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Idosos utilizam jogos para tentar manter mente ativa


Produtos oferecem "treinamento cerebral" com intuito de melhorar memória. Na opinião de neurologista, há benefícios, mas melhora na atenção e na memória fica restrita à atividade proposta no jogo 06/09/2010 - por Márcio Pinho na categoria 'Memórias'

Manter a cabeça ativa é uma estratégia para evitar a perda de memória em idosos e minimizar ou adiar o aparecimento de demências. Apostando nisso, empresas de eletrônicos têm colocado no mercado jogos on-line ou de videogame voltados a esse público.

Atividades que antes eram feitas apenas no papel, como cruzadinhas, sudoku e variados exercícios para treinar a mente agora podem ser feitos em aparelhos eletrônicos.

Diversas pesquisas foram realizadas para comprovar os benefícios dos jogos. Muitas delas, com patrocínio das próprias empresas fabricantes. Porém, médicos ligados à saúde dos idosos ouvidos pela Folha questionaram até que ponto os produtos podem melhorar o funcionamento cognitivo.

Eles defendem que os jogos e outras atividades ajudam a preservar a mente, mas que os benefícios são restritos.

 

Idosos assistem colega 'jogar boliche' no videogame Wii; produtos oferecem 'treinamento cerebral' com o intuito de melhorar memória
Idosos assistem colega "jogar boliche" no videogame Wii; produtos oferecem "treinamento cerebral" com o intuito de melhorar memória (Kevin Lamarque/Reuters)

 

Produtos
Uma das empresas a perceber o filão foi a Nintendo, que lançou jogos como o Brain Age. Nele, o usuário pode acompanhar uma partitura, identificando as notas, fazer o troco de valores em dinheiro, escrever as palavras que escuta e memorizar uma ordem de números para depois lembrá-la.

Conforme o desempenho, o jogo diz se o cérebro do usuário está em forma ou não.

Depois dele, a linha "brain gym" (ginástica cerebral) ganhou concorrentes, como o MindFit e o Brain Fitness Program. Este último, vendido nos EUA, tem como slogan "seus netos irão lhe agradecer". Já o MindFit foi tema de uma pesquisa recente sobre jogos. Divulgada em 2007 por pesquisadores em Israel, ela mostrou que os usuários do MindFit e de videogames clássicos tiveram melhoras na memória especial de curto prazo e na atenção. O estudo foi patrocinado pela fabricante CogniFit e envolveu 121 voluntários.

Mas foi outra pesquisa, divulgada em 2006, que chamou em especial a atenção dos médicos.
Comandada por institutos de saúde do governo americano, o estudo avaliou 2.832 pessoas e constatou que os que receberam treinamento de raciocínio, treino de velocidade ou memória tiveram desempenhos melhores em exercícios que um grupo controle -que não recebeu treinamento. Eles foram melhores até cinco anos depois.

Os resultados vão no mesmo sentido do que diz Carlos Paixão, da Sociedade de Geriatria do Rio de Janeiro. Para ele, jogos e outras atividades "podem melhorar a memória nessas pessoas que têm transtornos cognitivos que não são considerados demência".

Porém, segundo ele, não há nenhum trabalho realmente sério até hoje que mostre que a estimulação cognitiva previna o aparecimento de demências. Sonia Brucki, médica da Academia Brasileira de Neurologia, também diz que jogos eletrônicos têm a mesma propriedade que outras atividades por manterem a mente da pessoa ativa de alguma forma.

"A atividade pode ajudar aumentando as sinapses entre os neurônios. Ajuda a evitar a perda de memória e algumas doenças degenerativas e pode postergar o aparecimento de outras. Mas não pode ser em excesso. E se o paciente tiver que ter uma doença como o Alzheimer, vai ter de qualquer jeito."

Sonia diz que, treinando com jogos, o usuário pode ficar mais veloz em perceber um estímulo visual na tela, mas isso não quer dizer que ficará mais rápido em outras atividades do cotidiano. "Quem garante que vai deixar o reflexo mais rápido no carro. É muito mais interessante tentar lembrar uma notícia do que ficar lendo um computador", afirma. Entre as atividades recomendadas pela médica estão palavra-cruzada, sudoku e jogo da memória.

On-line
Além do videogame, a internet é também terreno vasto para proliferação desse tipo de jogos, a maioria voltados ao público em geral. Um deles, o www.brainbuilder.com promete resultados em poucos meses. Há também sites em português com jogos de raciocínio, sem a promessa de melhorar a memória, entre eles o http://rachacuca.com.br/.

*Colaborou Cláudia Collucci, da Reportagem Local

Videogame é ferramenta encontrada por empresária para manter mente ativa
Aos 65 anos de idade, Ana Maria Vanderlinde tem como um de seus hobbies os jogos eletrônicos. Seja na casa de seus netos na Granja Viana, em Cotia (Grande SP), onde joga videogame ou no Age Seniors Center, centro voltado para a terceira idade em São Paulo, onde usa o computador, Ana põe os neurônios para funcionar com diferentes jogos.

Entre os "games" preferidos estão o golfe e o tênis, jogos em que ela diz treinar a atenção e a coordenação motora. "Jogo um de corrida em que preciso decorar os obstáculos nas curvas para ganhar pontos. Ajuda a treinar a memória", afirma.

Manter a mente ativa e se divertir são objetivos da empresária, que ainda costuma participar de campeonatos de palavras-cruzadas, mas em papel.

Ana se programa para começar em julho um novo programa de jogos de treinamento cognitivo pelo computador. "Já joguei e terei uma vantagem em relação aos outros", diz.

Segundo Cristiane de Paula Felipe, coordenadora dos programas do Age Seniors Center, os exercícios com jogos serão mais uma forma de manter a memória dos idosos preservada. "O foco é melhorar a atenção, que pode ser um dos motivos do problema de memória."

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Fonte: Folha de S.Paulo - Cotidiano, 25/5/2008. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br:80/folha/informatica/ult124u405167.shtml


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Atualizado em 22/05/2012 13:12:05