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Cirurgia cura câncer de próstata reincidente


Pesquisa feita na Europa, nos EUA e no Brasil acompanhou 404 homens; procedimento pode levar à impotência. Maioria dos pacientes já submetidos a radioterapia e operados após a volta da doença teve sobrevida de dez anos 08/07/2011 - por Mariana Pastore na categoria 'Saúde-Doença'

Um estudo publicado na edição de abril da revista European Urology mostrou que é possível
curar o câncer de próstata mesmo após o retorno do tumor.

O trabalho, feito com pacientes que já tinham sido submetidos a radioterapia após o
diagnóstico inicial, indica que a cirurgia de remoção da próstata é eficaz para eliminar o tumor.
Conduzida em oito centros oncológicos na Europa, nos EUA e no Brasil (na USP), a pesquisa
acompanhou 404 homens com idade média de 65 anos, que fizeram cirurgia radical da
próstata após recidiva do câncer tratado com radioterapia.

Os pacientes foram acompanhados por dez anos após a cirurgia. Dos 404 que participaram do
estudo, 195 (75%) sobreviveram sem metástase. Em 64 deles, o tumor voltou e 40 morreram.
Segundo o urologista do HC e do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) Daher
Chade, que liderou o estudo no país, é a primeira vez que uma pesquisa comprova essa
possibilidade.

Hoje, doentes que fizeram radioterapia e voltam a ter câncer são tratados com
hormonioterapia, um tipo de químio que controla o crescimento do tumor, mas não o elimina, e
aumenta a sobrevida em cerca de dois anos.

No país, 20% dos homens diagnosticados com a doença fazem radioterapia. A outra opção é a
cirurgia.

Após a radioterapia, o câncer volta em 20% a 40% dos pacientes. Antes, quando isso
acontecia, a doença era considerada incurável. Sempre houve uma suspeita de que a
cirurgia poderia eliminar o tumor, mas só agora confirmamos a hipótese, afirma Chade. O
procedimento é o mesmo aplicado nos diagnosticados com câncer de próstata que optam pela
operação logo no início.

Essa é outra vantagem, os urologistas já sabem fazer.

Segundo Chade, a cirurgia tem maior chance de cura mas, também, maior chance de
complicações. Muitos homens não querem correr o risco de ficar impotentes ou com
incontinência urinária, mesmo sob o risco de não serem curados com a radioterapia. Por isso,
cada vez mais está se indicando a radioterapia como primeiro tratamento.

Restrições
O urologista Miguel Srougi, professor da USP e coautor do estudo, explica que não são todos
os doentes que podem ser submetidos ao procedimento.

Se o tumor voltar de forma muito agressiva, como no caso do ex-governador Orestes Quércia,
morto no ano passado, a cirurgia não pode ser feita. Também está descartada em pacientes
com PSA [antígeno prostático específico] muito alto no começo, ou quando a radioterapia
produziu muita aderência na região da próstata.

Para Miguel Srougi, embora cure um número razoável de casos, o procedimento tem mais
complicações do que a cirurgia feita logo após o diagnóstico. O urologista explica que a
pesquisa tem um viés. Os pacientes do estudo foram tratados em centros de excelência, por
cirurgiões mais experientes que a média.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1404201102.htm.


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Atualizado em 23/05/2012 20:57:05