
Muitas pessoas perguntam: O que seria o “bônus demográfico” que tanto se comenta na mídia? Bônus demográfico é o momento em que a estrutura etária da população atua no sentido de facilitar o crescimento econômico. Isso acontece quando há um grande contingente da população em idade produtiva e um menor número de idosos e crianças.
Atualmente o Brasil se beneficia desse efeito tendo a seu favor um enorme contingente de habitantes em idade útil para o trabalho, enquanto cai a taxa de natalidade, possibilitando mais recursos para atendimento à população infantil e reduzindo o atraso em educação e saúde.
Mas o cenário demográfico não é tão simples assim. Melhores condições de vida fizeram elevar a expectativa de vida do brasileiro para 73,5 anos, crescendo o número de pessoas com mais de 60 anos em atividade do mercado de trabalho. E não para por aí, a tendência é de crescimento.
Com uma economia funcionando a todo vapor, milhões de brasileiros, muitos deles já aposentados, continuam fazendo parte da população economicamente ativa (PEA) em todas as regiões. Segundo reportagem do “O Estado de S.Paulo”, as taxas de expansão chegam a ser muito expressivas em determinadas áreas, como o Distrito Federal (151%), o Amapá (135%) e Santa Catarina (104%). Com a experiência adquirida durante décadas, esses trabalhadores mais velhos não aceitam ser relegados à inatividade, seja por uma questão de satisfação pessoal, seja porque precisam complementar seus rendimentos.
Considerando que, nos dias de hoje, os filhos permanecem muito mais tempo na casa dos pais, as despesas de uma casa aumentam numa proporção assustadora, obrigando, muitas vezes, os idosos a arcarem com grande parte dos gastos, seja para alimentação, medicamentos e aluguel, assim como para a educação.
Contando com a aposentadoria pelo INSS, a maioria desses idosos recebe hoje, no máximo, R$ 3.691,74 mensais, se tiver 35 anos de contribuição (para os homens) ou 30 anos (para as mulheres). Os valores são consideravelmente menores no caso de aposentadoria proporcional com 30 anos de contribuição (homens) e 25 (mulheres). Como o envelhecimento progressivo da população tornou-se um fato inquestionável, é possível que nos próximos anos, a situação de carência financeira e emocional seja preocupante e de complexa resolução.
Hoje, já é clara e reconhecida a revalorização do trabalho de pessoas de mais de 60 anos por parte das empresas, principalmente para o preenchimento de vagas que exigem nível técnico elevado. O diretor da consultoria de RH Human Brasil, Francisco Monteiro da Costa, conta que depois da crise econômica, houve uma mudança de mentalidade, passando-se a valorizar também a experiência. Para ele, os selecionadores começaram a ver a possibilidade de aproveitamento de profissionais seniores e também de uma distribuição mais equitativa entre jovens e velhos nas equipes.
Em tese tudo parece perfeito, mas deve-se ter especial atenção quanto a qualificação da mão de obra, ou seja, os requisitos necessários para uma determinada qualificação. Fátima Sanchez, gestora do Instituto Personal Search diz: - O mercado sofre com um apagão de mão de obra.
O que esta afirmação quer dizer? O jornal Folha de S.Paulo, na matéria “Mercado de Aposentados” esclarece: Na ausência desse trabalhador mais tarimbado, as empresas criaram estratégias, como “desaposentar” profissionais que estavam longe do mercado. Segundo o Ministério do Trabalho, os maiores de 50 anos ocupavam 14,21% dos mais de 44 milhões de postos em 2010. Eles preencheram mais de 20% das quase 3 milhões de vagas abertas.
Números que impressionam num mercado aquecido e de grande potencial. Aloísio Buoro, professor do Instituto de Ensino de Pesquisa de São Paulo, aponta o setor de construção civil como um dos nichos promissores de recrutamento. Hoje, são inúmeros os exemplos de pessoas aposentadas há anos e que acabam retornando ao mercado de trabalho justamente pelo conhecimento técnico e vivência no tipo de trabalho solicitado.
Jacqueline Resch, sócia-diretora da empresa de recrutamento de executivos Resch Recursos Humanos, há espaço no mercado de trabalho para pessoas mais velhas, desde que estejam atualizadas. Ela ressalta: - Não dá para envelhecer nesse sentido.
Retornar para a “ciranda corporativa” implica pensar diferente. Quer dizer, a experiência profissional vivida há 20 anos, deve ser retrabalhada diante de uma realidade atual infinitamente diferente, se comparada com o passado. A tecnologia é outra, as pessoas são diferentes e os processos se dão de outra maneira. O foco é outro.
Ainda, segundo a reportagem da Folha, os especialistas apontam que os setores demandantes dos profissionais “cinquentões” capacitados são o agronegócio, a mineração e a área de energia (óleo, gás e petróleo).
Mas não desanime. Mesmo para aqueles trabalhadores sem qualificação há sempre boas oportunidades. Buoro conclui: - As empresas não estão mais restritas a contratar somente jovens. Isso amplia a oferta de mão de obra disponível.
Portanto, uma mensagem para os “maiores” qualificados e os nem tanto: animem-se, o mercado atualmente oferece possibilidades para todos os gostos. Basta coragem para o retorno, atualização e uma boa dose de criatividade!
ReferênciasO ESTADO DE S.PAULO (2012). O lugar dos idosos no mercado. Disponível em
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-lugar-dos-idosos-no-mercado-,827855,0.htm . Acesso em 28/01/2012.
GOMES, S. G. (2012). Mercado dos aposentados. Disponível no Jornal Folha de S.Paulo, Caderno Especial +50, de 24/01/2012.