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Participação no III CIPA


Neste texto, gostaríamos de partilhar com nossos amigos e colegas a satisfação de ter participado do III Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto) Biográfica – CIPA, realizado em Natal entre 14 a 17 de setembro. 01/09/2010 - por Maria Augusta Lós Reis, Maria Olívia Araujo, Rita Amaral - pesquisadora mentora, Vera Brandão – pesquisadora mentora na categoria 'Memórias'

Neste texto, gostaríamos de partilhar com nossos amigos e colegas a satisfação de ter participado do III Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto) Biográfica – CIPA, realizado em Natal entre 14 a 17 de setembro. Integrantes do Grupo de Estudos da Memória – GEM – NEPE/PUCSP tivemos nossos projetos aceitos em uma das sessões de comunicação e na apresentação de pôsteres.

Como comunicação, no eixo temático VI - Saber Coletivo e saber sobre si: criações e resistências sociais a profª Vera Brandão partilhou a coordenação das apresentações com a profª Kátia Maria Santos Mota da UNEB. Além da coordenação as profªs Kátia e Áurea P. Santos apresentaram o trabalho Memórias de idosos “analfabetos funcionais” na comunidade negra de Saquinho, Ba.

A profª Vera apresentou o trabalho São Paulo: A Cidade, A memória, O Sonho, cujo resumo apresentamos a seguir. Nesta sessão de comunicação foram apresentados vários outros interessantes trabalhos, possibilitando uma troca bastante enriquecedora entre os pesquisadores presentes.


Vera Brandão da PUC-SP e Kátia Santos Mota da UNEB

SÃO PAULO
A Cidade, A Memória, O Sonho.

Brandão, Vera Maria A. Tordino
Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE – do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP.


Este trabalho apresenta os resultados do projeto São Paulo 450 anos: Memória Viva – Cidadania Ativa, realizado entre 2003 e 2005, realizado em pareceria entre o NEPE-PUCSP e a Secretaria da Saúde do Município de São Paulo / Cogest.

O objetivo geral foi: evocar por meio das narrativas, orais e escritas dos moradores idosos, a história de seis bairros da cidade de São Paulo na comemoração dos seus 450 anos de fundação. Desdobrou-se em dois objetivos específicos: - com profissionais: sensibilizar os profissionais da área da saúde para escuta sensível e o potencial da memória sócio-afetiva, por meio das oficinas de formação (auto) biográficas; preparar para a implementação das Oficinas (auto) biográficas junto aos idosos: -com idosos: narrar, escrever e re-apropriar-se das histórias do bairro e da cidade; produzir os cadernos de memória; promover o intercâmbio intergeracional e a participação na vida social da comunidade; favorecer o empoderamento, base do envelhecimento ativo e cidadão.

A metodologia se desenvolveu em duas etapas: - Capacitação de quinze profissionais, por meio da Oficina de Formação – Memória (Auto) Biográfica: Teoria e Prática; Supervisão da implementação, mediação e execução das Oficinas (Auto) Biográficas, com os idosos das unidades de saúde dos bairros: Aricanduva / Carrão; Lapa; Mooca; Pinheiros; Santo Amaro e Sé – cujo critério de escolha considerou o número de idosos residentes e a antiguidade do bairro.

Conclusões: Os resultados, do trabalho de formação e do desdobramento junto aos idosos, foram considerados positivos analisando:

  • O aspecto formativo dos profissionais: avaliações escritas; observação durante o trabalho de supervisão; o resultado do processo de mediação e material produzido.
  • O número de idosos participantes - 62 idosos - 11 do sexo masculino e 51 do feminino - com idades de 59 a 89 anos, de diferentes profissões, escolaridade e locais de procedência, evidenciando a diversidade sócio-cultural das origens familiares, característica do multiculturalismo da cidade de São Paulo.
  • O resultado material - o caderno de memórias – com as narrativas escritas pelos idosos, lançado em eventos festivos da comunidade.
  • A participação dos idosos, narrando suas história, em diferentes mídias, incluindo sua divulgação no Portal de Envelhecimento – www.portaldoenvelhecimento.net
  • Publicação do trabalho final em edição especial da Revista Kairós – publicação acadêmica do PEPG em Gerontologia PUCSP - com as narrativas e fotos. (2005)
  • A visibilidade deste grupo etário, promovendo mecanismos sociais de empoderamento – poder sobre si - inclusão social, reafirmação identitária, integração intergeracional, re-apropriação da cidade - “espaços de vida” - valorizando-os como sujeitos históricos, apontando para um envelhecimento independente e integrado.

Palavras-chave: formação; memórias e lugares; envelhecimento.

Na modalidade pôster foram expostos dois trabalhos

I - Memória Social, Espaço e Tempo.

Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE / Grupo de Estudo da Memória -  GEM – do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP.

Eixo Temático VI. Saber Coletivo e saber sobre si: criações e resistências sociais.

Lós Reis, Maria Augusta - augustalos@uol.com.br
Amaral, Rita - silveiramaral@uol.com.br;
Brandão, Vera Tordino - veratordino@hotamail.com

O objetivo principal da pesquisa deste tema foi desenvolver um trabalho coletivo interdisciplinar buscando: articular teoria e prática de um grupo heterogêneo de 10 profissionais; preparar e realizar a pesquisa; articular as narrativas dos idosos focando sua vinculação com a manutenção do espaço-tempo na memória (auto) biográfica e sua relevância na (re) construção das identidades e noção de pertença dos sujeitos em cenário de aceleradas mudanças; produzir um texto final, que refletisse a construção de um saber compartilhado e agregador, ciclo de realimentação constante das teorias e dos indivíduos.

A metodologia da pesquisa qualitativa, realizada na cidade de São Paulo, teve como referencial teórico principal a obra A Memória Coletiva de Maurice Halbwachs (1990), que salienta a importância dos quadros sociais da memória, relacionando memória social, espaço e tempo. Colheu as narrativas de sete idosos (2 homens e 5 mulheres) com faixa etária de 68 a 90 anos, por meio de entrevistas abertas, gravadas com prévio consentimento dos depoentes, transcritas e analisadas pelos profissionais-pesquisadores.

Outros referenciais teóricos: Damásio (1996) que vincula memória e emoção; Pollack (1989) e Thomson (1997) que evidenciam sua importância nas construções identitárias; Brandão (1999) que articula as análises das trajetórias de vida na perspectiva da Antropologia interpretativa.

O trabalho enfrentou muitos desafios, mas os resultados foram considerados positivos tanto como prática de formação continuada interdisciplinar, como na construção de um texto coletivo, posteriormente publicado.

A pesquisa evidenciou a importância do espaço-tempo na organização e preservação da memória, presente em 70% dos relatos, e que, apesar do avanço da tecnologia e novas dinâmicas políticas, econômicas e sociais, a memória (auto) biográfica permanece como ponto de referência e apoio para a definição das identidades dos sujeitos, e na sua recomposição e ressignificação.

Palavras chaves: formação continuada, memória (auto) biográfica, espaço-tempo.

GEM/Pesquisadores: Eva Martinho do Valle - Pedagoga, Lucia Medina Pupo - Assistente Social, mestre em Gerontologia; Maria Aparecida Oliveira - Pedagoga; Maria Augusta Lós Reis - Psicopedagoga; Maria Beatriz Sertório Teixeira - Assistente Social; Maria da Graça Lorenzetto - Assistente Social, mestre em Serviço Social; Maristela Forli Catanoso - Psicóloga; Patrícia Cabral - Psicóloga, mestre em Gerontologia; Rita Amaral - Pedagoga;  Vera Brandão - Pedagoga, doutora em Ciências Sociais - Antropologia.


Vera Brandão, Rita Amaral e Maria Augusta Lós Reis na apresentação dos pôsteres

II - Conversando com residentes de Instituições de Longa Permanência para Idosos.
Eixo temático- VI. Saber coletivo e saber sobre si: criações e resistências sociais.

Amaral, Rita Duarte
Lós Reis,Maria Augusta.


Partindo da idéia de que a situação do idoso asilado requer um olhar diferenciado, estabelecemos como objetivo deste trabalho a possibilidade de criação de um território de inclusão e valorização onde, através da escuta, reflexão e troca, pudessem ser  construídos novos significados para a trajetória de vida, ampliando os laços entre os residentes e sua própria auto-estima. A elaboração de um caderno de memórias – material gráfico e visual onde ficaram registradas suas lembranças – deu voz e visibilidade aos sujeitos envolvidos e, ao trabalhar a atenção, a síntese e a conclusão,  visou preservar suas funções cognitivas.

A metodologia qualitativa teve como referencial teórico, entre outros autores, Izquierdo, Bérgson, Halbwachs, Pollack e Thomson, e a participação das pesquisadoras no Projeto de formação continuada Oficina de Memória (Auto) biográfica. Teoria e Prática e no Grupo de Estudos da Memória - GEM - ligado ao Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento.

Foram desenvolvidas quatro Oficinas de Memória (auto) biográfica em duas ILPIs,  com duração de oito encontros semanais, com um grupo de até dez participantes entre 70 e 95 anos ,totalizando 25 idosos, sendo os critérios de elegibilidade do grupo lucidez e preservação auditiva.

Os resultados apontam que este tipo de trabalho, onde as memórias individuais se entrelaçam às coletivas, tendo como pano de fundo a memória histórica que as contextualiza, traz à tona as situações sócio-familiares partilhadas por cada um, a partir das quais os participantes podem (re) construir uma nova “comunidade afetiva”, no espaço institucional.

Pudemos registrar melhora nas funções cognitivas e no vocabulário, e depoimentos expressando agradecimentos e sentimentos de melhora na qualidade de vida, segundo avaliação subjetiva feita pelos idosos, pelas pesquisadoras e por outros profissionais das Instituições.

Palavras chaves: memória (auto) biográfica; idosos; Instituição de Longa Permanência - ILPI.

A diversidade encontrada na exposição dos pôsteres demonstra a importância da pesquisa autobiográfica nos mais diversos territórios, desde relatos de catadores de lixo até trabalhos realizados em escolas e hospitais, perpassando também por figuras históricas. Num mundo de relações fluídas, percebemos a necessidade e a importância atribuída narrativa como meio da (re) construção identitária.

Gostaríamos, nesta ocasião, de registrar a riqueza de possibilidades aberta pela pesquisa (auto) biográfica e de quão necessário se faz implementar o trabalho junto à população que envelhece. Sem dúvida, é um convite, mas também um desafio que lançamos a todos que, direta ou indiretamente, estão envolvidos no processo de pesquisa e práticas gerontológicas.

Para completar trazemos as observações feitas por Maria Olívia Araújo, pesquisadora do GEM e presente no III CIPA.

Considerações sobre o III Congresso Internacional sobre Pesquisa
(Auto) Biográfica (III CIPA)
Maria Olivia de Araújo - araujolivia@uol.com.br

Integrante do Grupo de Estudos da Memória – GEM e participando pela primeira vez de uma pesquisa que envolve a memória autobiográfica (Pesquisa com tema – Memória Autobiográfica, Envelhecimento e Espiritualidade), tomar parte do III CIPA foi de fundamental importância. Assim passo a relatar as considerações do que chamou minha atenção durante o evento.

  • O III Congresso de Pesquisa (Auto) biográfica voltado para a educação deu destaque à importância das histórias de vida dos indivíduos, ferramenta que vem contribuindo significativamente para processo de aprendizagem, conforme experiências apresentadas.

  • A proposta temática de utilização do corpo como território dos símbolos, das emoções e subjetividades, apresenta e reforça a importância de se explorar espaços e tempos – cronos e kairós – tempo vivido – territórios dos saberes e experiências dos sujeitos. Valorizando os espaços geográficos que acolhem o corpo, universo do entrelaçamento de tempos e experiências.

  • Outro ponto relevante é o de que a pesquisa (auto) biográfica requer um ambiente de trabalho sincronizado com as demais ciências, proporcionando uma articulação e atuação interdisciplinar.

  • Presente às atividades do III CIPA foi possível identificar nas falas dos conferencistas termos, argumentações e expressões que temos utilizado na análise das entrevistas, pesquisa que ora desenvolvemos, o que nos dá segurança para prosseguir em nosso trabalho.

  • Observando os diversos acadêmicos presentes no Congresso pude identificar uma postura diferenciada, mais moderna e arrojada, abertos a novas propostas, novas articulações, à convivência e trocas abertas e plurais.

  • Também foi possível constatar que as diversas pesquisas relatadas, utilizando a memória, as histórias e experiências dos sujeitos, estão sendo desenvolvidos em diferentes lugares do Brasil e do mundo, como instrumento de investigação do humano, por exemplo, na área da saúde promovendo, entre outras, uma melhor atuação para atendimento aos acamados. Verificamos igualmente que, em um mundo tão desumano, as narrativas das histórias das pessoas pode ser utilizada para superação de traumas causados pelas muitas formas de violência presentes na sociedade. Também nos trabalhos com estudantes imigrantes, que buscam suas raízes objetivando identificar suas aptidões, com a finalidade de definir carreiras profissionais e movimentos de resistências.

  • O III Cipa transcorreu num clima democrático, oferecendo oportunidade para todos os tipos de propostas dentro da temática (auto) biográfica. Consideramos a criação da Associação de pesquisadores dessa área como fundamental para o desenvolvimento e legitimação da pesquisa autobiográfica.


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Atualizado em 23/05/2012 03:00:52