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Uma doença esquecida


HUB oferece tratamento especializado para a Síndrome da boca seca, doença que resseca a saliva e as lágrimas 25/08/2010 - por portal na categoria 'Odontogeriatria'

Apoena Pinheiro/UnB Agência

Imagine chorar sem lágrimas. Ou então ter de engolir um alimento sem a ajuda da saliva. Para quem tem a Síndrome de Sjögren, também conhecida como síndrome da boca seca, o desconforto é experimentado diariamente. Apesar de acometer cerca de 2% da população mundial, a doença é, muitas vezes, esquecida pelos médicos na hora do diagnóstico. “Os sintomas de Sjögren são facilmente confundidos com problemas provocados pela baixa umidade do ar, principalmente em cidades com período de seca prolongado. Por isso, quase nunca o médico levanta a hipótese de o paciente possuir a síndrome”, explica o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) Leopoldo dos Cantos Neto. Ele é um dos especialistas responsáveis pelo tratamento de referência da doença oferecido no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Como os sintomas da síndrome estão relacionados aos olhos – sensação de areia na retina, ardência e fotofobia – ou à boca – redução da quantidade e qualidade da saliva –, os pacientes procuram primeiro oftalmologistas ou dentistas para um tratamento. Muitos deles, no entanto, desconhecem a doença, que é diagnosticada por um reumatologista ou por um clínico geral. “Na própria faculdade, essa doença é pouco lembrada e estudada. Mas na UnB temos muitos especialistas interessados em pesquisar o assunto”, afirma Neto.

 

A principal preocupação dos médicos é melhorar a qualidade de vida dos portadores, já que a síndrome não tem cura. O tratamento é paliativo: os pacientes têm que aplicar lágrimas e saliva artificiais. “A pessoa com a síndrome começa a ter dificuldades para mastigar e engolir os alimentos. Antes de dormir, é preciso ainda passar um gel para não ressecar os olhos, que sempre permanecem um pouco abertos”, detalha o professor. Quem trabalha o dia inteiro em frente ao computador ou em sala com ar condicionado tem de proteger ainda mais os olhos e a boca.

 

Proteção

A Síndrome de Sjögren é uma doença auto-imune que acomete as glândulas lacrimais e salivares, ou seja, o corpo reconhece essas estruturas como estranhas e começa a combatê-las. Com o tempo, as glândulas diminuem a produção de saliva e lágrimas, reduzindo a proteção dos dentes, da gengiva e dos olhos. “É muito comum as pessoas perceberem um aumento no número de cáries e até começam a perder dentes por conta da baixa qualidade da saliva”, conta o médico. A língua e a gengiva também sofrem com inflamações pelo mesmo motivo.

 

A causa da doença, no entanto, não é conhecida. Acredita-se que os pacientes possuam um componente genético que pode ser “ativado” por infecções banais como as causadas por vírus. Os portadores de outras doenças auto-imunes como o lúpus, a artrite reumatóide e o diabetes também podem desenvolver a síndrome. De acordo com Neto, mais da metade dos pacientes apresentam Sjögren na forma secundária – associada a uma outra doença.

 

Quando chega ao HUB, o paciente com suspeita da síndrome é atendido por um reumatologista ou um clínico geral. O diagnóstico só pode ser confirmado depois de exames de sangue, visão e saliva (veja lateral). “Contamos com muitos especialistas – clínicos, dentistas, oftalmologistas – nessa área. É um trabalho em equipe, que garante um atendimento de referência”, garante. As consultas no HUB são gratuitas, mas, pelo Sistema de referência do SUS é preciso passar antes por um posto de saúde da rede pública para ser encaminhado ao hospital.

 

Diagnóstico

 

Alguns exames podem ser úteis para obter o diagnóstico de Síndrome de Sjögren:

Realizado por um oftalmologista
- Teste de Schirmer: mede a produção de lágrima;
- Teste do corante Rosa Bengala: observação com uma lâmpada especial para avaliar o filme lacrimal (camada formada pela lágrima sobre a córnea, para proteger o olho);

Realizado por um cirurgião dentista
- Medida da produção de saliva e exame das glândulas salivares;
- Biópsia das glândulas salivares secundárias localizadas nos lábios com o objetivo de determinar a presença de linfócitos – exame realizado por um cirurgião dentista;

Solicitado por um reumatologista
- Exame de sangue para marcadores específicos: este teste não é  definitivo, porque nem todas as pessoas com Sjögren apresentam resultados positivos.

Fonte: ONG Lágrima Brasil

 

Como identificar a doença?

Nem todas as pessoas que sofrem com a Síndrome de Sjögren apresentam os mesmos sintomas. É preciso, no entanto, prestar atenção em algumas características que podem se repetir entre os portadores da doença:

- Secura nos olhos e na boca;
- Sensação de corpo estranho ou areia nos olhos;
- Hipersensibilidade à luz;
- Dificuldade de engolir alimentos;
- Sede excessiva;
- Rouquidão constante;
- Úlcera na boca ou infecções na cavidade oral;
- Inchaço nas glândulas abaixo e ao redor das mandíbulas;
- Aumento súbito de cáries ou perda de dentes;
- Mudança no paladar ou olfato;
- Cansaço excessivo e sem explicação;
- Existência de doenças do tecido conjuntivo: artrite reumatóide, lúpus ou esclerodermia.


O professor Leopoldo dos Santos Neto
é mestre e doutor em Imunologia pela UnB. Atualmente é coordenador da pós-graduação e professor de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UnB. Atende como clínico-geral do Hospital Universitário de Brasília.

E-mail leoneto@uninet.com.br.

___________________________________

Fonte: ACS - Assessoria de Comunicação da UnB.
Disponível em:
http://www.unb.br/acs/bcopauta/saude39.htm

Observação: Os artigos postados nesta sessão são encaminhados
pelo
Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro


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