar, facilitando o nosso auto-conhecimento e as perspectivas para o futuro.

 


IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 4

 



Vera oferece seus livros Labirintos da Memória. Quem sou? e Envelhecimento ou Longevidade? (este em co-autoria com a profª Elisabeth Mercadante) ao prof. Serge Lepointe.





IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 5

 

 

 

A palestra da profª Marie-Christine Josso

 

 

 

 


Reflexões finais de Maria Augusta
Na Conferência de Encerramento, o Profº José de Souza Martins (Universidade de São Paulo) chamou nossa atenção para o fato de que biografias são sempre ficções, e as (auto)biografias relatos daquilo que pensamos ser. Dada a alienação existente na sociedade atual, lutamos para sermos reconhecidos. Para ele, muitos textos sociológicos são autobiográficos como, por exemplo, Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire.

Muito interessante foi o relato de uma pesquisa realizada por ele numa fábrica, onde havia trabalhado na adolescência. Voltando ao antigo ambiente de trabalho, agora como pesquisador, constatou que as pessoas quase não mais se lembravam de um episódio envolvendo a presença do diabo que, na época, segundo ele, provocara muito estardalhaço. Este esquecimento parece ter intrigado o pesquisador. Significativo o fato de encerrarmos falando de esquecimento...

A fala do Profº Martins nos remete a Izquierdo, neurocientista que afirma que esquecer é uma arte. Esquecemos o que não é significativo; o que não está envolto em emoção ou, até mesmo, para não enlouquecermos. Afinal, a última coisa que desejamos é nos tornarmos um novo Funes, o personagem de memória perfeita criado por Borges.

Reflexões finais de Lucia

Acredito que IV CIPA nos trouxe muitas contribuições abrangendo áreas, até então não pensadas por mim, como o Direito, a Ecologia, a Música, o Cinema e outras, com a participação de profissionais experientes que vieram expor não a sua arte, mas a forma como a desenvolveram, a sua autobiografia, o engajamento pessoal na escolha profissional e a incorporação dessa arte, afirmando o seu "eu".

No dizer do professor Antonio Nóvoa, os estudo autobiográficos "seguem uma solidez capaz de sobreviver à crítica e à contestação". E, que nas histórias de nossas vidas, não podemos negar ou nos desfazer do passado, mas lançá-lo para o futuro.

O IV CIPA trouxe-me também a certeza que estamos acompanhando no GEM o nível dos trabalhos que se desenvolvem mesmo fora do país na área da Pesquisa (Auto) Biográfica

Colaboração Especial

Trazemos também a colaboração especial de nossa experiente colega Maria Antonietta Guerriero – Assistente social e Mestre em Gerontologia – que mesmo não fazendo parte do GEM se incorporou ao nosso grupo e, a nosso convite, colabora também nesta reportagem.

Ela analisou detalhadamente o mini-curso que participou, e que apresentamos em seguida.

O processo de planejamento e desenvolvimento de pesquisa (auto)biográfica: contribuições da história oral, por Profª: Selva Guimarães Fonseca (UFU) e prof. Haroldo Resende (UFU)

O tempo se torna humano ao organizar-se de modo narrativo. O sujeito se constitui para si mesmo em seu próprio transcorrer temporal, de modo que o tempo da vida não é um tempo linear, abstrato ou uma sucessão de acontecimentos que se encadeiam um após outro. O tempo que articula oralidades e subjetividades é um tempo narrado. Partindo deste pressuposto, propõe-se realizar uma reflexão teórico-metodológica acerca da memória, da subjetividade e da narrativa, buscando trabalhar com questões relacionadas ao trabalho com métodos e ferramentas que fazem a mediação técnica entre os sentidos elaborados nas narrativas e a escrita (auto)biográfica, propriamente dita. Trata-se do aparato organizativo da pesquisa auto(biográfica) em termos de organização de materiais e planejamento,utilizando-se das contribuições da História Oral.

Reflexões de Maria Antonieta

I e II – Introdução e Objeto. No Mini-curso foi proposta uma reflexão técnico-metodológica a respeito de memória, subjetividade e narrativa, com questões relacionadas ao trabalho, com métodos e ferramentas que fazem a mediação técnica entre os sentidos elaborados na narrativa e a escrita (auto)biográfica propriamente dita. Tratou-se dos aparatos da pesquisa (auto)biográfica em termos de organização de materiais e planejamento, utilizando-se das contribuições da História Oral.

O professor, inicialmente, apontou a pertinência da utilização da História Oral em abordagem (auto)biográfica, colocando como questões elementares: memória e narrativa. No decorrer do curso foi evidenciada e debatida a conjunção dos dois elementos fundamentais na relação da pesquisa: entrevistador e entrevistado.

III - Memória. A pesquisa (auto) biográfica - história oral - privilegia a memória. Discutir a memória no processo do envelhecimento significa focalizar de modo singular a construção da identidade do ser velho e suas estratégias de afirmação nos espaços sociais. Esse tipo de pesquisa permite a representação que os sujeitos, neste caso, os velhos, fazem de suas próprias vidas.

A memória, na pesquisa (auto)biográfica - história oral - estabelece um nexo entre o sujeito e o seu mundo, sempre relatado no presente, na interface entre o indivíduo e o social.

Memória, na concepção do professor, representa "o armazenamento de lembranças e recordações", como se fora uma espécie de depósito, um espaço de guarda de objetos e rastros - "um espaço em que é possível voltar e rever trajetos, acontecimentos fatos e emoções".

Pela memória, o indivíduo reelabora de diferentes maneiras, dependendo da própria experiência, os fatos, acontecimentos e trajetórias. A pesquisa permite reviver o passado, pois é no mundo vivido que as identidades se constroem e se afirmam. É o passado que alimenta e vivifica a identidade.

A pesquisa (auto) biográfica - história oral, compreende de modo próximo, constante e indissolúvel, o sujeito e o tempo. O tempo de vida difere do tempo cronológico (linear, onde os acontecimentos se encadeiam), pois se trata do tempo vivido na experiência, na subjetividade de cada sujeito.

A memória obtida pelo depoimento oral rompe muitas vezes a visão determinante que limita da liberdade dos homens, colocando em evidência a construção dos atores, sua própria identidade e re-equaciona as próprias relações entre passado e presente, ao reconhecer que a História pode ser construída segundo as necessidades do uso político da realidade.

A pesquisa (auto)biográfica - história oral é levada a termo com uma intenção e um princípio de verdade, e esta objetividade se concretiza na correta utilização do método crítico, como são utilizados seus instrumentos metodológicos e seu sistema de avaliação.

IV - História oral - o que é. Maria Isaura P. de Queiroz (1991) diz que história oral de vida é o relato do narrador sobre sua existência através do tempo. Os acontecimentos vivenciados são relatados, experiências e valores transmitidos, a par dos fatos da vida pessoal. Por meio da narrativa de uma história de vida se delineiam as relações com os membros de seu grupo, de sua profissão, de sua camada social, da sociedade global, que cabe ao pesquisador desvendar.

As diferenças e as contradições que possam existir entre a História (oficial) e os depoimentos obtidos na história oral "tem que ver com o entendimento e a utilização do conceito de poder" isto porque na sociedade, o domínio da moralidade remete para um quadro de "liberdade regulada". (Ramos do Ó, 2010).

Cada depoimento, em sua singularidade, pode ser encarado com uma passagem objetivada de princípios e força de poder, ou seja, a opinião, a experiência e o depoimento de sujeitos autônomos e donos de suas "verdades". A reflexão que isso propicia remete ao panorama da realidade. A "verdade" obtida pelo depoimento revela-se como uma forma de autonomia e autocontrole e evidencia a identidade e o relacionamento pessoal e social.

V – Metodologia. A história oral como metodologia é um conjunto de procedimentos - a soma articulada e planejada de atitudes pensadas de acordo com o objetivo da pesquisa.

O método biográfico apresenta várias técnicas de coleta de informações. Pode ser desenvolvido de maneira dirigida, havendo poucas possibilidades de liberdade para o depoente (entrevista dirigida) ou de outra forma, mais flexível, que permite uma parceria entre o pesquisador e o pesquisado. Há também aquela que enseja a livre participação, de tal forma, que ele pode construir sua fala, suas pausas e silêncios, e o pesquisador, com alto grau de compreensão e apoio, exerce o papel de ouvinte atento e interessado.

A forma mais utilizada de coleta de dados orais é a entrevista que se realiza em um processo de conversação entre o pesquisador e o depoente.

A fonte oral, via de regra, se baseia na memória e esta é sempre uma reconstrução. Evoca o passado na perspectiva do presente e é marcada pela contribuição individual ou coletiva, no plano do social e da cultura. As considerações a respeito do domínio da moralidade, e da liberdade regulada existente no âmbito social e nos registros da História Oficial são os temas abordados por Larrosa (2010), sugerido como leitura de aprofundamento.

VI - Tipos de história oral. As entrevistas em história oral apresentam gêneros que se distinguem fundamentalmente. Basicamente há três gêneros distintos de história oral.

1- História oral de vida é a construção narrativa baseada em fatos, mas podem ir além deles e admitir também omissões, distorções, fantasias, lapsos e silêncio. Isto porque, estas narrativas dependem da memória, dos ajustes, imprecisões e também das contradições naturais do relato. Daí procedem a característica e a essência subjetiva da história de vida.

A (auto)biografia - história oral de vida se coloca como um espaço de conhecimento. Significa o empenho na interpretação dos depoimentos, que tange tanto as narrativas - nos seus aspectos individuais, quanto a perspectiva social, bem como, o entrelaçamento dinâmico dessas duas dimensões. Para esse tipo de (auto)biografia Ramos do Ó (2010), da Universidade de Lisboa, a história oral refere-se à construção de "verdades" que os participantes constroem a respeito de si mesmo. Partindo dos escritos de Michel Foucault, o autor estabelece de que maneira a subjetividade das pessoas se realiza no âmbito social, no domínio da moralidade e da "liberdade regulada". A finalidade da história oral de vida é múltipla e varia de acordo com as utilizações que lhe são atribuídas. O motivo de sua prática delineia suas características.

2- Na história oral temática, a existência de um foco central (o tema) conduz a narrativa mais objetiva. Ainda que se reconheça que não há objetividade absoluta, existe possibilidade de se limitar as variações, via de regra, pelo uso do questionário. Este instrumento pode ser estabelecido por critérios de abordagem do tema (foco), e fazer parte do procedimento investigativo proposto no projeto de pesquisa.

No caso de história oral temática, o entrevistador deve dominar o tema (foco) da pesquisa e, esse conhecimento faz parte da preparação dos roteiros investigativos. A escolha dos pesquisadores neste tipo de história oral é fundamental, pois a sua natureza exige qualificação de quem realiza o procedimento. Dado ao seu caráter específico na história oral temática, os detalhes da história oral do depoente apenas interessa, na medida que revelam aspectos úteis a respeito do tema.

3- A Tradição oral busca conhecer e registrar os dados de material de vida, mitos, rituais, usos e costumes de grupos ou populações. Trabalha-se neste gênero com elementos da memória coletiva. O projeto deve propiciar condição de apreensão dos fenômenos sociais, de modo a favorecer a compreensão do universo que envolve o segmento pesquisado. Ela implica na observação e descrição do cotidiano, tanto no seu aspecto objetivo, quanto no seu imaginário e outros componentes auto explicativos da cultura do grupo ou da população.O motivo de sua prática delineia suas características.

Assim, o prof. Sebe Mehihy (2007) fala que a tradição oral é o relato da vida coletiva. Uma técnica de trabalho com a história de vida em grupo.Significa obter um relato coletivo a partir das histórias de vida de cada um.

A temporalidade é um fato a ser observado - ou seja, os limites temporários que deve conter o relato. Um outro aspecto a ser considerado é a natureza da participação de cada pessoa no grupo (nas cenas ou nos períodos de tempo a serem estudados). Um terceiro aspecto refere-se ao método de trabalho proposto aos participantes para recordar sua história pessoal, em relação ao âmbito sócio-cultural. Por esses elementos podemos considerar que o projeto de pesquisa é direcionado mais ao grupo ou população, do que a cada depoente do grupo.

Há, também, a rememoração de todos os acontecimentos sociais relacionados as suas vidas. Ressalta-se a busca de dados onde as histórias de vida dos membros do grupo imbricam com o espectro mais amplo, do tempo e da história do grupo pesquisado.

Reflexões finais de Vera

Foi com muita expectativa que aguardei a realização do IV CIPA aqui em São Paulo. Participei dos 2 Congressos anteriores: II CIPA em Salvador (2006) III CIPA em Natal (2008) e, apesar de trabalhar desde 1994 com os temas memória (auto) biográfica; memória social, história oral e narrativas – bases das pesquisas de campo de meu mestrado e doutorado em Antropologia – senti que após as minhas participações nestes eventos meu trabalho deu um “salto” qualitativo, abrindo inúmeras possibilidades de reflexão, em um assunto sempre “desconhecido” – e um dos “bônus” desses encontros é, exatamente, esta “ampliação de horizontes” que tenho sentido nos últimos anos. Colabora com este desenvolvimento a diversidade dos temas; as inter-relações instigantes feitas entre eles, por um grupo crescente de profissionais, que nos trazem de diferentes estados do Brasil, países, culturas e práticas uma “lufada de ar fresco” as nossas pesquisas e trabalhos práticos. Soma-se a isto a presença constante dos “mestres” que abriram estes caminhos de estudo e pesquisa, e que continuam, firmemente, nos impulsionando com o brilho de suas presenças e palavras. Tivemos ainda nas 3 edições dos Congressos o lançamentos de livros sobre os conteúdos abordados, sendo 2 em Salvador, e depois em Natal e agora em São Paulo com ricas Coleções que nos legam material de leitura fundamental, que vai nos alimentado até o próximo CIPA.

Faço minha as palavras das colegas do GEM que com interesse acompanharam e escreveram (não todas, já que éramos um grupo de 7), seus comentários sobre as tantas e diferentes atividades oferecidas. Da abertura brilhante e comovente realizada pelo prof. Antonio Nóvoa ao instigante encerramento realizada pelo prof. José de Souza Martins (de quem fui aluna na juventude (!!!), passei 3 dias “mergulhada” em mesas-redondas; sessões de comunicação; de grupos de pesquisa, nas artes de viver e contar...

Re-encontrei colegas, conheci novas pessoas, conversamos, trocamos idéias, e-mails, ficamos de nos re-encontrar... E muito mais espaço seria necessário para comentar tudo o que assisti, vivi, apreendi e estou refletindo. Mas, o espaço e o tempo desta “pequena” reportagem é finito.

Então, de todo o vivido gostaria de destacar, entre tantas atividades excelentes oferecidas, a apresentação (sempre por mim esperada) da profª Delory-Monberger na Mesa-redonda - Gênero, geração, infância e família: perspectivas (auto) biográficas, com quem muito aprendo sobre os ateliês (auto) biográficos, e que trouxeram mudanças significativas à minha prática.

IV Congresso Internacional de Pesquisa foto 6




Profª Christine Delory-Momberger conversa com a pesquisadora sênior do GEM Celina Monteiro e com Vera.






Comento a seguir o mini-curso por mim realizado:
Pesquisa (auto)biográfica na formação de professores para o ensino superior, coma profª Helena Coharik Chamlian (FEUSP).

Considerando a experiência desenvolvida com duas modalidades de formação do professor universitário, tendo como eixo a pesquisa autobiográfica em suas versões: “histórias de vida em formação” e “ateliês biográficos de projeto” e as possibilidades oferecidas para o conhecimento e a compreensão da aprendizagem do adulto, o objetivo deste mini-curso é o de descrever e analisar os resultados obtidos. A análise será baseada no modelo de aprendizado biográfico de Theodor Schulze (1985), que apresenta diferentes formas de aprendizagem, correspondentes às diversas experiências dos sujeitos, a saber: aprendizagem auto-organizada; ecológica; simbólica; afetiva e reflexiva. Pretende-se, ainda, avaliar os limites e alcance de cada uma dessas modalidades para a formação de docentes desse nível de ensino.

Reflexões

Minha escolha teve dois motivos: primeiro o tema, pois apesar de não trabalhar na formação de professores do ensino superior, meu foco tem sido a formação continuada de profissionais, com ensino superior e práticas nas áreas de saúde, educação e ciências sociais, em sua maioria com indivíduos acima de 60 anos, na atividade que denomino Oficina de Formação Continuada – Memória Autobiográfica – Teoria e Prática, desde o ano 2000. O segundo motivo foi ser aluna da profª Helena, a quem conheço e admiro há muitos anos.

O mini-curso, didaticamente perfeito como esperado, trouxe a reafirmação dos caminhos de formação e pesquisa, por mim escolhidos mesmo antes de iniciar meus estudos sistemáticos nessa perspectiva teórica que tem como mestres: Pierre Dominicé, Marie-Christine Josso, Gaston Pineau, e Cristine Delry-Momberger, entre outros, – e dos quais a profª Helena trouxe os conceitos mais importantes, oferecendo a todos uma síntese clara da perspectiva teórica deste “método” de pesquisa e formação. Além disso, trouxe aos pesquisadores todas as possibilidades por ela testadas - em diferentes Ateliês Biográficos - ao longo dos últimos anos. A riqueza dessas experiências abre novas perspectivas para as análises de conteúdo das narrativas autobiográficas, visando também as pesquisas, no tema da formação continuada, oferecendo novas possibilidades aos trabalhos acadêmicos e as práticas, que se retroalimentam.

Como pedagoga, formada pela USP, trabalhei por longos anos com educação pré-escolar. Mas, minha formação inicial em Ciências Sociais me guiou na escolha da Antropologia como área de base para minhas pesquisas de mestrado e doutorado realizados na PUCSP. Foi lá que encontrei um grupo de pesquisadores que iniciava os estudos na área do envelhecimento, e que me acolheu em 1994 e, até hoje apóia minha contínua formação nesta outra ponta do ciclo de vida. Por motivos vários caminhei da educação infantil para o trabalho com idosos e, finalmente, para a formação continuada com profissionais da área gerontológica. Estes são, em poucas palavras, meus caminhos de formação. Fiquei altamente motivada para seguir as “pistas” teóricas propostas pela profª Helena, na análise de vasto material que já tenho em meu acervo, e de novas perspectivas para os futuros ateliês, e, também para analisar meu próprio percurso – passo inicial deste novo aprendizado – buscando nele – o aprendizado simbólico; o aprendizado opositivo; o aprendizado auto-organizado; o aprendizado ecológico e o aprendizado reflexivo, seguindo as etapas propostas pela profª Helena.

Termino com suas palavras:

[...] os procedimentos requeridos no processo de formação, mediante a produção de relatos autobiográficos, com sua natureza praticamente artesanal, permitem apenas iniciar o adulto no percurso de autoformação e também possibilitam recuperar a essência do processo educativo: autonomia, reflexão compromisso com o futuro. (Chamlian, 2010:159) (destaques da autora)

Referências

BARBOSA, R. e PINAZZA, M. (orgs) Modos de narrar a vida: cinema, fotografia, literatura e educação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

BAUMAN, Z. Capitalismo parasitário.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.

BOIS, Dani. O eu renovado


Share

Comentários


Atualizado em 23/05/2012 02:43:22