Contrariando as práticas do mundo de negócios, muitos idosos têm se mostrado capazes de não só continuarem trabalhando, mas também assumirem cargos de comando em muitas empresas que estão descobrindo que a terceira idade tem sim muito ainda a oferecer ao mercado de trabalho.
É exatamente o que aconteceu com o empresário Ueze Zahran que depois de reerguer uma padaria praticamente falida em Mato Grosso, conseguiu juntar dinheiro, comprar uma casa para a mãe e levar de presente para ela de São Paulo para Mato Grosso, um fogão à gás, produto ainda inexistente na cidade nos anos 50. Mas naquela época também não havia por lá fornecimento de gás e foi aí que o empresáio inovou, quando vislumbrando através da deficiência a oportunidade de negócios e criou então a Copagaz, a primeira empresa do Grupo Zahran que figura entre as 6 maiores distribuidoras de gás liquefeito do país, com faturamento de R$ 1,1 bilhão e que o empresário, hoje aos 85 anos, ainda preside e não pensa em tão cedo ser substituído:"Não pretendo morrer nos próximos 20 anos. E essa empresa só está de pé desde 1955, modéstia à parte, porque estou aqui." O empresário chega às 9h30 no escritório e recebe o relatório das vendas do dia anterior - ele mantém sempre à mão uma planilha com os preços máximos, médios e mínimos para o GLP ao longo do mês.
Zahran é conhecido por circular nas esferas de poder nas últimas décadas martelando o que diz ser uma obsessão pessoal - a obrigatoriedade do teste de qualidade dos botijões de gás a cada dez anos, regra aplicada no País desde 1997, mas que, segundo ele, não é inteiramente cumprida pelo mercado. "Eu vou terminar de testar os meus em 15 dias, com três anos de atraso. Mas há botijões no Brasil que nunca foram testados em 50 anos. É a segurança das famílias que está em jogo", afirma.
Outro exemplo de empreendedor octogenário que está na linha de frente de grandes negócios brasileiros é Anis Razuk, fundador da confecção Zelo, 88 anos, dá expediente até hoje na sede da empresa, no centro de São Paulo, embora já tenha repassado o comando da empresa para o filho Mauro. Já Adelino Colombo, 80 anos, ainda comanda as decisões da gaúcha Lojas Colombo, embora haja rumores de que ele esteja preparando sua saída para breve.
Recém-saído do processo de sucessão, Raul Randon, 81 anos, deixou a presidência executiva da empresa em 2009. A decisão de repassar o comando do grupo Randon ao primogênito David foi tomada em cúpula: quatro dos cinco filhos do fundador são executivos da holding que concentra dez empresas, incluindo a fábrica de carretas, o negócio de autopeças e atividades ligadas ao agronegócio.
O sistema de decisões conjuntas aplicado na família migrou para a empresa, conta Randon. "Hoje está tudo montado de uma maneira em que um só não resolve nada." Apesar do aspecto democrático, o empresário afirma não abrir mão de que o executivo-chefe carregue o nome da família: "Os nossos diretores sabem que podem chegar a vice-presidente, mas o presidente sempre será um Randon."
Mas em uma empresa sob comando de um octogenário, tem lá suas peculiaridades no dia a dia. Na Copagaz, por exemplo, Zahran mantém um copeiro, vestido de terno branco, para atender as visitas importantes - categoria em que a reportagem do Estado foi incluída. Muitos dos funcionários também ganham o status de "escudeiros". A secretária, Elizete, trabalha com Zahran há 37 anos. Há cinco anos, escreveu um livro sobre a vida do chefe. "Ela me parava no corredor e fazia um monte de perguntas. Eu não entendia nada", lembra ele.
Razuk e Randon, que já estão fora das decisões diárias dos negócios, priorizam a qualidade de vida: o dono da rede Zelo tira um cochilo após o almoço em sua sala, todos os dias. O fundador da Randon acorda às 6h, mas só chega no escritório às 9h30. Antes, pratica natação e toma café da manhã com calma - duas vezes por semana, aproveita também para fazer uma massagem antes do trabalho.
E assim como esses, existem muitos outros exemplos de idosos atuantes e influentes no mundo dos negócios, provando que com o tempo, muitas coisas mudam em nós, algumas delas, para bem melhor, fazendo com que essa experiência profissional juntamente com à experiência de vida, seja cada vez mais sinônimo de sucesso nos negócios.
Fonte: "http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,aos-80-ou-mais-eles-comandam-grandes-negocios,48628,0.htm"