Com o envelhecimento demográfico, a população de idosos se tem expandido nos dois sentidos. Enquanto uma parte tenta se engajar no mercado de trabalho, para se ocupar com o proveito de uma renda extra, outra parte prefere a tranquilidade sem o estresse do trabalho cotidiano e opta para desfrutar as vantagens da aposentadoria. Para este segundo grupo, o governo resolveu dar-lhe incentivo para viagens no interior do País, ação pela qual promove, simultaneamente, a qualidade de vida desses idosos e o turismo interno, além de apresentar a vantagem de não restringir suas excursões apenas ao período de férias, de vez que gozem de disponibilidade para viajar em qualquer época do ano.
De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo, para identificar as dez cidades brasileiras mais procuradas por idosos em viagens turísticas, Fortaleza aparece em honroso segundo lugar no cenário nacional, perdendo apenas para Natal e superando outras cidades nordestinas, entre elas, Salvador e Maceió. Essa preferência resulta do trabalho de divulgação dirigido ao setor específico da terceira idade.
A preferência por Fortaleza deve-se, principalmente, à amenidade de seu clima, sem grandes variações de temperatura ou altos índices de umidade, dois itens geralmente evitados por pessoas de idade mais avançada, pelos danos que podem causar à frágil saúde. O tempo de permanência dos idosos varia de quatro a dez dias e eles preferem os períodos de baixa estação, quando as cidades estão menos apinhadas de visitantes e as características locais se revelam com sossego.
Embora seja digna de encômios a posição galgada pela Capital cearense no importante segmento do turismo, o fato suscita debates sobre um problema que se ressalta até mesmo sob uma análise superficial, pois afeta diretamente a todos seus habitantes.
Na realidade, Fortaleza está longe de ser uma metrópole devidamente capacitada para receber pessoas de faixa etária mais elevada, a começar pelas dificuldades existentes no tocante à locomoção de transeuntes nos principais logradouros públicos, bem como nos corredores turísticos.
O trânsito de pedestres é notoriamente dificultado por deteriorações e desníveis do piso de praças e das calçadas de ruas e avenidas, além da quase completa ausência de rampas para facilitar o acesso em pontos de grande fluxo de gente. Esses empecilhos à locomoção, prejudiciais e dificultosos até mesmo em relação aos mais jovens, também estão presentes em prédios públicos e de concentração turística, a exemplo do Theatro José de Alencar e do Museu do Ceará.
Também praticamente inexistem na cidade programações particularmente destinadas aos mais velhos, como acontece em cidades como Curitiba ou Belo Horizonte, só para citar dois exemplos, onde serviços especializados programam excursões a teatros, cinemas, centros comerciais, museus e outros pontos de atração. Tal como ficou constatado na pesquisa mencionada, os programas mais apreciados pelos turistas da chamada melhor idade são passeios ligados a atividades culturais e compras de produtos típicos da cidade visitada.
A par do aprimoramento na questão técnica do atendimento a pessoas idosas, as quais requerem, obviamente, atenções especiais, Fortaleza precisa fazer jus à preferência de tão expressivo segmento turístico, procurando atentar, sobretudo, para a solução de graves problemas relacionados à sua própria estrutura urbana.
Fonte: Editorial do Jornal Opinião – Diário do Nordeste, publicado em 29/01/2012.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1099394