Resumo: O Serviço de Assistência Domiciliária (SAD) do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo foi criado em 1994. Sua finalidade é assistir pacientes que apresentam dificuldades totais ou parciais de locomoção, levando conforto, tratamento, medicações, coletas e resultados de exames, sem deslocá-los de seus domicílios. O objetivo deste estudo é ressaltar a função desempenhada pelo cirurgião dentista como integrante da equipe interdisciplinar na prática da assistência domiciliária. Foram revisados 110 prontuários de pacientes atendidos de maio/1998 a maio/2001, 63% eram mulheres e 37% eram homens, com idade variando entre 60 e 95 anos. Dos 110, 75% eram edentados e 25% dentados. Entre os edentados, 35% não utilizavam próteses, e 65% tinham próteses totais. Destas, 35% necessitavam troca, 46% necessitavam de reembasamento e 19% estavam boas. Dos 27 pacientes dentados, 89% apresentavam doenças periodontais e ou lesões cariosas. Apenas 11% apresentavam saúde bucal. A higiene bucal foi considerada precária em 39% dos casos, aceitável em 34% e boa em 27%. Treze por cento dos pacientes apresentavam apenas uma doença de base e 87% apresentavam duas ou mais. Sete por cento dos 110 pacientes recebiam dieta por sonda e 93% por via oral. A análise desta casuística permite concluir que a população entre 60 e 95 anos de idade, assistida em domicílio, apresenta precária situação de saúde bucal. A atuação do cirurgião-dentista é considerada imprescindível dentro do contexto da equipe interdisciplinar .
Palavras-Chave: Atendimento domiciliar; equipe; saúde bucal.
Introdução
Inicialmente o atendimento em domicílio era centralizado em um único profissional da área de saúde, o qual assumia por completo a assistência ao paciente. Atualmente profissionais de diversas áreas atuam conjuntamente, formando uma equipe interdisciplinar, compartilhando a assistência e as responsabilidades. Em função da atuação em equipe, aproveita-se o conhecimento específico de cada profissional em sua área, e a atenção dispensada ao paciente torna-se integrada e completa. Desde 1994, o Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo oferece a seus usuários, o Serviço de Assistência Domiciliária (SAD) que tem por finalidade dar assistência a pacientes que apresentam dificuldades totais ou parciais de locomoção. Contando com 10 profissionais de diversas áreas, a equipe leva apoio, tratamento, medicações, coleta de material para exames laboratoriais e resultados de exames; evitando ao máximo a locomoção dos pacientes de seus domicílios, permitindo desta forma, que tenham maior conforto e bem estar. As visitas aos domicílios são feitas de 2ª à 6ªfeira, no período da manhã e da tarde. A cada 15 dias, a equipe se reúne para discussão dos casos clínicos, pois é importante que os demais integrantes da equipe participem da atuação proposta por cada profissional.
Trabalho em equipe nos domicílios

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Figura 02 |
Figura 03 |
Objetivo
Este trabalho visa demonstrar a função desempenhada pelo cirurgião dentista, como parte integrante da equipe interdisciplinar, destacando a importância da saúde bucal na prática da assistência domiciliária .
Atendimento do dentista nos domicílios
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Figura 07 |
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Figura 08 |
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Casuística e método
Resultados
Dos 110 pacientes examinados, com idade variável entre 60 e 95 anos, constatou-se que 63% eram mulheres e 37% eram homens (graf.1), confirmando a longevidade maior nas mulheres segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2002. Para melhor avaliarmos a saúde geral desses pacientes, é necessário considerar a ocorrência das doenças de base. Neste sentido, identificamos que apenas 13% apresentavam uma, e que 87% apresentavam duas ou mais (graf.2), demonstrando a alta complexidade desses pacientes. As doenças de base mais freqüentes, em ordem de prevalência, eram: Acidente Vascular Encefálico (AVE), Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes Méllitus e Demência do Tipo Alzheimer.


Grande parte desses pacientes apresentam seqüelas devido à AVE ou limitações devido a demência, e via de conseqüência, perdem parcialmente ou totalmente a autonomia, que é a capacidade de tomar decisão, e a independência , que é a capacidade de realizar algo com os seus próprios meios (Sérgio Paschoal,1999); de forma a apresentarem dificuldades na realização de suas atividades de vida diária (AVDs), sejam elas básicas ou instrumentais, necessitando portanto da ajuda de terceiros, podendo ser da família ou contratado, os quais recebem o nome de cuidador. Este ajudará o paciente em suas necessidades diárias, como banhar, vestir, locomover, alimentar e também na realização da higiene oral (H.O.). Considerando a participação do cuidador, fizemos um levantamento segundo a natureza da realização da higiene oral, onde se constatou que 23% dos pacientes conseguem realizar sua H.O. sozinhos, ou seja, sem a participação do cuidador. Em 16% dos casos, há dependências parciais, pelo que se adota a técnica do revezamento no cuidado da H.O., ora paciente, ora cuidador, pois este revezamento serve para que o paciente mantenha o interesse e a motivação, o que favorece o afastamento da idéia de incapacidade. Em 61%, os pacientes são totalmente dependentes, o que impõe a obrigatoriedade da realização da H.O. pelos cuidadores (graf.3). Quanto à qualidade da H.O., consideramos precária em 39%, aceitável em 34% e boa em 27% (graf.4).
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4 - Distribuição de freqüência de pacientes examinados segundo a qualidade da higiene oral, SAD, 2005. |
Quanto à via de ingestão de dieta, 93% utilizavam via oral e 7% recebiam dieta por sonda (graf.5). Apesar de serem pacientes complexos, na quase totalidade dos mesmos, a alimentação era realizada por via oral, o que reforça a importância da participação do cirurgião dentista nos cuidados preventivos e terapêuticos, para que os pacientes possam apresentar boa saúde bucal, permitindo a adequada mastigação e deglutição.
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5- Distribuição de freqüência de pacientes examinados segundo a via de ingestão de dieta, SAD, 2005.
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Perfil de saúde bucal
Analisando o perfil odontológico desta casuística, dos 110 pacientes examinados, 75% eram edentados e 25% dentados (graf.6). Entre os edentados, 65% usavam próteses totais e 35% não usavam (graf.7). A partir deste resultado, analisamos as próteses quanto à sua adaptação, onde 35% necessitavam troca, 46% reembasamento e apenas 19% apresentavam adaptação aceitável (graf.8). Desta avaliação, temos a somatória de que 81% das próteses necessitavam de algum tipo de intervenção do dentista, seja para troca ou para reembasamento.
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6 - Distribuição de freqüência de pacientes examinados segundo edentulismo, SAD, 2005 .
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7 - Distribuição de freqüência de pacientes examinados, edentados, segundo uso de próteses totais, SAD, 2005.
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Dos pacientes dentados, 53% apresentavam lesões cariosas e doenças periodontais, 36% somente doenças periodontais, enquanto que em 11% verificamos ausência de ambas (graf.9). Deste resultado, analisamos que 89% desses pacientes necessitavam da intervenção do cirurgião dentista.
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8 - Distribuição de freqüência de pacientes examinados que usam próteses totais, segundo adaptação das próteses, SAD, 2005. |
9 - Distribuição de freqüência de pacientes examinados, dentados, relacionando a necessidade de tratamento, SAD, 2005. |
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Conclusões
Referências bibliográficas
1. Bluestone E M, “The principles and practice of home care”. Jama 1954.
2. Campostrini E P, Zenóbio E G. Avaliação pelo odontólogo. In: Maciel A C. Avaliação multidisciplinar do paciente geriátrico, Rio de Janeiro: Revinter; 2002. p. 179.
3. Duarte YAO, Diogo MJD. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu; 2000. 630 p.
4. Hebling E. Prevenção em odontogeriatria. In: Pereira AC et al. Odontologia em saúde coletiva. Rio de Janeiro: Artmed; 2003. p. 426.
5. Jacob-Filho W, Sitta MC. Interprofissionalidade. In: Papaléo-Netto M. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada, São Paulo: Atheneu; 1999. p. 440.
6. Luders SLA, Storani MSB. Demência: impacto para a família e a sociedade. In: Papaléo-Netto M. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada, São Paulo: Atheneu; 1999. p. 146.
7. Paschoal SMP. Autonomia e independência. In: Papaléo-Netto M. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada, São Paulo: Atheneu; 1999. p. 313.
8. Pinto V G. Identificação de problemas. In: Pinto V G. Saúde bucal coletiva, 4ª ed. São Paulo: Santos; 2000. p. 179.
9. Vieira EB. Acidente vascular encefálico. In: Vieira EB. Manual de gerontologia, Rio de Janeiro: Revinter; 2004. p. 3.
10. Vieira EB. Assistência em domicílio/domiciliar/domiciliária. In: Vieira EB. Manual de gerontologia, Rio de Janeiro: Revinter; 2004. p. 37
11. Vieira EB. Atividade da vida diária-AVD. In: Vieira EB. Manual de gerontologia, Rio de Janeiro: Revinter; 2004. p. 41.
12. Vieira EB. Motivação. In: Vieira EB. Manual de gerontologia, Rio de Janeiro: Revinter; 2004. p. 221.
Mirtes Helena Mangueira da Silva Dias - Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM) . Cirurgiã Dentista da Clínica Geronto-Geriátrica e do Serviço de Assistência Domiciliária do HSPM. Especialista em Odontogeriatria pelo CFO. E-mail: mirteshdias@bol.com.br
Matheus Papaléo Netto - Professor Livre-Docente de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.
Ricardo Soares - Médico Geriatra do HSPM
Ary de Held Filho - Cirurgião Dentista; Coordenador de Saúde Bucal do HSPM
Maria Stella Moreira - Cirurgiã Dentista do HSPM; Mestre em Endodontia pela FOUSP
Observação: Os artigos postados nesta sessão são encaminhados
pelo Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro
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