Esta pergunta norteou a pesquisa quantitativa “Empreendedorismo, Trabalho e Qualidade de Vida na Terceira Idade” contendo como principal objetivo conhecer a opinião da população da terceira idade sobre as vantagens, desvantagens e perspectivas da volta ao mercado de trabalho.
A pesquisa foi aplicada a 1.304 pessoas acima de 60 anos - 738 mulheres e 566 homens -, pela empresa Idea Brasil no mês de agosto, e divulgada no evento “Empreendedorismo, Trabalho e Qualidade de Vida na terceira Idade”, no Auditório do Metrus – Instituto de Seguridade Social, em São Paulo. O evento foi organizado pelo Instituto para Promoção do Trabalho Empreendedor – Trabalho e Vida (www.trabalhoevida.com.br).
A pesquisa utilizou para a coleta de dados a técnica de entrevistas telefônicas. Dos entrevistados, 304 eram moradores de São Paulo (23%); 287 do Rio de Janeiro (22%); 268 de Salvador (21%);162 de Belo Horizonte (12%); 151 de Porto Alegre (12%); e 132 de Curitiba (10%).
Das 1.304 pessoas idosas, 877 (67%) são aposentadas e 427 (33%) ainda não se aposentaram. O Estatuto do Idoso é conhecido por 62% dos entrevistados. Para 20% as leis são boas, mas não são cumpridas, sendo que 17% consideram tais leis ótimas para garantir os direitos dos idosos.
Já para 35%, a renda garantida no final do mês, sem trabalhar, é um dos aspectos positivos da aposentadoria, mais assinalado pelos não aposentados, que talvez tenham em seu imaginário uma imagem de aposentado que não é a real. Para 12% o fato de não ter obrigação com horário consiste em outro aspecto bastante assinalado como bom.
Já como pontos negativos da aposentadoria, os entrevistados apontaram o valor baixo (27%) e o ficar sem fazer nada (14%). Família e Saúde são os aspectos mais importantes para os entrevistados, tanto aposentados quanto aposentados.
O sustento total da casa e de todos os moradores é o destino da renda da aposentadoria como já assinalado em outras pesquisas nacionais.
Aposentados
Em relação às pessoas aposentadas, 70% são por tempo de trabalho; sendo 72% homens e 86% delas moram em Curitiba. A média de aposentadoria é de 9 anos de idade, sendo a invalidez (18%) o maior motivo para a mesma. Os demais motivos se diluem em tempo de serviço, cansaço, cuidados com a saúde e renda extra/ benefício. Por falar em saúde, cuidar dela é um desejo da maioria dos aposentados, assim como realizar atividades físicas.
As expectativas mais citadas pelos entrevistados sobre a aposentadoria são viajar, descansar, ter mais tempo para a família e amigos e ter uma renda fixa, maiores índices entre as mulheres e os moradores de Curitiba. Apenas 7% apresentam como pretensão continuar trabalhando após a aposentadoria.
Dos aposentados, 31% trabalham e 69% não. Entre os aposentados que trabalham, a ocupação atual mais citada é professor (10%), sendo que 52% atua na mesma função de antes da aposentadoria, explicado pela experiência na área como o principal motivo (26%) para optar sobre a ocupação pós-aposentadoria.
Por terem conhecimento na área, incentivo de amigos e oportunidade de mercado 9% dos que trabalham tomaram a decisão de voltarem ao mercado de trabalho, principalmente homens, abrindo negócio com recursos próprios e sócios mais jovens, geralmente filhos.
Já aqueles que não voltaram a trabalhar apontaram como principais motivos não ter condições de saúde (26%), querer descansar (12%) e idade avançada (10%). Mas 15% mostraram interesse em voltar a trabalhar para aumentar a renda.
Com esta pesquisa vimos que o trabalho ainda é considerado como algo ruim, que afeta a saúde e que a aposentadoria seria o tempo para cuidar dela. Vimos também que o empreendedorismo, seja abrindo negócio próprio ou o trabalho de voluntariado não fazem parte ainda da cultura brasileira. Dado preocupante, pois se vamos viver cada vez mais, o que faremos nesses anos a mais ou no mundo da pós-aposentadoria?