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Velhice e aposentadoria: dilemas, angústias e conflitos


Um envelhecer cada vez mais tardio, uma aposentadoria cada vez mais complexa. 03/10/2011 - por Redação Portal na categoria 'Trabalho'

Padecemos de um envelhecer cada vez mais tardio. E o que fazer com esta feliz ou, talvez, terrível constatação? Bem, lá vão algumas sugestões: a primeira poderia ser correr rapidamente, antes que seja demasiadamente tarde, para os planos de previdência.

O presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), José de Souza Mendonça defendendo a educação como forma de promover a previdência complementar, sugere: "Precisamos criar uma consciência previdenciária, fazer as pessoas se darem conta de que é uma necessidade pensar o futuro e se preparar para a aposentadoria".

Tal educação compreende um longo processo, do qual menos de 3 milhões de pessoas no Brasil fazem parte deste seleto grupo "educado", que planeja a própria vida, seu desenrolar e inelutável fim. Pensar-se aos 70, 80, 90 anos, pode ser uma tarefa complexa, principalmente nos dias de hoje quando somos bombardeados com todo tipo de possibilidades de aquisições: carro, televisão, viagem, celular e muitas outras delícias que, na maioria das vezes, amenizam os dias amargos, as frustrações ou as perdas sofridas pelo caminho da vida. E o melhor: tudo financiado em suaves prestações! Assim, porque pensar na velhice, "esta senhora" não me pertence, pelo menos por hora. É possível adiar este pensamento, esta preocupação de velhice "um pouquinho mais".

A segunda sugestão para este viver mais e mais, talvez fosse o trabalho, manter-se intelectualmente ativo e produtivo. Então, digamos não a aposentadoria! Mas como?
Muito embora se fale e divulgue através dos meios de comunicação que a maturidade já tem seu espaço no mercado de trabalho, o que se vê é exatamente o contrário: é comum, em grande organizações, indivíduos entre 50 e 55 anos serem chamados para uma antecipação da aposentadoria. O "final" se aproxima, este indivíduo se percebe, subitamente, como aquele julgado incapacitado para a produção e que consequentemente não tem utilidade. Seria uma certa ou quase velhice que já assombra?

"Não somos mais jovens e ainda não nos tornamos velhos." O que somos, afinal? O que vem a partir de agora? Neste momento a reflexão do psicanalista e professor Paulo Endo (2002) parece exata a esta questão: "Desde a infância o indivíduo, inicialmente Objeto por não ter autonomia, não ter um Eu próprio, deve se constituir como sujeito, aquele que vê um sentido na vida, um sentido em si, que tem sua história, que se apropria da sua verdade". Certamente manter-se Sujeito, em qualquer fase da vida, mas especialmente na velhice, envolve luta, uma corrida insana em direção à algo não muito bem definido.

Partindo desta aposentadoria precoce, estes indivíduos, potencialmente, "envelhecentes", sofrem, sentem-se diante de dilemas delicados. O que fazer quando temos, finalmente, liberdade para escolher um caminho? Um caminho que não permite erros ou eventuais deslizes, já que este "rico dinheirinho" da rescisão do contrato de trabalho, representa toda reserva de uma vida inteira. Conflitos e angústias tomam dimensões arrasadoras neste momento, tecnicamente explicáveis pelos profissionais da saúde, mas percebidas por aquele que sofre como da "ordem do inexplicável".

É interessante porque contrapondo o parágrafo acima e dizendo, agora, "sim" a aposentadoria precoce, chegamos a terceira e última sugestão deste envelhecer tardio. Estatísticas apresentadas no Seminário de Pré-Aposentadoria na Telcordia (Bellcore) indicam que indivíduos que trabalham até os 60 e tantos anos, provavelmente, colocam muito estresse no envelhecimento do corpo e da mente, de tal forma que eles desenvolvem vários problemas de saúde e morrem dentro de dois anos depois que se aposentam.

Ainda, de acordo com as estatísticas, pessoas que optam por aposentadorias precoces na idade de 55 anos tendem a viver muito e bem em seus 80 anos e além. Considera-se, provavelmente, que estas pessoas venham de uma situação financeira estável ou com uma maior capacidade de planejar e gerir outros aspectos de sua vida, saúde e carreira, de tal forma que eles possam se permitir aposentar mais cedo e continuar vivendo com todo conforto.

Diante destas questões, fica a cargo do leitor, refletir desde muito cedo, qual seria a sua livre escolha para uma aposentadoria saudável no corpo, na mente e não esqueçamos, "no bolso".

Referências
ENDO, P. (2002). Sujeito histórico, sujeito psíquico. Revista Kairós, Caderno Temático 2, São Paulo.
Viscardi, Karen (2011). Fundos de pensão têm o desafio da expansão. Disponível em http://www.odiario.com/blogs/entrelinhas/2011/09/28/a-desadolescencia/. Acesso em 27/9/2011.
TEIXEIRA, Arthur. (2011). Longevidade e idade de aposentadoria. Disponível em http://www.onortao.com.br/ler.asp?id=47177. Acesso em 27/9/2011.


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Atualizado em 23/05/2012 08:43:08